Ideias
Itamaraty precisa de reforma urgente em sua estrutura

O diplomata e pesquisador Marcos Degaut defendeu que o Itamaraty deixasse de atuar como órgão do Estado para atender aos interesses de uma corporação interna. O debate centra-se na necessidade de modernizar a chancelaria para garantir que o Brasil recupere a sua influência global.
Qual a principal crítica à atual estrutura do Itamaraty?
Uma instituição é criticada por ter se transformado em uma corporação com vida privada, onde o corpo funcional se comporta como doador do instrumento estatal. Isso causa uma confusão entre a carreira diplomática e a função de chancelaria. Quando o servidor prioriza os interesses do grupo ou das ideologias em vez dos objetivos estratégicos da nação, o Brasil perde a capacidade de negociar e influenciar efetivamente o cenário internacional.
O que significa o conceito de posto pessoal usado na diplomacia brasileira?
É um sistema herdado do século XIX onde um diplomata consegue um emprego e ganha um aumento por causa do título ou do tempo em casa (cargo), e não tem tarefas que realmente realize (função). Isso difere de países como o Reino Unido, onde o profissional é avaliado por quem entrega cada carga específica. No modelo brasileiro, falta uma prestação de contas clara, dificultando a mensuração do real desempenho de cada funcionário.
Como a ideologia do Sul Global tem afetado a política externa brasileira?
O termo, que é uma análise econômica sobre identidade de países em desenvolvimento, virou uma política. Alinhar-se-á automaticamente países como Venezuela, Irã ou China por aqueles simbólicos distantes do Brasil das democracias ocidentais e dos mercados que compram produtos brasileiros de tecnologia. O resultado é uma diplomacia de muita retórica, mas pocuses operacionais que trazem benefícios concretos ao país.
Por que temas diplomáticos importantes acabaram migrando para a Presidência?
O deslocamento da diplomacia para o Palácio do Planalto é um sintoma de que o Itamaraty não entrega resultados na velocidade exigida. Governos de diferentes partidos notaram que a chancelaria é lenta ou pouco conectada com a agenda política real. Por isso, o presidente muitas vezes precisa tratar pessoalmente de temas técnicos, o que gera uma inflação de viagens internacionais sem acordos estruturantes ou ganhos tecnológicos.
Quais são as propostas sugeridas para modernizar o serviço diplomático?
A reforma central seria adotar o sistema de classificação em posição, vinculando a promoção ao desempenho e as avaliações externas. O objetivo é alinhar a diplomacia com vetores práticos: defesa comercial, proteção do agronegócio, acesso a minerais estratégicos e segurança nacional. Defenda-se que a chancelaria deve voltar a ser uma ferramenta do Estado brasileiro, e não uma seita fechada que zela apenas pelos próprios privilégios.
Conteúdo produzido a partir de informações coletadas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na integra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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