Música
Os 10 discos surpreendentes da coleção particular de Elvis Presley, em Graceland

A coleção pessoal de Elvis Presley, preservada até hoje em Graceland, sua casa em Memphis, reúne mais de 2 mil singles e álbuns que vão muito além do rock ’n’ roll que o consagrou. Gospel, country, soul, jazz e música clássica dividem espaço nas estantes do artista — mas é justamente nos cantos menos óbvios desse acervo que surgem as escolhas mais curiosas, revelando um colecionador de ouvido atento e de uma curiosidade surpreendentemente ampla.
A seguir, confira dez discos que fogem do imaginário comum sobre o que Elvis ouvia em casa — e que ajudam a mostrar como o Rei do Rock tinha um repertório musical e cultural muito mais diverso do que a própria imagem sugere.
10. Cheech & Chong — álbum de comédia
Elvis gostava de rir, e seu acervo confirma isso com um disco de comédia da dupla Cheech & Chong, conhecida pelo humor irreverente ligado à contracultura americana dos anos 1970. Encontrar esse álbum ao lado de discos de gospel e rock revela um lado mais leve e descontraído do artista, distante da aura solene que muitas vezes acompanha sua figura pública.
9. Discursos de Martin Luther King Jr.
Entre os itens mais inesperados da coleção, há diversos discos com gravações de discursos do líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. A presença desse material no acervo pessoal de Elvis sugere interesse por retórica, história e pelos movimentos sociais que atravessaram os Estados Unidos durante sua vida — um contraponto à narrativa simplificada que, por vezes, reduz Elvis a um símbolo apenas musical de sua época.
8. Bill Cosby — disco de comédia
Outro registro de humor no acervo é um disco de comédia de Bill Cosby, comediante nas décadas de 1960 e 1970, período em que construiu a imagem de comediante familiar que o consagraria décadas depois com a série The Cosby Show — antes de, anos mais tarde, se envolver num dos escândalos mais graves de Hollywood. A presença do disco no acervo de Elvis — registrado décadas antes das denúncias se tornarem públicas — é hoje um retrato do quanto a imagem de Cosby mudou drasticamente com o tempo.
7. The Partridge Family
A presença de álbuns de The Partridge Family, grupo fictício de uma série de TV americana voltada ao público familiar, é um dos detalhes mais inusitados da coleção. O fenômeno, que misturava sitcom e música pop, conquistou o público adolescente da época — e, ao que tudo indica, também despertou a curiosidade de Elvis, mesmo sendo bem distante do gênero que ele próprio ajudou a definir.
6. West Side Story — trilha sonora
A trilha sonora do musical da Broadway West Side Story também integra o acervo de Elvis. A obra, que reinterpreta Romeu e Julieta nas ruas de Nova York dos anos 1950, combina jazz, música clássica e dança de forma revolucionária para a época.
5. Sinfonias de Mozart e Brahms
Entre rock, soul e gospel, Elvis também guardava registros de sinfonias dos compositores Wolfgang Amadeus Mozart e Johannes Brahms. A música erudita europeia no acervo de um dos maiores ícones do rock americano é, talvez, um dos contrastes mais marcantes da coleção — indício de que sua curiosidade musical não reconhecia fronteiras de gênero ou de época.
4. Charles Boyer — “Where Does Love Go?”
Um dos itens mais raros da coleção é o único álbum gravado pelo ator Charles Boyer, conhecido por papéis em filmes como À Meia-Luz (1944) e Love Affair – Segredos do Coração (1944). “Where Does Love Go?” é uma curiosidade na própria trajetória de Boyer — um ator que se aventurou pontualmente na música.
3. Jackson 5 — álbum de Natal
Entre os discos natalinos do acervo, o álbum de Natal do Jackson 5 chama atenção por unir a tradição sazonal à sonoridade soul e R&B do grupo liderado por um jovem Michael Jackson. Faixas como “Have Yourself a Merry Little Christmas” e “Up on the Housetop” mostram como Elvis apreciava versões variadas de clássicos de fim de ano, vindas de artistas de gerações e estilos muito diferentes dos seus primeiros ídolos musicais.
2. Santana
A presença de Santana é outro sinal da abertura musical de Elvis a sonoridades fora do eixo tradicional do rock americano. A fusão de rock, blues e ritmos latinos que marcou a carreira de Carlos Santana era, no início dos anos 1970, uma das vertentes mais inovadoras da música popular — e Elvis, claramente, estava atento a ela.
1. Big Mama Thornton — “Hound Dog”
Talvez o item mais simbólico de toda a coleção seja a versão original de “Hound Dog”, gravada por Big Mama Thornton em 1952 — quatro anos antes de Elvis lançar sua própria versão, que se tornaria um dos maiores sucessos de sua carreira.
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