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Paulo Ricardo, Seu Jorge e Trio Mocotó Emocionam em ‘Sangue Bom’, Versão de Marvin Gaye

Lançado em maio de 1971, o álbum “What’s going on” de Marvin Gaye (1939 – 1984) tornou-se uma pedra fundamental na soul music dos anos 1970. O cantor e compositor norte-americano conseguiu capturar as tensões sociais dos Estados Unidos, estabelecendo um marco imediato em sua discografia.
A faixa-título, “What’s going on”, já havia gerado grande repercussão ao ser lançada como single em 10 de janeiro de 1971, antecedendo o LP. Criada em parceria com Al Cleveland (1930 – 1996) e Renaldo Obie Benson (1936 – 2005), a canção rapidamente se transformou em um hino contra a Guerra do Vietnã e o preconceito racial nos EUA, expressando a ansiedade e a efervescência de um país.
O Renascimento de um Hino em Português
Cinquenta e cinco anos após sua estreia, esta música de forte apelo social ganha uma nova vida na voz de Paulo Ricardo. A versão em português, intitulada “Sangue Bom”, foi lançada como single em 23 de setembro, dia em que o cantor, compositor e músico carioca completou 64 anos.
A letra de Paulo Ricardo, avalizada e autorizada pelos herdeiros de Marvin Gaye, aborda a violência contra mulheres e crianças em um contexto de intolerância e radicalismo. A releitura consegue captar a essência dos versos originais de “What’s going on” de forma contemporânea, sem ser uma tradução literal.
A Força das Colaborações Musicais
Embora Paulo Ricardo seja amplamente conhecido por sua identidade no pop rock, consolidada como vocalista da banda RPM nos anos 1980, ele optou por se cercar de artistas com tradição no universo do soul brasileiro para este projeto.
A presença de Seu Jorge é crucial, pois sua voz aveludada, impregnada de ancestralidade afro-brasileira, confere uma legitimidade notável ao single. A capa da obra, criada por Speto, artista visual com forte ligação ao grafite e à cultura urbana, complementa a proposta.
Seu Jorge, um ícone do samba-rock – gênero formatado pelo Trio Mocotó –, trouxe consigo a expertise de dois ritmistas originais do grupo: João Parahyba (timbales) e Nereu Gargalo (pandeiro). A gravação de “Sangue Bom” foi realizada sob a produção musical do guitarrista Waldo Denuzzo.
Análise da Sonoridade e Produção
Com sopros proeminentes, a sonoridade de “Sangue Bom” exala um calor característico. No entanto, o groove da gravação poderia ter sido mais evidenciado na mixagem, o que aprofundaria a intenção de transpor o clássico de Marvin Gaye para a riqueza rítmica brasileira.
Apesar desse detalhe, “Sangue Bom” se sobressai entre os lançamentos fonográficos recentes de Paulo Ricardo, revelando um apuro perceptível desde a concepção visual da capa. A colaboração de Seu Jorge e dos músicos do Trio Mocotó foi decisiva para que o cantor pudesse reinterpretar o hino de Marvin Gaye em uma produção cuidadosa, evitando com sucesso o risco de diluir a essência de um clássico.
Fonte: https://g1.globo.com
