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Hollywood mira faturamento anual de US$ 10 bilhões, maior marca pós-pandemia

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Hollywood vive seu momento mais otimista desde a pandemia de Covid-19. Depois de anos marcados pelo fechamento de salas, pelo crescimento do streaming e pelas greves que paralisaram produções, a indústria cinematográfica voltou a registrar bilheterias robustas e projeta arrecadar cerca de US$ 10 bilhões nos Estados Unidos em 2026, um patamar que não era alcançado desde antes da crise sanitária.

A retomada é impulsionada por uma combinação de fatores: grandes franquias continuam atraindo multidões, produções originais surpreendem nas bilheterias e, principalmente, o público mais jovem voltou a transformar a ida ao cinema em um evento social.

Entre os principais destaques da temporada está A Odisseia, novo épico dirigido por Christopher Nolan (Oppenheimer) e filmado integralmente com câmeras IMAX. A expectativa é tão grande que os ingressos para o fim de semana de estreia foram colocados à venda um ano antes do lançamento e se esgotaram em poucas horas.

Além do filme de Nolan, produções como Super Mario Galaxy: O Filme, maior bilheteria do ano até o momento, Michael, cinebiografia de Michael Jackson, Toy Story 5, O Diabo Veste Prada 2, Devoradores de Estrelas, Backrooms e o terror independente Obsessão figuram entre os maiores sucessos do ano, demonstrando que o público está disposto a prestigiar tanto grandes franquias quanto histórias originais.

Para especialistas do setor, a diversidade de lançamentos foi essencial para reaquecer o mercado. Michael Kustermann, CEO da rede Alamo Drafthouse, afirma que finalmente os cinemas voltaram a oferecer uma programação capaz de atender diferentes perfis de espectadores. “Não basta apenas ter grandes filmes. É preciso oferecer variedade“, destacou.

Geração Z lidera a volta aos cinemas

Ao contrário das previsões feitas durante a ascensão do streaming, os jovens tornaram-se os principais responsáveis pela recuperação das salas de exibição. Pesquisa da Fandango mostra que 87% da Geração Z e 82% dos millennials assistiram a pelo menos um filme no cinema nos últimos doze meses. Entre a Geração X, esse índice cai para 70%, enquanto entre os baby boomers chega a 58%.

Para o diretor Richard Linklater (Antes do Amanhecer), esse comportamento confirma que a experiência coletiva continua sendo um diferencial do cinema. “Os jovens cresceram no TikTok, mas continuam gostando de reunir os amigos para assistir a um filme. A experiência coletiva nunca deixou de fazer sentido“, afirmou.

O ator Colin Farrell (Pinguim) acredita que muitos espectadores também buscam uma pausa do excesso de telas e notificações. “As pessoas estão cansadas de passar todo o tempo em casa. Ir ao cinema voltou a ser um programa especial.”

Produções originais ganham espaço

Embora franquias continuem importantes para o mercado, um dos fenômenos mais comemorados pela indústria é o sucesso de produções consideradas arriscadas. Devoradores de Estrelas, estrelado por Ryan Gosling (Barbie), tornou-se o primeiro grande sucesso da Amazon MGM nos cinemas. Já Obsessão, produzido com orçamento inferior a US$ 1 milhão, ultrapassou US$ 400 milhões em arrecadação mundial.

Outro caso emblemático é Backrooms, dirigido pelo jovem criador de conteúdo Kane Parsons, de apenas 20 anos. O longa se transformou na maior bilheteria da história da distribuidora A24. Executivos acreditam que esses resultados incentivam os estúdios a investir em novos cineastas e em histórias inéditas, reduzindo a dependência de franquias tradicionais.

Nem toda franquia garante sucesso

Se alguns filmes surpreenderam positivamente, outros mostraram que apenas o reconhecimento de uma marca já não é suficiente para atrair o público. Produções como Supergirl, Star Wars: O Mandaloriano e Grogu e Mestres do Universo ficaram abaixo das expectativas, reforçando que o público está mais seletivo e exige qualidade, independentemente da popularidade da franquia.

Recuperação ainda inspira cautela

Apesar dos números positivos, a indústria mantém certa preocupação com o futuro. A possível fusão entre grandes estúdios pode reduzir o número anual de lançamentos, enquanto os exibidores defendem a manutenção de uma janela mínima de 45 dias de exclusividade nos cinemas antes da chegada dos filmes ao streaming.

Mesmo assim, produtores e executivos acreditam que Hollywood finalmente encontrou um novo equilíbrio entre o mercado tradicional e as plataformas digitais. Para a chefe da divisão de cinema da Amazon MGM Studios, Courtenay Valenti, o desafio agora não é apenas recuperar os números do passado, mas adaptar o cinema aos hábitos das novas gerações. “O importante não é repetir exatamente o modelo anterior à pandemia, mas continuar inovando para atender ao público de hoje.”

Fonte: Variety

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