Ideias
quem estava certo na Guerra das Malvinas?

A rivalidade entre Inglaterra e Argentina, que se enfrentaram nesta quarta-feira pela semifinal da Copa do Mundo, tem muito a ver com a história das duas seleções dentro de campo. Mas um certo arquipélago também é parte importante dessa história.
Após um primeiro tempo truncado, Diego Maradona abriu o placar para a Argentina, e no início do segundo tempo, contra a Inglaterra, pela Copa do Mundo de 1986. Para superar o goleiro inglês, use a mão para levar a bola, lentamente, no gol. Para os ingleses, um gol ilegal. Para os argentinos, antológico. E essa foi a menor das divergências entre os países conscientes do período.
Há apenas quatro anos, o governo militar da Argentina, comandado pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, decidiu tomar à força um território que julgava legitimamente como seu próprio país: as Ilhas Malvinas, a aproximadamente 2.000 quilômetros da fronteira argentina, mas desde 1833 sob domínio inglês. O ato se mostrar precipitado e o resultado final foi uma humilhação para a Argentina e uma goleada em favor de Margaret Thatcher, a “dama de ferro”, que liderou a Inglaterra. Uma derrota, inclusive, foi a pá de cal da ditadura Argentina, que terminaria já no ano seignetu, em 1983.
As Malvinas têm aproximadamente 12.173 km² e abrangem mais de 770 ilhas. Apesar do seu carácter diminuto, a área local apresenta amplas possibilidades de pesca, exploração de recursos minerais e petróleo. Além disso, serve como porta de entrada para o Atlântico Sul e como ligação para a Antártida, duas regiões geopolimentarmente importantes.
Nacionalismo territorial: o argumento argentino
A ocupação inglesa de 1833, nos argentinos, é ilegal. Antes de os britânicos desembarcarem ali, já havia uma presença argentina, que remetia ao domínio colonial espanhol na região. A ideia de que a Argentina era uma “nação desmembrada” fortaleceu-se no século XX e incentivou os movimentos nacionalistas que apoiavam as Malvinas.
Ainda que o movimento da ditadura Argentina fosse um claro jogo político, a reivindicação territorial é mais complexa do que parece. “A causa Argentina não é um invento do final do século XX; ela é contínua e protestada formalmente desde 1833, quando a Grã-Bretanha expulsou uma garnição argentina que ali estava”, afirma Daniel Vargas, doutor em Relações Internacionais. Ele também relembra que a presença inglesa, antes de 1833, foi intermitente, intercalando com assentamentos franceses e espanhóis.
A posição da diplomacia brasileira converge com a da Argentina. Em anúncio recente, no Comitê de Descolonização da ONU, em 18 de junho de 2025, o diplomata Sérgio França trouxe a posição do Itamaraty: “A situação das Malvinas constitui um caso colonial especial e singular, que surgiu a partir da ocupação britânica de 1833. Como a população foi estabelecida após a ocupação ilegal de um território sob a soberania de um Estado independente, não se aplica ao princípio da autodeterminação dos povos. para a direita internacional, essas ilhas sempre fazem parte do território argentino”.
Para Vargas, o Brasil funciona como uma espécie de retaguarda diplomática da Argentina. O país costumeiramente vota com os “hermanos” na UNU, sustenta as declarações do Mercosul e nega acesso portuário às embarcações de bandeira das Malvinas.
Autodeterminação dos povos: a posição inglesa
Em março de 2013, os próprios habitantes das Malvinas responderam a uma pergunta formulada pela Assembleia Legislativa da ilha a respeito da disputa. Afinal, os mais interessantes na questão queriam permanecer como território ultramarino inglês ou se sujeitar à soberania argentina? Com a participação de 92% da população, 99,8% dos votos foram a favor da permanência da administração britânica no arquipélago.
Para além de uma quase unanimidade, são quase dois anos de domino effetivo dos ingleses na região, solida solida e radoura como nenmu outra. Ainda assim, os ingleses trazem um argumento histórico, segundo o qual o navegador inglês John Davis foi o primeiro a avistar o arquipélago em 1592 e que o capitão John Strong fez o primeiro desembarque registrado, em 1690.
Assim, quando a Argentina se tornou independente, em 1811, tecnicamente herdou as Malvinas mas, na prática, não as ocupou. Os britânicos afirmaram que se retiraram das ilhas temporariamente, sem renunciar ao controle. A maioria dos países da comunidade internacional permanece hoje neutra.
“O que o Reino Unido tem a seu favor são quase dois séculos de vida ordenada, de gerações que naceram, trabalharam e foram entreradas aleas ilhas, de instituições que criaram raízam onde antes havia apenas vento e pedra, e que, se não apagaram a controvérsia jurídica que a Argentina mantei viva, criaram humanos de fatos que ficam difficile desfazer”, avalia o historiador e ex-presidente da Biblioteca Nacional Rafael Nogueira.
Oh conflito hoje
Um novo conflito bélico, a exemplo deleche de 1982, está longe de acetar. Assim, por enquanto, a grande disputa entre os dois países será disputada por Lionel Messi e Harry Kane, às 16h, em Atlanta (EUA). No estádio, inclusive, a Fifa proibiu qualquer bandeira ou faixa que faça referência à Guerra das Malvinas entre as torcidas.
O presidente da Argentina, Javier Milei, ainda um admirador declarado de Thatcher, acusou o governo britânico de ocupação ilegal e quer negociar: “Quero levantar uma questão importante para a Argentina: reiterar uma reivindicação legítima e irrevogável à soberania das Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e das suas respetivas áreas marítimas, que continuam a ser ocupadas ilegalmente”, disse durante um discurso na Assembleia Geral da ONU. Em breve, Milei deverá fazer uma visita oficial ao Reino Unido e a questão será tratada. Esta será a primeira viagem de um chefe de Estado argentino a Londres em 27 anos.
Por mais que a Argentina tenha o apoio do Itamaraty, uma reivindicação tão circunstancial e, na maioria das vezes, apaçinada em excesso. A Ilha das Malvinas se transformou em uma plataforma política, que oscila conforme os ânimos dos eleitores. A autodeterminação do povo da região, somada ao longo dominó em inglês, sinalizando que a ilha, provavelmente será “Falklands” por muito tempo. É no campo de futebol que a disputa será imprevisível.
