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O Preço da Farsa Online: Especialistas Avaliam o Cansaço do Público com Estratégias Enganosas nas Redes Sociais

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O recente reality show de Viih Tube, "As Patroas", gerou um debate significativo sobre a ética do engajamento nas redes sociais. Inicialmente divulgado como uma competição por um prêmio de R$ 20 mil, o programa revelou-se uma encenação para conscientizar sobre a escala de trabalho 6×1, levando a críticas e a uma investigação por parte do Ministério Público do Trabalho (MPT). Este caso exemplifica a crescente controvérsia em torno de estratégias que utilizam o engano para captar a atenção do público digital.

A Estratégia do Engano e Seus Impactos

Esconder informações, enganar ou mentir para atrair atenção nas plataformas digitais não é uma tática nova, mas sua eficácia tem diminuído. O impacto dessas artimanhas na reputação de influenciadores e artistas, na relação entre mentiras e lucro, e as possíveis implicações legais são temas de análise por especialistas.

O Fenômeno do "Rage Bait" e o Lucro Gerado

Influenciadores e artistas que atuam nas redes sociais monetizam seu conteúdo, direta ou indiretamente, seja no curto ou longo prazo, através do acúmulo de seguidores. Priscila Milk, especialista em redes sociais e professora da ESPM, explica que algoritmos não diferenciam o teor dos comentários, fazendo com que conteúdos intencionalmente polêmicos inflem métricas e gerem receita. Esse fenômeno é conhecido como 'rage bait' – engajamento pela raiva ou controvérsia, que monetiza a interação.

No caso de Viih Tube, o marido Eliezer, ao tentar se defender das acusações sobre o retorno financeiro, demonstrou consciência de que tal tipo de conteúdo gera ganhos. A estratégia, portanto, muitas vezes visa não apenas a visibilidade, mas o benefício econômico direto advindo do volume de interações.

Números Inflados vs. A Confiança do Público

Apesar do foco em métricas, algumas marcas ainda priorizam os números de engajamento. Priscila Milk observa que muitos influenciadores experimentam picos de interação e ganham seguidores durante momentos de polêmica, utilizando esses relatórios inflados para fechar futuras parcerias comerciais. Contudo, essa engenharia financeira baseada em controvérsias enfrenta um público cada vez mais maduro e cético.

Mariana Munis, professora de Marketing e Comportamento do Consumidor na Universidade Mackenzie, ressalta que o amadurecimento do público online exige uma postura diferente dos criadores de conteúdo. Fórmulas de engajamento baseadas em truques, que eram comuns no início da década de 2010, hoje são percebidas como tentativas de enganar e causam exaustão, levando à perda de confiança por parte da audiência.

Engano Estratégico vs. Quebra de Confiança

Nem sempre o marketing que utiliza o engano para atrair atenção é prejudicial. A estratégia, quando bem executada e com o tom certo, pode ser elogiada. Priscila Milk cita como exemplo a campanha de Luan Santana com a Snickers, onde o artista anunciou falsamente sua mudança para o heavy metal, revelando a farsa no dia seguinte como parte do slogan da marca.

A principal diferença entre ações comerciais com revelação explícita e dinâmicas de engano no dia a dia reside na quebra de confiança. No exemplo de Luan Santana, a ação entrou no campo do absurdo e foi revelada em um período de tempo razoável, sem afetar diretamente o público, sendo considerada uma estratégia que faz sentido. Contudo, quando a mentira permeia a rotina do conteúdo e afeta a percepção da realidade, o elo de confiança com a audiência é fragilizado.

Fonte: https://g1.globo.com

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