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Música Brasileira: Uma Análise Geracional sobre Qualidade, Cultura e Gosto no Entretenimento Nacional

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A discussão sobre a qualidade da música brasileira contemporânea, frequentemente comparada à de épocas passadas, evoca argumentos passionais. Contudo, sentenças definitivas sobre sua excelência ou declínio, muitas vezes, revelam visões egocentradas e uma certa arrogância.

A questão central sobre a evolução da música nacional — se ela melhorou, piorou ou manteve sua essência — depende intrinsecamente da perspectiva geracional. Tal como expressa a filosofia de que 'tudo muda o tempo todo', a cena musical do Brasil reflete essa constante transformação, tornando a nostalgia um refúgio para quem resiste a essa dinâmica.

Perspectivas da MPB Clássica

Aqueles que cresceram imersos na Música Popular Brasileira (MPB) dos anos 1960 e 1970, com ícones como Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Gilberto Gil e Milton Nascimento, frequentemente consideram essa era inigualável. Essa percepção é reforçada pela presença de vozes femininas potentes como Clara Nunes, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia e Nana Caymmi, que solidificaram o alto quilate da produção musical da época.

A conjunção de talentos em composição e interpretação nessa geração clássica da MPB é notável. Consequentemente, para essa parcela do público, a sonoridade e o estilo de artistas contemporâneas como Anitta ou Marina Sena, embora arrastem multidões, podem parecer menos expressivos em comparação.

Novas Gerações e a Subjetividade do Gosto Musical

A subjetividade permeia a avaliação musical. Quem se formou ouvindo artistas como Anitta e Marina Sena possui um referencial distinto, que não se alinha necessariamente com a MPB clássica. Essa diversidade de referências valida a inexistência de uma resposta única para a qualidade da música atual, pois cada geração estabelece seus próprios padrões e encontra sua voz, resultando em múltiplas percepções válidas.

É inegável o impacto emocional que artistas como Liniker provocam em seu público contemporâneo, equiparável à emoção gerada por Gal Costa em sua época, ou por Dalva de Oliveira nos tempos áureos do rádio. A capacidade de gerar conexão e comoção transcende épocas e estilos, evidenciando que a música, em suas diversas manifestações, sempre encontra eco em seu tempo.

A máxima de Belchior, 'o novo sempre vem', sublinha a incessante evolução artística. É falho e prepotente tanto declarar o novo como inerentemente superior, quanto idealizar o antigo como a única referência de qualidade. Padrões estéticos e referenciais são fluidos, moldados pelo tempo e pela vivência individual, levando cada um a valorizar aquilo que ressoa com sua própria experiência.

A Coexistência de Gêneros e o Respeito às Preferências

A contemporaneidade permite que a importância de um artista como Liniker para seu público seja tão relevante quanto a de Maria Bethânia para o seu, sem hierarquias. O cenário atual demonstra uma salutar interseção de públicos, onde a apreciação de gêneros e épocas distintas coexiste harmoniosamente. É perfeitamente plausível e enriquecedor transitar entre artistas como Os Garotin e Milton Nascimento, ou Criolo, João Bosco e Tim Bernardes, criando playlists que refletem a diversidade musical brasileira.

Em última análise, a música é uma questão de gosto pessoal. Embora o gosto possa ser debatido, o respeito às preferências alheias é fundamental, evitando que uma geração desqualifique as escolhas e a sensibilidade sonora de outra.

Fonte: https://g1.globo.com

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