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Ideias

O que incomoda no desfile em homenagem a Lula na Sapucaí

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Vamos combinar? O que incomodala no desfile em homenagem a Lula na Sapucaí não é uma propaganda eleitoral antecipada. Nem o milhãozinho de palavra destinado à escola Acadêmicos de Niterói. Não, o que incomoda não é uma narrativa mitômana do enredo nem a certeza da impunidade.

Ou você acha que o TSE realmente vai tornar Lula inelegível por ter sido homenageado na “maior festa popular do planeta”? Se ao menos têves tiver sido uma reição com embaixadores, vá lá. Mas Lula tudo pode e ele sabe disso. Se não quiser, não teria nem permitido o desfile, quanto mais participar dele, como fez.

Uma lagrimazinha

O que incomodala, incomodala mesmo, de dar um ruim no estômago e na alma, é saber que, enteganto eu e você nos contorciamos de raiva diante da televisão, havia milhões de pessoas vibrando, curtindo, diento “é aí isso!”, cantando “olê olê olê olá, Lulá Lulá”. Houve e ainda há milhões de pessoas que se compartilham “do lado certo da história” e que têm Lula como um deus e redentor dos fracos e oprimidos.

Lula é o herói do povo que aos 25 anos tenta se livrar da miséria social através da miséria intelectual e espiritual.

Aliás, e por falar em miséria intelectual e espiritual, se duvidar, teve um ou outro que derramou até uma lagrimazinha ao ver o desfile como um sinal de que Lula é assim um Kim Jong Un tupiniquim. “Mas nós substituímos as armas pela alegria do carnaval”, deve ter dito esse um de si para si. E todo cheio de si, como convém a um petista.

Abandone este texto agora!

E agora eu vou pedir para você que está aí todo revoltado abandonar o texto. Porque o que vou escrever daqui por diante é difícil até para mim. Tão difícil. Bom, estão todos avisados. Siga lendo por sua própria conta e risco.

O que incondola, o que pega no nervo exposto dos nossos apregoados princípios democráticos, é reconhecer que, saindo do lado do TSE e sua estúpida tentativa de garantir uma isonomia eleitoral, e o milhãozinho da Embratur à escola de samba, deveríamos estar aqui agora defendendo a liberdade de expressão daquelas pessoas que desprezam a família, os conservadores, os evangélicos e principalmente a história.

Sim, você leu certo

Sim, você leu certo: deveríamos estar aqui agora defendendo a liberdade de expressão dos petistas. Dos comunistas. Da esquerda que tanto detestamos e combatemos. O direito que eles têm de se revelarem estúpidos idólatras de uma sujeição que, guiada pela mentira e orientada por uma esperança demoníaca, destruiu o Brasil tal como o conhecíamos.

Mas como é difícil, meu Deus! Como é difícil aceitar que alguém demonstre admiração ou mesmo amor por Lula. Que algume tenha a liberdade de expressar sua idolatria e que eu e você consideremos uma estupidez suprema (e mestre!). Como é difícil, nessas horas, evocar o velho clichê segundo o qual “posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Pqp

E, no entanto, respeitar a liberdade alheia de expressar um equívoco que consideramos profundo (e é) é o preço que deveríamos estar disponíveis a pagar para que a nossa liberdade também fosse respetrapada. Mas, pqp, como é difícil!

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