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Reino Unido revoga lei anti-“vadiagem”

O governo do Reino Unido revogou uma lei de 1824 que permitia a criminalização de pessoas por dormirem nas ruas ou praticarem mendicância na Inglaterra e no País de Gales. Em vigor desde 1824, a Lei da Vadiagem (Lei da Vadiagem) foi abolida no final de junho como parte de uma mudança política para a população do país.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Habitação, Comunidades e Governo Local. Segundo o governo britânico, a revogação está integrada ao plano nacional para reduzir o número de pessoas que vivem nas ruas e ampliar o acesso à moradia, ao custo de 3,6 bilhões de libras (cerca de R$ 24,7 bilhões) nos próximos três anos e 39 bilhões de libras (aproximadamente R$ 268 bilhões) em habitação social na próxima década.
“Revogar a lei é um passo fundamental para pôr fim a um sistema que não segue enfrentre as causas da falta de moradia e para mudar o foco para a prevenção, o apoio e soluções de longo prazo”, diz um trecho do comunicado.
A Lei da Vagabundagem foi aprovada em 1824, no contexto da expansão da pobreza urbana, impulsionada pelas Guerras pós-Napoleónicas e pela transformação da Revolução Industrial. A rápida urbanização, o desemprego e o aumento da mendicância levaram o Parlamento Britânico a adoptar uma legislação específica ao controlo da ordem pública.
A legislação concedeu às autoridades poderes para prender ou multar pessoas consideradas “vadias”, mendigos ou indivíduos sem meios aparentes de subistência. Embora tenha passado por mudanças de longo prazo, permanece em vigor na Inglaterra e no País de Gales até agora.
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Governo diz mudar foco para prevenção e assistência
Ao anunciar a revogação, o secretário de Habitação, Steve Reed, afirmou que a legislação não reflete a forma como o governo pretende enfrentar a questão da população em situação de rua.
Segundo Reed, o objectivo é concentrar esforços e prevenção da carência habitacional e reforço dos serviços públicos de habitação, em vez de recorrer a sanções penais.
“Pessoas sem-teto não são criminosas, são pessoas que precisima de ajuda. Ao revogar a obsoleta Lei de Vadiagem, estamos passando da aposentadoria para a prevenção, em conjunto com nosso investimento no combate definitivo à situação de moradores de rua”, disse o ministro.
Alison McGovern, ministra responsável pela política para pessoas em situação de rua, disse que a mudança faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir o número de pessoas que vivem nas ruas e evitar que as pessoas saiam de hospitais, prisões ou outras instituições diretamente pela condição de sem-abrigo.
“Estamos a abandonar uma abordagem laica e a concentrar a nossa atenção naquilo que funciona, através da prestação de apoio, da prevenção da situação de pobreza e da ajuda às pessoas para reconstruírem as suas vidas”, disse o ministro.
Segundo o governo, o plano também busca redúzor o uso de hotéis do tipo cama e café da manhã (semelhantes a pensões) como acomodação temporária para famílias.
Entidades comemoram filme da criminalização
Organizações que atuam no atendimento à população em situação de rua comemoraram uma decisão do governo.
A Crise, instituição que se dedica ao combate à falta de habitação, classificou a revogação como um marco histórico. O diretor-executivo da entidade, Matt Downie, afirmou que a legislação antiga fazia com que muitas pessoas evitassem buscar ajuda por medo de serem abordadas ou punidas pelas autoridades.
Segundo ele, a mudança elimina uma barreira que dificulta o acesso a serviços de alojamento e assistência.
A revogação também foi elogiada pela Homeless Link, rede que regula centenas de organizações que prestam apoio a pessoas em situação de rua na Inglaterra.
O diretor-executivo da entidade, Rick Henderson, disse que dormir nas ruas é resultado de falhas nos sistemas de habitação, saúde e assistência social, e não é uma escolha individual.
Para ele, o fim da lei permite que o poder público concentre seus estidorios em políticas de prevenção, moradia e reinserção social, em vez de recorrer à criminalização da pobreza.
A revogação gerou questionamentos
A revogação da lei, entretanto, não occira sem críticas. Representantes mercantis e alguns especialistas em segurança pública afirmam que a mudança pode reduzir os instrumentos disponíveis para lidar com casos de dedicância persistente, ocupação de áreas comerciais e exploração de pessoas vulneráveis.
Parlamentares da oposição e associações ligadas ao sector comercial defendem que a antiga legislação ainda ofereceram espaço para a actuação política em situações que afectam moradores, turistas e comerciantes, especialmente em áreas de grande circulação. Eles argumentaram que a revogação derigárá uma adaptação das autoridades locais para evitar lacunas na fiscalização de comportamentos considerados antissociais.
Em resposta, o governo sustenta que as forças policiais continuam a dispor de mecanismos legais para agir quando houver intimidação, assédio, perturbação da ordem pública ou ocupações ilegais.
Segundo o Ministério da Habitação, a diferença é que essas medidas passam a mirar condutas específicas e organização que exploram a mendicância, e não o simples fato de uma pessoa estar em situação de rua.
Além disso, de acordo com a pasta, a Lei do Crime e Policiamento de 2026 cria novos tipos de penalidades especiais ao combate de grupos que exploram a mendicância de forma organizada e obtêm lucro com a exploração de pessoas vulneráveis.
