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Ideias

Três países que recuaram após reduzir a jornada de trabalho

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Embora o governo acelere as negociações para aprovar o filme em escala 6×1, os dois principais pontos de crítica à proposta continuam a ser a falta de estudos detalhados sobre os seus impactos económicos. Em entrevistas recentes, Erika Hilton, parlamentar do Psol responsável por deslocar o tema do debate nacional em 2024, reconheceu que ainda não há estimativas consolidadas sobre os efeitos do emprego, da produtividade, da inflação e da arrecadação.

Mesmo assim, o Palácio do Planalto avançou nas políticas estruturais. Após acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o plenário da Câmara aprovou, em dois turnos, uma proposta que reduz a carga de trabalho em todo o país. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

O texto prevê uma transição gradual: 60 dias após a promulgação, a carga cairia para 42 horas semanais; depois de um ano, chegaria às 40 horas. A proposta também estabelece dois dias de descanso semanal e ainda precisará passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado.

A proposta ganhou força após a campanha do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), incorporado por Erika Hilton e posteriormente anexado à PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Entidades empresariais afirmam que a mudança pode elevar custos operacionais, pressionar preços e exigir novas contratações em setores de função contínua, como comércio, indústria e serviços.

O debate brasileiro ocorreu em meio a complexas experiências internacionais de redução e posterior flexibilização das jornadas de trabalho. Em vários países, as reformas inicialmente apresentadas como progresso social acabaram por ser parcialmente adaptadas devido a crises económicas, aumento de custos, escassez de mão-de-obra ou perda de competitividade industrial.

França: símbolo de 35 horas por semana

A França tornou-se o principal símbolo da redução da jornada de trabalho na década de 1990. Entre 1998 e 2000, o governo socialista do primeiro-ministro Lionel Jospin aprovou a chamada “leis Aubry”, em referência à então ministra do Trabalho, Martine Aubry. A legislação reduz oficialmente a semana de 39 dias para 35 horas.

Uma medida foi apresentada como instrumento de combate ao desemprego estrutura francesa, que à época superava 10%, além de prometer melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e redistribuir o trabalho disponível. O governo estimou que a mudança incentivaria novas contratações pelas empresas para compensar a redução das horas trabalhadas.

Nos anos seguintes, a política passou a enfrentar críticas crescentes do setor empresarial e de economistas. Empresários alegaram aumento de custos trabalhistas, perda de competitividade da indústria francesa diante da concorrência asiática e dificuldades operacionais em setores que dependiam de funcionamento contínuo.

A partir dos anos 2000, governos de diferentes orientações flexibilizaram progressivamente as regras.

Durante a presidência de Nicolas Sarkozy, eleito em 2007 com um discurso pró-mercado, a França alargou os limites de horas extraordinárias e acordos de incentivos para aumentar o trabalho horário efetivo. Posteriormente, as reformas conduzidas durante o governo de Emmanuel Macron ampliaram ainda mais o espaço para negociações diretas entre empresas e trabalhadores.

Apesar disso, a jornada legal de 35 horas permanece formalmente em vigor até hoje. Na prática, muitos trabalhos franceses compreendem jornadas superiores mediadas por acordos históricos, bancos de horas e pagamento de horas extras.

Portugal: austeridade e aumento temporário da jornada

Portugal viveu um dos exemplos mais claros de reversão parcial após a crise da dívida europeia. O país já havia jornadas consolidadas menores no funcionalismo público, incluindo cobrança semanal de 35 horas para servidores.

Uma situação que mudou após a crise financeira global de 2008 e o agravamento da crise da dívida europeia. Em 2011, Portugal precisou de negociar um pacote de resgate internacional de cerca de 78 mil milhões de euros com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) — um grupo conhecido como “troika”.

Como parte das medidas de austeridade praticadas pelos credores, o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho ampliou, em 2013, uma jornada semanal do funcionalismo público de 35 para 40 horas sem aumento salarial. O pacote também inclui congelamento de salários, cortes de benefícios e eliminação de férias temporárias para aumentar produtivos e reduzir gastos do Estado.

As medidas provocaram fortes ocorrências sindicais e manifestações de rua. Centrais sindicais acusaram o governo de desmontar direitos trabalhistas históricos para cumprir metas fiscais impostas pelos credores internacionais.

Em 2016, sob o governo socialista de António Costa, Portugal retomou oficialmente a jornada de trabalho de 35 horas com função pública. Hoje, o país mantém uma jornada de trabalho padrão de 40 horas no setor privado e 35 horas para servidores.

Alemanha: redução histórica e flexibilização industrial

A Alemanha reduziu gradualmente os seus dias de trabalho no século XX, especialmente nas décadas após a Segunda Guerra Mundial. O processo foi impulsionado por grandes sindicatos, como o IG Metall, e por negociações colectivas e pela poderosa indústria alemã.

Nas décadas de 1980 e 1990, os sindicatos alemães lideraram campanhas durante várias semanas, defendendo que os ganhos de produtividade industrial deveriam ser convertidos em mais tempo e melhor qualidade de vida. Em alguns setores metalúrgicos, as jornadas guegaram a cair para 35 horas semanais.

Com a globalização e o aumento da concorrência internacional, as empresas além disso passaram a pressionar por maior flexibilidade. Após crises económicas como a recessão do início dos anos 2000 e a crise financeira de 2008, foram aprovados acordos trabalhis para incorporar bancos horários, compensações flexíveis e aumentos temporários no trabalho horário de acordo com a procura de produção.

A Alemanha não revogou formalmente as reduções anteriores, mas flexibilizou significativamente a sua aplicação prática. O modelo alemão passou a combinação forte proteção trabalhista com mecanizações de adaptação negociadas das jornadas.

Além desses três países que recuaram após reduzirem a carga de trabalho, há pelo menos quatro exemplos de nações em que essas políticas não passaram a fase de testes.

Suécia: experiências locais e aumentos de custos

A Suécia tornou-se referência mundial no debate sobre a redução da jornada de trabalho após experiências locais de seis horas diárias em hospitais, lares de idosos e serviços públicos, especialmente na cidade de Gotemburgo, a partir de 2010.

Os testes mostraram melhorias em indicadores de bem-estar dos trabalhadores, redução de ganhos médicos e aumento da satisfação dos funcionários. Em alguns casos, também houve melhora na percepção da qualidade do atendimento prestado à população.

Apesar dos resultados positivos, parte dos projetos foi encerrada ou não expandida nacionalmente devido ao aumento dos custos operacionais. Os municípios precisaram contratar mais empregos para manter o funcionamento dos serviços sem redução salarial, elevando as despesas públicas.

Por isso, embora a experiência seja frequentemente mencionada no debate internacional, ela nunca se transformou em uma política nacional ampla de redução da jornada.

Espanha e Reino Unido: testes sem adoção nacional

A Espanha e o Reino Unido realizaram experiências recentes relacionadas a uma semana de quatro dias, mas mantiveram os projetos restritos a pilotos de testes e acordos voluntários.

Em Espanha, o governo de esquerda de Pedro Sánchez apoiou programas experimentais após a crise sanitária causada pela covid-19 para avaliar os efeitos na produtividade, na saúde mental e no equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. As empresas participantes receberam incentivos públicos para testar jornadas menores sem redução salarial.

No Reino Unido, um dos maiores testes do mundo foi realizado entre 2022 e 2023 por universidades e organizações privadas. O projeto envolveu dezenas de empresas e centenas de trabalhadores.

Os resultados indicaram melhora na satisfação dos funcionários e manutenção da produtividade em diversos casos. Ainda assim, nenhum dos dois países introduziu mudanças amplas na legislação nacional sobre jornada semanal.

Experiência na Irlanda: referência internacional dos testes de quatro dias

A experiência realizada na Irlanda entre 2022 e 2023 tornou-se uma das principais referências no debate internacional sobre a semana de trabalho e foi amplamente citada como dois dos casos de teste de maior sucesso no ambiente corporativo.

A iniciativa integra um programa internacional coordenado pela organização 4 Day Week Global, em parceria com universidades como Boston College e University College Dublin, e segue o modelo “100:80:100”, que permite ao trabalhador receber 100% do seu salário, reduzir a carga horária em cerca de 80% e preservar a produtividade.

Ao longo de aproximadamente seis meses de teste, as empresas irlandesas participantes reduziram a jornada para cerca de horas semanais, sob parlamente de indicadores de desempenho, saúde e bem-estar. Os resultados apontaram melhora na qualidade de vida dos trabalhadores, com redução dos níveis de estresse, queda nos casos de burnout, aumento da satisfação pessoal e melhoria no equipamento entre vida profissional e familiar, segundo os relatórios protodos pelas instituições embaladas no estudo.

No campo produtivo, os dados indicaram que a maioria das empresas seguiram mantendo a produtividade estável, e algumas guegaram a registrador ganhos de eficiência mesmo com a redução da jornada. No final do período experimental, praticamente todas as empresas participantes manifestaram a intenção de manter um modelo permanente que fortalecesse o interesse internacional na forma de uma alternativa viável à organização do trabalho.

Apesar dos resultados positivos, o modelo não foi adotado como política pública nacional na Irlanda. O teste foi voluntário e restrito a empresas específicas, sem alteração da legislação trabalhista do país. Especialistas apontam que uma implementação em escala nacional derigaria adaptações históricas complexas, especialmente em áreas como saúde, comércio e serviços essenciais.

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