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Marina Lima Celebra 70 Anos: Um Legado Moderno Entre Luto e Afirmação Artística em Show

Marina Lima apresentou o aguardado show 'Marina Lima 70' no Rio de Janeiro, um mês após sua estreia em Porto Alegre. A performance na Fundição Progresso, em 25 de abril, celebrou os 70 anos da artista diante de uma plateia calorosa, incluindo nomes como Caetano Veloso e Ney Matogrosso. O roteiro da turnê, que gerou expectativa, não se esquivou das composições de seu 18º álbum de estúdio, 'Ópera Grunkie' (2026), apesar das controvérsias.
O Álbum 'Ópera Grunkie' e o Contexto Emocional
Embora 'Ópera Grunkie' não tenha sido a tônica exclusiva do espetáculo, faixas como 'Só que não', 'Olívia' e 'Samba pra diversidade' foram apresentadas, esta última acompanhada pela exibição de uma bandeira multicolorida no telão. A canção 'Meu poeta' destacou-se por sua carga emocional, funcionando como um tributo ao irmão e parceiro letrista de Marina, Antonio Cicero (1945 – 2024), cuja perda recente permeia o álbum. Cicero, poeta de escrita moderna, foi fundamental na renovação da lírica pop rock nacional nos anos 80, em sintonia com contemporâneos como Tavinho Paes.
A recepção às novas composições de 'Ópera Grunkie' mostrou-se inicialmente mais contida em comparação com o cancioneiro pregresso de Marina. Contudo, essa disparidade foi em parte justificada pelo ineditismo das faixas para o público, sem comprometer a atmosfera charmosa e envolvente do show.
A Afirmação de uma Carreira Singular e Perenemente Moderna
O show 'Marina Lima 70' consolidou a assinatura singular de uma artista que se mantém modernamente autoral. Marina, que também se destacou como instrumentista em um cenário dominado por homens no rock, iniciou a apresentação empunhando uma guitarra e cantando 'Pra começar' (1986) na Fundição Progresso. Esta imagem resgatou a icônica foto da contracapa de seu primeiro álbum, 'Simples como fogo' (1979), simbolizando a coerência de sua trajetória de 50 anos, iniciada em 1976 como compositora, quando Maria Bethânia gravou 'Alma Caiada'.
Aos 70 anos, completados em setembro de 2025, Marina Lima demonstrou uma presença de palco cativante, alternando figurinos e interagindo com a bailarina e coreógrafa Carol Rangel em um momento sensual, porém sem apelações. Sua postura reitera a identidade de uma cantora que, desde os anos 80, abordou explicitamente a sexualidade no pop brasileiro.
Repertório Atemporal e Novidades no Setlist
Com uma banda formada por Arthur Kunz (bateria e programações), Carol Mathias (baixo, teclados, sintetizadores e vocais), Giovanni Bizzotto (violão e vocal) e Gustavo Corsi (guitarra), Marina Lima celebrou a atemporalidade de sua obra. Sua autoridade artística é tamanha que ela se apropria com personalidade de sucessos alheios, como 'À francesa' (Claudio Zoli e Antonio Cicero, 1989), que salvou o álbum 'Próxima Parada' (1989), e 'Pessoa' (Dalto e Claudio Rabello, 1983), canção incorporada dez anos após seu lançamento original.
Entre as novidades do repertório, Marina interpretou a irresistível 'Quem sabe isso quer dizer amor' (Lô Borges e Marcio Borges, 2002), brevemente entoada após a banda iniciar a performance. Outro destaque foi 'Condição' (Lulu Santos, 1986), um funk lançado há 40 anos, cantado na íntegra. Marina conectou essa faixa de forma perspicaz com 'Criança' (1991), sua própria composição com influências da black music norte-americana, originalmente apresentada em seu álbum mais coeso e refinado.
Fonte: https://g1.globo.com
