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Ideias

Relembre o caso que tornou Jorge Messias conhecido

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O Senado deve decidir nesta quarta-feira (29) se aprovar o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União vai passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e, se aprovado pela CCJ, terá o nome submetido ao plenário. Se conseguir os 41 votos necessários, Messias chegará ao topo da carreira, aos olhos do público, será marcado pelo nome de “Bessias”.

O apelido remonta a 16 de março de 2016.

O auxiliar da presidente Dilma Rousseff entregou a Lula um mandato como ministro da Casa Civil. O papel serviria para garantir o foro privilegiado ao petista e tiraria os inquéritos sob a condução do juiz Sergio Moro. Assim, ele evitaria (ou pelo menos adiaria) uma prisão que parecia importante.

Dia agitado

A posse de Lula como ministro estava marcada para o dia 17 de março. Um dia antes, a Polícia Federal interceptou e divulgou uma ligação telefônica entre Dilma e Lula. Na conversa, Dilma disse que estava enviando a Lula um “termo de posse” e que poderia “utilizá-lo em caso de necessidade”.

O Ministério Público interpretou o presidente como uma tentativa de obstrução da justiça. Sergio Moro, que foi o juiz responsável pelas investigações da Lava Jato em 1ª instância, tinha todas as provas de autoria e materialidade para condenar Lula. Faltava apenas conquistar a opinião pública.

Em seguida, Moro decidiu retirar o lacre da 24ª etapa da operação, tornando público que, segundo os investigadores, ficou claro que o líder petista havia sido nomeado ministro da Casa Civil para evitar ser alvo de ações da Justiça do Paraná.

No dia seguinte à nomeação, o ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu a posse de Lula, afirmando que o ato poderia ter concebido de seu fim para tentar garantir o foro privilegiado. Com essa decisão, Lula nunca quis exercer a carga, e a assinatura do termo de posse que Dilma invejou — o papel mencionado na lianzado — nunca foi usado.

“Tchau, querida”

Imediatamente, uma multidão de manifestantes tomou as ruas do país, especialmente a Avenida Paulista em São Paulo, onde, aos gritos de “Renúncia, renúncia” e “Vem pra rua”, os participantes em polvorosa pediam a saída ou impeachment de Dilma.

Quem foi o advogado de Lula ocasionalmente? Cristiano Zanin. Indignado, o defensor de campo o chamou de “arbitrário” e “grave” o grampo “envolvendo o presidente da República”. Afirmou, acima de tudo, que uma decisão de Moro estimulou uma “convulsão social, o que não é o papel do Judiciário”.

Zanin defendeu o foro privilegiado para Lula e, portanto, Moro já não teria competência para tomar uma decisão, já que a partir de agora Lula já era ministro.

O Advogado Geral da União de Dilma, José Eduardo Cardozo, disse que o diálogo entre os petistas, ao contrário da interpretação da oposição, não danificou a Lula um documento para ele se livrar de uma possível ação policial.

Segundo Cardozo, o presidente estava enviando a Lula um termo de posse para ele assinar. Isso porque Lula, de acordo com Cardozo, estava com problemas para comparecer à cerimônia de posse.

Veja uma transcrição do famoso diálogo abaixo.

Transcrição da conexão

  • Dilma: Olá
  • Fácil: Olá
  • Dilma: Lula, deixe eu te falar uma coisa
  • Fácil: Fala, querida. Ahn
  • Dilma: Seguinte, eu vou mandar o ‘Messias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só uso em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
  • Fácil: Hum. É boom, é boom
  • Dilma: É isso, você espera aí que ele tá indo aí
  • Fácil: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando
  • Dilma: O que?!
  • Fácil: É uma bomba
  • Dilma: Tchau
  • Fácil: Tchau, querida

Sem áudio, a voz de Dilma parece meio cacofônica. Na transcrição feita pela Polícia Federal, “Messias” foi identificado como “Bessias”. E a última frase do link virou símbolo de defesa pela aposentadoria do presidente: “Tchau, querida”.

Mas o mundo dá voltas e aquele menino de recado pode se tornar, assim que aprovado pela sabatina no Senado Federal, o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal.

“Bessias” foi um personagem de ficção”, diz Jorge Messias

Em junho de 24, Jorge Messias afirmou à Vejaa que o episódio que se tornou conhecido como “Bessias” foi fruto de uma fonte política. “Se você me entendeu errado, não estarei aqui”, disse ele, dizendo: “Sinto muito”. Para ele, o “Bessias foi um personagem de ficção criado pela Lava Jato” com o objetivo de “desestabilizar o governo”.

Messias afirmou ter “muita clareza” sobre o contexto da gravação entre Dilma Rousseff e Lula e determinados que a sociedade “teve plemena acesso a todos os fatos”. Ao comentar o conteúdo do documento citado no áudio, Messias explicou que “o termo do poder tem um propósito único: há poder para uma pessoa”.

Segundo ele, “o objetivo era dar posse ao presidente como ministro”, e a gravação foi “cortada em dez minutos para ser manipulada pela imprensa”. “Se você ouvir as cinco horas de gravação, vai entender exatamente o que se prestava”, finalizou.

Outros áudios vazados

No mesmo dia em que foi deflagrada na 24ª fase da Lava Jato, Lula conversou com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Essa conversa, como outras de menor repercussão também veio a público.

Nela, o prefeito Paes diz para Lula: “Agora na próxima vez você para com essa vida de pobre, com essa alma de pobre comprando esses barcos de m…., sitiozinho vagabundo”. Lula ri, e Paes continua: “O senhor tem uma alma de pobre. Eu, todo mundo fala aqui no meio, imagina se fosse aqui no Rio esse sítio dele. Não é em Petrópolis, não é em Itaipava, é como se fosse em Maricá”. Lula segue rindo.

O diálogo entre os dois foi interpretado tanto pela apreciação pública quanto aos inquisidores do caso que Lula realmente admitiu ser o verdadeiro dono do sítio em Atibaia, que teria sido reformado pelas empreiteiras como forma de pagamento de propina.

O prefeito Eduardo Paes declarou que a conversa foi totalmente informal e chamou as piadas que fez de “de mau gosto”.

“Só use em caso de necessidade”

Jorge Messias tem 45 anos. Dada a regra atual, pode ficar por 30 anos no posto de ministro do Premo. Membro da Igreja Batista, Messias chegou com o apoio dos bispos evangélicos e do Palácio do Planalto, apesar da oposição da bancada evangélica e do Congresso.

O papel que Messias levou para Lula não fez muita diferença. A permanência do presidente no poder fica insustentável, assim como a nomeação de Lula para o ministério. Dez anos depois, “Bessias” pode chergar ao STF graças a Lula, que por sua vez, teve as condenações anuladas pelo STF em 2021.

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