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Ideias

Como Trump está mudando o estilo arquitetônico de Washington

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Shaun Byrnes sempre planejou ser enterrado no Cemitério Nacional de Arlington. Veterano da Guerra do Vietnã, ele tinha esse direito garantido havia anos. Agora, Héstera. “Estou reconsiderando, e meus colegas também”, disse à CBS News. O motivo é um arco. Um arco de 76 metros, mais alto que a maioria dos edifícios de Washington, que o governo de Donald Trump pretende erguer bem em frente à entrada do cemitério, às margens do rio Potomac. Byrnes é um dos três veteranos que processam a Casa Branca para impedir uma obra. Ele retoma a indignação numa frase: “É desrespeitoso.”

O monumento, batizado informalmente pelos críticos de “Arco de Trump”, é apenas o ponto mais visível de um projeto de grande importância. Desde que voltou ao poder, o republicano tem remodelado o coração simbólico dos Estados Unidos com uma intensidade que poucos presidentes adotaram. Anunciou reformas no campo de golfe público às margens do Potomac. Propõe um “Jardim dos Heróis” com 250 esculturas. Demoliu, sem aviso prévio, ala leste da Casa Branca (construída em 1902 e ampliada ao longo do século XX) para erguer em seu lugar um salão de festas de 8.360 metros quadrados. Colocou seu próprio nome no Kennedy Center, decisão depois revertida por um juiz.

O gosto por dourado, que já era conhecido do público desde a época da Trump Tower em Nova York, mudou-se para o interior do Salão Oval, hoje é revestido com molduras sobre molduras em folha de ouro. Para os críticos, é cafonice pura. Para os apoiadores do presidente, é grandiosidade recuperada. A pergunta, no fundo, não é só sobre gosto: é sobre o que uma maiúscula deve representar e a quem cabe decidir isso.

Do neoclássico ao concreto cru

Washington nasceu, no fim do século 18, como um projeto neoclássico. O arquiteto francês Pierre L’Enfant desenhou a cidade em torno de eixos monumentais, cúpulas e colunas que citavam Roma e a Grécia antiga, um vocabulário escolhido deliberadamente para sugerir que a jovem república americana era herdeira das grandes civilizações ocidentais. O Capitólio, a Casa Branca e o Lincoln Memorial segue essa lógica até hoje.