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Ideias

Arquitetos brasileiros reinventam “cidade do interior”

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Há quase 20 anos, em 2007, pela primeira vez, a humanidade atingiu um estágio em que mais pessoas moram na cidade do que no campo. Atualmente, cerca de 55% dos seres humanos habitam ambientes urbanos, um percentual que, de acordo com as previsões da Organização das Nações Unidas (ONU), deve chegar a 68% até 2050. Como argumenta o historiador britânico Ben Wilson, no livro Metrópole: A história das cidades, a maior invenção humana“estamos observando a maior migração da história, o ápice de um processo de 6 mil anos pelo qual, ao fim do presente século, teremos nos tornado uma espécie urbanizada”.

No Brasil, 87,4% da população total vive em cidades, segundo o mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Investir em ambientes urbanos mais seguros e orgânicos é, por isso, uma estratégia importante para boa parte dos brasileiros. E existem iniciativas nesta direção. São empreendimentos planejados, desenvolvidos para acomodar os moradores em todas as áreas de habitação, alimentação, educação, trabalho e lazer, sem exigir deslocamentos excessivamente longos.

Alguns projetos nacionais inspiram-se em exemplos que vêm de fora, como é o caso de Carmel, cidade americana do estado de Indiana, que, a partir de meados da década de 1990, passou por um processo de reorganização urbana, que envolveu a construção de uma nova estação de tratamento de água, parques infantis, ciclovias e vias multiuso ao longo de quase todas as principais vias.

Empreendimento, que vai receber Empreendimento, que vai receber “Town Center” em breve, tem campo de golfe e piscina com ondas. (Foto: Divulgação/JHSF)

Empreendimento de luxo, mas com aprendizagem de cidade do interior

Uma dessas iniciativas está instalada em Porto Feliz (SP), município localizado a 108 quilômetros da capital paulista. Trata-se da Fazenda Boa Vista, empreendimento rural de luxo desenvolvido pela JHSF, que atua nos setores imobiliário, hoteleiro, gastronômico e comercial, incluindo o Cidade Jardim, em São Paulo (SP).

Lançado em 2007, o projeto contempla opções de esportes, lazer e serviços, em uma área de 12 milhões de metros quadrados, dos quais três milhões são cobertos por árvores nativas, lagos, matas e jardins. Desde a fundação, a iniciativa vem sentido expandido, com a construção do Boa Vista Village, que incorporou o conceito de residênciasou apartamentos de campo, além de manter um hotel operado pelo grupo Fasano e áreas para a prática de surf, tênis e golfe.

O espaço segue em espanhol. Ainda neste ano, vai receber um shopping a céu aberto de 14.358 metros quadrados e 60 lojas. O chamodo Town Center emula as cidades do interior, convidativas para os pedestres. De certa forma, é uma recriação de um modelo de cidade que ficou no passado com a verticalização urbana e o aumento da insegurança.

Até 2027, a Vila da Boavista contará com novos equipamentos educacionais e de saúde, o Centro Médico Albert Einstein e o Colégio Visconde de Porto Seguro. A proposta é criar um empreendedor de alta renda completo, que combine moradia, lazer e trabalho. Os preços são variados, mas todos na casa dos milhões de reais.

A inspiração, como informa a JHSF, está em Carmel, e também nos Hamptons, conjunto de vilas de alto padrão instaladas em Long Island, nos Estados Unidos. Dali saem referências para a arquitetura, a escala e a ideia de um espaço para convívio no centro. O resultado é um projeto autoral, com arquitetura e paisagismo pensados ​​de forma integrada para atender a aproximadamente 3 mil famílias em todo o complexo.

O plano de desenvolvimento é contínuo e prevê ampliação dos equipamentos disponíveis na área. A ampliação do Complexo Boa Vista contempla também a Boa Vista Estates, que amplia o portfólio imobiliário com uma proposta voltada para terrenos amplos e maior privacidade. Com cerca de 7 milhões de metros quadrados, entre ruas privadas, lagos e mata nativa, e planejamento para 250 famílias, o projeto combina baixa densidade, infraestrutura compresante e forte integração com a paisagem natural. A arquitetura é assinada por Sig Bergamin e Murilo Lomas e o paisagismo, por Maria João d’Orey.

Alternativa para as cidades

Iniciativas como Carmel e Complexo Boa Vista apoiaram uma proposta conhecida como Novo Urbanismo. A iniciativa apoia o conceito de bairros com características de centro urbano, com um ambiente propício ao passeio e ao convívio entre diferentes perfis de moradores, solteiros e famílias, jovens e idosos.

A educação e as atividades físicas são incentivadas, assim como o fluxo de veículos saudáveis ​​e inúteis, incluindo bicicletas. Em termos atualizados, são valorizados os elementos clássicos e neoclássicos, que valorizam a moda e a sofisticação. A arte e a cultura ganham espaço de destaque nos centros de convívio, e em torno deles a natureza preservada é valorizada como parte da rotina.

Criado nos anos 1980 por arquitetos e urbanistas americanos que reiaram ao crescendo acelerado das metrópoles, o movimento do novo urbanismo propõe, assim, um retorno às origens. “Apoiamos a restauração das cidades e dos centros urbanos existentes no conjunto de regiões metropolitanas coerentes, a reconfiguração dos subúrbios em comunidades de verdadeiras vizinhanças e bairros distintos, a conservação do ambiente natural e a preservação da nossa herança cultural”, defende a Carta do Novo Urbanismo, publicada em 1996.

“Cidades pequenas e compactas, organizadas em torno de pessoas e não de carros, também comprovadamente são melhores para os seres humanos e para o meio ambiente. Quanto mais perto você estiver do centro da cidade, menos obeso você será. E você também se sentirá mais feliz”, diz Ben Wilson em seu livro.

“Nós nos mudamos para a cidade há 5 mil anos por boas razões — proximidade, oportunidades, sociabilidade e prazeres que a cidade oferece — e continuamos o processo ao longo dos milénios. As cidades vão mudar. Mas não por conta de idealismos, e sim por necessidade”, argumenta. “O caminho é tornar o próprio subúrbio mais urbano, oferecendo locais para passeio e socialização, compras e trabalho. Não se trata do sonho utópico da atmosfera de luxo; é uma descrição de como as pessoas e os lugares acolhedores às mudanças”.

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