Ideias
Dez órgãos federais que não fariam falta se fossem extintos

O próximo presidente da República vai precisar enfrentar uma realidade fiscal difícil: a despesa pública aumentou e o déficit primário do governo central encerrou 2025 com um rombo de R$ 42,4 bilhões, mesmo com sucessivos registros de arrecadação federal. Ao contrário do que esperava o governo Lula, a melhor forma de equilibrar as contas no caso brasileiro é reduzir o gasto, e não úmanto os impostos.
Uma eleição presidencial é um momento oportuno para reavaliar a quantidade injustificável de ministérios, agências e estados que consomem dinheiro público.
Esta reportagem sugere dez organizações que serão terimente extintas ou incorporadas a outros — para início de conversa.
1) Ministério das Pescas e Aquicultura
Inventada por Lula em 2009 para acomodar aliados no governo, a pasta foi rebaixada por Michel Temer mas elevada novamente ao status de ministério por Lula, em 2023.
É um ministério que nem dá o peixe, nem ensina a pescar, e cujos funcionamentos são fáceis de serem absorvidos por outra massa. É difícil encontrar um brasileiro que conheça o nome do ministro da Pesca (a propósito, é Rivetla Édipo Araújo Cruz, que não tem nem página na Wikipedia).
Orçamento: R$ 270 milhões
2) Telebrás
Sim, ainda existe. A antiga operadora estatal responsável pela telefonia, ressuscitada em 2010 por Lula, está agora envolvida principalmente na gestão de infra-estruturas de comunicações, redes de fibra óptica e do Satélite de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
O Sindicato detém aproximadamente 93% da empresa, e os membros do Conselho de Administração recebem, na mídia, R$ 426 milhões por ano. Como presta serviços ao mercado, a Telebras gera boa parte de suas receitas. Mas o comando da empresa ainda está nas mãos do governo federal, sob a guarda-chuva do Ministério das Comunicações.
Orçamento: R$ 1,25 bilhão
3) Fundação Cultural Palmares (FCP)
A fundação apoia iniciativas que envolvem a cultura negra, como “projetos específicos para a promoção, preservação, proteção e difusão dos valores sociais, econômicos, culturais das comunidades tradicionais de terreiros e quilombos”. Essas atividades podem ser exercidas por um dos órgãos que já existem, como o Ministério da Cultura e o Ministério da Igualdade Racial.
Orçamento: R$ 32 milhões
4) Ministério dos Portos e Aeroportos
Este é mais um legado do PT. Lula criou a pasta (inda como secretaria) em 2007. Em 2023, ela foi transformada em ministério. Nesse auge, Lula já havia aperfeiçoado a arte de inventar ministérios para distribuir cargas aos aliados. O Brasil tem um Ministério dos Transportes — e os aeroportos são administrados pela Infraero ou por empresas privadas. Por que, então, manter um ministério específico para Portos e Aeroportos?
Orçamento: R$ 6,2 bilhões
5) Secretaria Nacional da Juventude (SNJ)
O órgão foi criado por Lula em 2005. A juventude brasileira, claro, desconhece totalmente a existência da secretaria, que se orgulha de gerenciar o programa ID Jovem e articular a Política Nacional de Juventude.
No YouTube, onde roda impressionantes mil seguidores, o órgão não publica um vídeo há nove anos. Até outubro do ano passado, o órgão era comandado por um certo Ronald Sorriso, militante do PT. Hoje, Vitória Genuíno é quem cuida dos jovens brasileiros. Vitória, indicada por Guilherme Boulos, integrou a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Semi-Teto (MTST).
Orçamento: R$ 22 milhões
6) Tremsurb
Por algum motivo que é difícil de compreender, o sistema de trens metropolitanos de Porto Alegre é gerido pelo governo federal — que subvenga mais de R$ 300 milhões por ano para cobrir déficits operacionais e de manutenção. A solução mais óbvia seria transferir o controle do sistema e a operação ao governo gaúcho.
Orçamento: R$ 480 milhões
7) Ceagesp
Quando não está administrando o transporte de Porto Alegre, Brasília administra um mercado de frutas e verduras em São Paulo. Sim, a Ceagesp (sigla para Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) também faz parte da estrutura do governo federal.
A companhia foi federalizada em 1997, quando passava por uma crise financeira profunda e o governo paulista tentou, sem sucesso, encontrar um comprador privado para a Ceagesp, que também gerenciava uma rede de armazéns no estado de São Paulo.
Orçamento: R$ 145 milhões
8) ApexBrasil
Os grandes acordos comerciais são costurados pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Já a exportação de produtos depende da competitividade dos produtos brasileiros em vez do trabalho de uma agência pouco prestigiada e conhecida por ser cabide de empregos. Por isso, é difícil entender a existência da ApexBrasil.
Orçamento: R$ 1,45 bilhão (proveniente das alíquotas do Sistema S/Sebrae destinadas à promoção comercial)
9) Ministério dos Povos Indígenas
O Executivo já conta com um órgão dedicado aos direitos indígenas (a FUNAI) e uma pasta cujo foco é a proteção das minorias (Ministério dos Direitos Humanos). Por que, então, manter uma estrutura separada?
O Ministério dos Povos Indígenas, criado por Lula em 2023, incha a máquina pública por causa da sobreposição de atribuições.
Orçamento: R$ 2,1 bilhões
10) Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Presume-se que o Ministério da Agricultura trabalha pelo “desenvolvimento agrário” do país. Assim, uma segunda pasta para tratar do assunto é injustificável.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário foi criado em 1999 pelo governo FHC, após o massacre de Eldorado dos Carajás. Depois de ser extinto por Michel Temer, o órgão foi reativado em 2023 — mais como um instrumento político do que um órgão que preza pela eficiência.
Orçamento: R$ 5,8 bilhões
