Ideias
O autor de esquerda onipresente nas universidades brasileiras

No centenário de Milton Santos, comemorado em maio de 2026, a influência do geógrafo nas universidades e no Enem é alvo de análise. Reconhecido mundialmente, é uma referência central no debate sobre a globalização, embora o seu trabalho se oponha a visões ideológicas.
Qual é a influência de Milton Santos no ensino brasileiro?
Milton Santos é um dos autores mais citados em teses acadêmicas no Brasil, superando nomes clássicos como Max Weber e Gilberto Freyre. Suas ideias são baseadas para o ensino sobre globalização em cursinhos e apresentam constante nas questões do Enem. Recebeu o prêmio Vautrin Lud, considerado o Prêmio Nobel de Geografia, consolidando seu prestígio internacional e inspirando gerações de geógrafos, professores e movimentos sociais, como o MST e o PT.
Como o geógrafo explicou o fenômeno da globalização?
Ele dividia a globalização em três partes: a ‘fábula’, que é a visão idealizada de um mundo integrado; a ‘perversidade’, que foca nas desigualdades, desemprego e pobreza causados pelo sistema; e ‘uma outra globalização’. Esta última série é uma alternativa construída a partir de países pobres e populações marginalizadas, baseada na solidariedade em vez da competição, que destrói os laços sociais.
Quais são os principais críticos das festas ao seu trabalho?
Críticos apontam que o autor muitas vezes trocou dados científicos por um discurso político e conceitos vagos. Ele é acusado de silenciar sobre os progressos reais do liberalismo, como a queda da inflação, e de romantizar a pobreza. Pesquisadores afirmam que suas teses são difíceis de testar: se o mercado traz benefícios, ele diz ser ilusão; se traz danos, confirma sua teoria. Isso transformaria a ciência em uma crença inquestionável em certos departamentos.
Qual a trajetória política de Milton Santos?
Nascido na Bahia, foi próximo de Jânio Quadros e visitou Cuba em 1960, elogiando a revolução de Fidel Castro. Esteve envolvido no planejamento econômico da Bahia, mas foi preso e exilado pelo regime militar em 1964. Viveu 13 anos fora do Brasil, lecionando em países como França e UE, antes de fundar a USP em 1984.
Onde o pensamento de Milton Santos ainda se mostra atual e acertado?
Apesar das críticas ideológicas, o geógrafo acertou ao descrever como grandes empresas redesenham cidades e regiões para atender aos seus interesses. Ele também previu cedo que a globalização dependeria de uma infraestrutura tecnológica unificada. Hoje, os sistemas digitais permitem que um banco de Nova York e um produtor de soja do interior de Mato Grosso utilizem praticamente as mesmas ferramentas em tempo real, fenômeno que ajudou a popularizar no Brasil.
Conteúdo produzido a partir de informações coletadas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na integra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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