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Música

Por que tantos músicos estão cantando em sofás? Uma investigação

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Se você é um abajur ou uma cama, temos uma má notícia. Há um novo queridinho do momento: ele tem quatro pés, dois apoios de braço e é um grande defensor da postura ereta. Isso mesmo: o sofá. O móvel virou o novo acessório de palco favorito dos artistas, com cada vez mais músicos incorporando a peça aos seus shows — de Lily Allen a Charli XCX e Hilary Duff. Não sabemos exatamente por quê, então decidimos investigar.

Os sofás sempre tiveram presença marcante nas letras de músicas — basta lembrar de “So Real“, de Jeff Buckley; “All I Wanted“, do Paramore; “Do I Wanna Know?“, do Arctic Monkeys; e “c. et. al.“, do Snail Mail. (Na maioria desses casos, o sofá serve para dormir ou derramar bebidas, especialmente quando você está bêbado.) Mas vê-los tão frequentemente no palco é algo relativamente novo.

Já estávamos acostumados com camas. Sabrina Carpenter, apropriadamente, cantava em uma cama com dossel durante a sensual “Bed Chem“, na Short n’ Sweet Tour; Taylor Swift levou uma enorme cama de metal branca para interpretar “Fortnight” durante a Eras Tour; e Usher atualmente leva todo o seu charme do R&B para um colchão durante “Seduction“. Agora, porém, os sofás assumiram o controle. Hoje em dia, se você é um músico prestes a cair na estrada, provavelmente o sofá ocupa o terceiro lugar na lista de itens indispensáveis, atrás apenas dos monitores in-ear e do chá de ervas.

Não é difícil entender o motivo. Sofás ajudam a criar uma atmosfera aconchegante e permitem que os artistas mudem um pouco a dinâmica do show enquanto fazem uma breve pausa. Lucy Dacus, por exemplo, usa sofás durante toda a Forever Is a Feeling Tour, convidando participações especiais para cantar “Bullseye“, de Ani DiFranco a Corin Tucker, do Sleater-Kinney. Em seu show no festival All Things Go, em Nova York, no ano passado, ela ainda recebeu o então candidato à prefeitura Zohran Mamdani para uma conversa no palco. Dacus começou a incorporar sofás ao espetáculo há alguns anos, quando sofreu duas hérnias de disco e precisou se apresentar praticamente deitada durante toda a turnê. Foi em 2022, o que faz dela praticamente uma pioneira do sofá nos palcos.

Os sofás também criam momentos íntimos, quase terapêuticos, especialmente em músicas mais pessoais. No caso de Hilary Duff, isso acontece durante “We Don’t Talk“, faixa de seu novo álbum Luck …or Something, que muitos acreditam ser sobre sua relação distante com a irmã, Haylie. “Vamos colocar tudo para fora/Eu escuto você/Você me escuta/No sofá”, canta ela.

Mas os fãs mais atentos foram além e passaram a acreditar que até a cor do sofá escondia uma mensagem. “Isso é um completo absurdo, totalmente falso e uma loucura”, disse Duff à Rolling Stone no início deste ano. “Eu não tenho tempo para criar pistas para as pessoas ficarem tentando decifrar. Tenho uma vida cheia, uma família ocupada, e essa música era simplesmente sobre a minha verdade. Só isso.” Às vezes, um sofá é apenas um sofá.

Há exceções, porém. A atual turnê de Lily Allen — em que ela apresenta o devastador álbum West End Girl, amplamente interpretado como um retrato de seu divórcio com o ator David Harbour — traz ao palco móveis reais da casa que os dois dividiam no Brooklyn. O sofá muda de um show para outro (na apresentação no Radio City Music Hall, em Nova York, ela usou um modelo de veludo vermelho capitonê), mas em todas as performances ela se senta nele para cantar “Sleepwalking“, enquanto entoa: “Quem disse que o romance não morreu?/Não existe romance desde que nos casamos.” Para essa garota do West End, o sofá significa tudo.

E a tendência parece estar apenas começando. No breve show de Reneé Rapp no Brooklyn, no ano passado, para celebrar o lançamento de “Bite Me“? Sofá. Na performance de Mitski de “Circle“, no início deste ano, divulgando Nothing’s About to Happen to Me? Sofá. Em várias músicas da turnê sem celulares de Phoebe Bridgers, incluindo a apresentação no Madison Square Garden? Sofá. E durante alguns minutos do show intimista de Charli XCX no Brooklyn, no começo deste mês? Acertou: sofá.

Ainda não sabemos qual será a próxima febre (se forem televisores antigos, Waxahatchee e MJ Lenderman acabaram de apostar nessa ideia em sua turnê conjunta). Mas, por enquanto, sente-se, relaxe e aproveite para ver seu artista favorito fazendo exatamente a mesma coisa.

+++LEIA MAIS: Jon Bon Jovi encerra show antes do fim e se desculpa: ‘Não estão recebendo o meu melhor’

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