Ideias
Novo livro de Celso Amorim: política externa e globalismo

Celso Amorim, principal assessor internacional do presidente Lula, lançou o livro “O Brasil em um Mundo Multipolar”. A obra, financiada pelo Itamaraty, consolida a visão oficial da diplomacia brasileira, defendendo alianças com o Sul Global e refutando a existência do globalismo.
O que Celso Amorim diz sobre o conceito de globalismo?
Para os diplomatas, o globalismo é uma fantasia de direita e uma teoria da conspiração. No entanto, o livro descreve com orgulho as acções de Amorim para influenciar as políticas internas de outros países e construir instituições internacionais com poder acima das nações, o que os críticos apontam como uma contradição directa ao seu argumento de que o fenómeno não existe.
Qual é a posição do autor sobre a relação do Brasil com as potências ocidentais?
O guru da diplomacia petista defende que o Brasil não deve se considerar parte do Ocidente nem tentar ser amigo preferencial de países ricos. Ele propõe um distanciamento estratégico de nações como a UE e a Europa, privilegiando parcerias com o chamado Sul Global, que inclui países em desenvolvimento e potências como China, Rússia e Irão.
Como o livro justifica o diálogo com governos autoritários?
A obra prega o relacionamento com todos os países de forma legítima, independente de seus regimes políticos. Na prática, isto significa que a actual política externa trata as democracias e as ditaduras com o mesmo peso diplomático, mesmo nos casos de governos que reprimem os opositores e violam sistematicamente os direitos humanos.
Quais são as principais polêmicas sobre conflitos internacionais mencionados na obra?
Amorim reforça duras críticas a Israel, classificando as ações em Gaza como genocídio, ao mesmo tempo que dedica pouca atenção aos ataques do Hamas. Sobre a guerra na Ucrânia, ele repete a narrativa russa ao chamar a revolta popular ucraniana de 2014 de “golpe” e coloca o agressor (Putin) e o agredido (Zelensky) no mesmo patamar de importância.
O que o livro revela sobre a estratégia econômica do governo?
O autor demonstra ceticismo em relação ao livre comércio, especialmente se envolve países de devolovenos, como visto em sua comemoração pelo filme da ALCA. Por outro lado, ele celebra o crescendo das rotas comerciais com a África e o Oriente Médio, indicando que a abertura do mercado só é benéfica para o Brasil quando ocorre fora do eixo liderado pelos EUA.
Conteúdo produzido a partir de informações coletadas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na integra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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