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Moacir Santos: O Maestro Centenário que Moldou a Música Brasileira e Mundial

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Moacir Santos (1926 – 2006), renomado compositor, multi-instrumentista, arranjador e maestro, celebraria seu centenário de nascimento em 26 de julho. Nascido em Flores, Pernambuco, no Sertão do Pajeú, foi de suas vivências nesta terra semiárida que ele começou a extrair o que chamava de 'ouro negro' da rica música brasileira.

A Trajetória de um Gênio: Do Sertão ao Alcance Global

Sua jornada musical teve início com as bandas filarmônicas locais, pavimentando um caminho que o levou ao Rio de Janeiro em 1948, durante o apogeu da era do rádio. Posteriormente, Santos se estabeleceria nos Estados Unidos, país que o acolheu e onde faleceu em 2006, em Pasadena, Califórnia. A data de seu centenário, 26 de julho, motivou tributos em diversas regiões, como o 1º Festival Ouro Negro do Pajeú – Festi'Ouro, realizado em sua cidade natal para celebrar o filho mais ilustre da cidade pernambucana.

Legado e Reconhecimento: 'Coisas' e a Influência Inconfundível

Apesar de ser reconhecido como um gênio por instrumentistas e em nichos específicos da música brasileira, Moacir Santos permanece em grande parte desconhecido pelo público em geral. Contudo, ele é o criador de 'Coisas', um álbum de 1965 considerado um marco fundamental na discografia nacional pela sua inovação e temas autorais.

Sua genialidade foi celebrada por nomes como Vinicius de Moraes em 'Samba da Benção' (1966), com o verso: 'A benção, Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos'. Esta homenagem alude à sua maestria na fusão de ritmos, transitando com fluidez do folclore ao jazz e aproximando a música popular da erudita.

A Alquimia Sonora: Brasil, África e o Jazz

O 'ouro negro' foi garimpado ao longo de uma vida profissional que começou entre Pernambuco e Paraíba, com o Nordeste sendo sua primeira grande fonte de inspiração. No entanto, foi trabalhando no Rio de Janeiro como saxofonista e arranjador da hegemônica Rádio Nacional nos anos 1950, que o maestro burilou o som miscigenado que, anos depois, culminaria no álbum 'Coisas', profundamente enraizado nas matrizes rítmicas africanas.

Moacir Santos foi tanto aluno de mestres da música erudita brasileira, como Hans-Joachim Koellreuter e Cesar Guerra-Peixe, quanto professor de ícones como Baden Powell e João Donato, sempre mantendo sua música ancorada no universo afro-brasileiro.

A África forneceu a base para sua expressão artística, mas o Brasil, com gêneros como baião, maracatu e samba, serviu de alicerce para uma ponte rítmica inovadora. Essa estrutura foi amalgamada à liberdade expressiva do jazz e ao rigor erudito, características que moldaram sua vocação para criar arranjos complexos para orquestras e big bands. Embora um patrimônio brasileiro, Moacir Santos é inegavelmente um músico de alcance global.

Fonte: https://g1.globo.com

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