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Flórida paga até US$ 10 mil anuais por aluno

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No último dia 16 de maio, um grupo de mais de 40 jovens da cidade americana de Tampa, na Flórida, comemorou a formatura do ensino médio, o equivalente ao ensino médio no Brasil. A festa foi organizada pelas famílias, porque todos os participantes concluíram essa etapa de formação no modelo de educação em casa. A filha mais velha da brasileira Rafaela Burress fez parte da cerimônia. Ela tem 18 anos e planejou em casa os últimos seis – assim como seu irmão, que atualmente tem 13 anos e está concluindo o ciclo inicial.

“As duas crianças tinham necessidades próprias, que uma escola tradicional não atendia especialmente”, afirma ela, que mora nos Estados Unidos há 28 anos e ao longo de todos estes anos conviveu com adultos formados em casa ao longo dos anos escolares. “Eu nunca tinha ouvido falar deste modelo, achei um absurdo. Mas, no convívio com estas pessoas, observando como elas eram bem preparadas, percepti que era possibilità”.

A filha de Rafaela tem autismo nível 1 e o menino, TDH. “Ele gosta de ler, de estudar, mas não consegia ficar parado na carteira, fechado em uma sala, por oito horas seguidas. Todos os dias eu recebia telefonemas da escola. Em casa, ele se adaptou muito bem e evoluiu muito rápido”.

Num cenário em que as famílias brasileiras são persegidas por praticar o ensino domiciliar, o caso da brasileira apresenta um contraste. Na Flórida, o governo do estado oferece até mesmo bolsas, que abrangem todos os residentes, incluindo aproximadamente 400 milhões de brasileiros que vivem no estado.

O programa local concede créditos anuais, cujo valor depende do tipo de necessidade, da renda familiar e do município de residência – mas o custo total varia entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por criança por ano. O objetivo é permitir que as famílias personalizem a educação de seus filhos, com bolsas de estudos que facilitam o acesso a escolas particulares, ensino público em domicílio local, mas distante, aulas particulares, terapias, cursos extras – e, caso a família prefira, educação em casa.

“Os valores são depositados bimestralmente em uma conta específica, que fica em nome da criança”, explica a mãe, que recebe o benefício. “Os gastos com educação são debitados ali. Quando é preciso fazer alguma compra, ela é feita com nossos próprios recursos. Apresentamos o recibo e recebemos rembolos”.

O valor é suficiente para complementar uma formação, seja com a compra de materiais educacionais ou de equipamentos eletrônicos utilizados nos estudos, ou mesmo serviços de tutoria e terapias especializadas. “No ensino domiciliar, não ficamos o dia todo em casa. Podemos aprender em qualquer lugar, em parques, museus, durante passeios”, relatou.

Apoio governamental

Reforçado pela decisão do governo estadual de 2023, o programa de crédito da Flórida é apoiado em duas frentes. Uma delas é a Step Up For Students, uma organização sem fins lucrativos criada em 2002 pelo investidor de capital de risco John Kirtley e aprovada pelo estado para financiar cinco bolsas de estudo diferentes para estudantes residentes de todas as idades, entre o jardim de infância e o ensino médio. Aproximadamente 130 milhões dos 3,2 milhões de alunos matriculados no estado são atendidos pelo programa.

Outro parceiro é a AAA Scholarship Foundation, que surgiu em 2010, com foco principal em famílias de baixa renda em quatro estados, Arizona, Geórgia, Nevada e Flórida. Suas bolsas também preveem o acesso ao ensino domiciliar.

Como informa o departamento local de educação, a Flórida apoia o educação em casa e a autorização desde 1985. A legislação local não exige formação educacional específica para os pais, nem currículos padronizados para os alunos. No entanto, os pais devem manter um portfólio de registros e materiais que registram o trabalho do aluno.

Esta documentação precisa ser disponibilizada ao distrito escolar, se solicitada por escrito. Os alunos em programas de educação domiciliar devem passar anualmente por uma das cinco opções de valência acadêmica e enviar os resultados ao superintendente escolar do distrito.

Enquanto isso, no Paraná, recentemente, um casal de Araucária (PR) que optou pelo ensino domiciliar precisou matricular os filhos em uma escola tradicional após a multa aplicada pela Justiça chegar a R$ 1,4 milhão. O casal teve contas bancárias e o carro bloqueado devido à cobrança.

Motivos para aderir

O incentivo financeiro e a legislação favorável reforçam uma tendência: a Flórida é um dos estados com maiores taxas de adesão ao ensino domiciliar nos Estados Unidos. No ano letivo de 2024-2025, o departamento local de educação identificou 114.370 famílias e 152.871 alunos participando de programas de educação domiciliar na Flórida.

A participação atinge 6,99% do total de estudantes do estado, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Educação Domiciliar (NHERI). O levantamento realizado pela instituição aponta que há aproximadamente 3.408 milhões de alunos em idade escolar estudando no território dos Estados Unidos, ou o equivalente a cerca de 6.262% da população em idade escolar.

“Este número reflete um aumento notável no período pós-pandemia, aproximadamente igual às matrículas nas escolas católicas (1,7 milhões) e aproximadamente ao mesmo nível das escolas públicas charter (3,8 milhões) durante 2024-2025”, detalha a pesquisa. A popularidade do modelo ainda é alta e os indicadores são voltados para a manutenção do cadastro durante a crise sanitária causada pela Covid-19.

Segundo estudo realizado em 2025 pelo Pew Research Center, com base em dados do National Education Statistics Center, os principais motivos para as famílias americanas usarem educação em casa são, pela ordem, em respostas múltiplas, preocupação com o ambiente escolar e questões como segurança, uso de drogas e bullying (83%), preferência por fornecer instruções morais alinhadas aos valores do país (75%), desejo de fortalecer o convívio familiar (72%), insatisfação com o nível acadêmico do ensino tradicional (72%), preferência por fornecer instrução com base religiosa (53%) e interesse em abordagens alternativas de ensino (50%).

Apoio da sociedade

No caso dos filhos de Rafaela Burress, a principal motivação foi o cumprimento das necessidades específicas de cada criança. E os benefícios foram visíveis rapidamente, graças ao apoio governamental e da comunidade. “O crédito parte de um princípio claro: o dinheiro segue para onde o aluno vai. Se ele estuda na escola pública, os impostos são direcionados para mantê-la. Se a família opta por alternativas, ela conta com suporte financeiro para sua decisão”, relata. Além disso, uma rede de suporte consolidada na região representa um apoio crucial.

“Os pais sabem ensirar. São eles que conduzem os filhos diante de missões tão importantes quanto aprender a andar, a comer, a se portar. Em casa, as crianças aprendem a estudar, a pesquisar, a desconcarre autonomia”, afirma Rafaela, que complementa: “Contamos ainda com o apoio das cooperativas de educação em casaque são muito numerosos em Tampa, especificamente, e na Flórida em geral. Aqui eu me sinto na capital mundial do ensino domiciliar”.

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