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Uma nova descoberta pode revelar a peça que faltava no quebra-cabeça de como as pirâmides foram construídas

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Duas tumbas discretas encontradas no centro do Egito podem registrar uma etapa decisiva da engenharia que, séculos depois, produziria as pirâmides. Com cerca de 5 mil anos, as estruturas preservam paredes inclinadas, pedras cortadas e suportes de madeira que revelam experiências arquitetônicas anteriores aos grandes monumentos faraônicos.

Na primeira tumba, as paredes foram construídas mais largas na base e gradualmente mais estreitas em direção ao topo
Na primeira tumba, as paredes foram construídas mais largas na base e gradualmente mais estreitas em direção ao topo – Imagem gerada por IA

Onde as tumbas de 5 mil anos foram encontradas?

As sepulturas foram descobertas por uma missão do Conselho Supremo de Antiguidades em Jabal al-Tayr, na província de Minya, cerca de 25 quilômetros a nordeste da cidade de mesmo nome. As estruturas pertencem ao Período Dinástico Inicial, fase iniciada por volta de 3100 a.C.

O ministro egípcio do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathi, afirmou que a descoberta ajuda a acompanhar o desenvolvimento da arquitetura funerária em diferentes épocas. A área também preserva sepultamentos anteriores às primeiras dinastias e túmulos mais recentes, indicando que permaneceu como cemitério por milênios.

Estruturas milenares egípcias revelam a evolução arquitetônica anterior às grandes pirâmides.
Estruturas milenares egípcias revelam a evolução arquitetônica anterior às grandes pirâmides. – Ministério do Turismo e Antiguidades

Por que uma das estruturas chamou tanta atenção?

Na primeira tumba, as paredes foram construídas mais largas na base e gradualmente mais estreitas em direção ao topo. Essa solução aumentava a estabilidade e distribuía melhor o peso da construção, demonstrando que os responsáveis pela obra já experimentavam princípios estruturais que seriam aperfeiçoados em monumentos posteriores.

Estudos preliminares apontam semelhanças com o túmulo do rei Den, governante da Primeira Dinastia sepultado em Abidos. A comparação não prova uma ligação direta com as pirâmides, mas sugere que conhecimentos arquitetônicos circulavam pelo Egito e evoluíam muito antes das grandes construções de Gizé.

Quais técnicas de construção foram identificadas?

Parte da primeira tumba foi destruída porque blocos de pedra foram retirados e reutilizados em outras construções. Mesmo assim, os arqueólogos encontraram marcas de corte e oxidação nas superfícies, além de restos de grandes vigas de madeira empregadas para sustentar paredes e diferentes setores da estrutura funerária.

  • Paredes mais grossas na base aumentavam a estabilidade.
  • Blocos de pedra apresentavam sinais de corte cuidadoso.
  • Vigas de madeira reforçavam partes da construção.
  • A segunda tumba preservou grande parte da estrutura original.

A sepultura localizada imediatamente ao sul sofreu menos retirada de materiais e permanece em melhores condições. Seu projeto é semelhante ao da primeira, permitindo comparar as escolhas dos construtores. Esse conjunto oferece uma rara oportunidade de estudar como pedra, madeira e distribuição de peso eram combinadas há cinco milênios.

Marcas em blocos e vigas indicam técnicas avançadas de sustentação.
Marcas em blocos e vigas indicam técnicas avançadas de sustentação. – Ministério do Turismo e Antiguidades

As tumbas explicam como as pirâmides foram construídas?

As descobertas não revelam, sozinhas, o método utilizado para transportar e elevar os enormes blocos das pirâmides. Sua importância está em mostrar uma possível etapa da evolução da arquitetura funerária, que passou de covas simples para tumbas monumentais, mastabas e, posteriormente, construções em degraus.

A Pirâmide de Djoser, erguida em Saqqara por volta de 2650 a.C., é considerada a primeira grande pirâmide egípcia. Projetada como uma sequência de mastabas sobrepostas, ela demonstra como antigas formas funerárias foram ampliadas e reorganizadas até alcançar uma escala monumental durante a Terceira Dinastia.

Novas escavações podem completar essa história

Ao redor das tumbas, arqueólogos localizaram sepultamentos dos períodos Naqada II e Naqada III. Alguns mortos estavam em posição encolhida, envolvidos em esteiras vegetais e acompanhados por vasos de cerâmica com bordas escuras. Também surgiram vestígios de enterros posteriores e restos de caixões de madeira.

Os trabalhos continuam porque outras estruturas podem permanecer sob a areia de Jabal al-Tayr. Preservar e investigar o local é essencial para reconstruir os séculos de tentativas que antecederam as pirâmides. Cada parede encontrada pode aproximar a arqueologia da resposta sobre como uma tradição funerária se transformou em símbolo eterno do Egito.



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