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Gilsons: A Evolução Musical e a Conexão com o Público na Turnê ‘Eu Vejo Luz’

A estreia carioca da turnê 'Eu vejo luz' dos Gilsons, realizada no Vivo Rio, demonstrou a forte conexão do trio com seu público. O espetáculo celebrou o lançamento do segundo álbum de estúdio, intitulado 'Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão' (2026), que teve todas as suas dez faixas apresentadas ao vivo, reafirmando a nova fase da banda.
A Ousadia e o Refinamento Sonoro da Banda
Francisco Gil, João Gil e José Gil exibiram um som mais refinado, transitando entre lirismo e leveza, marcando uma evolução notável em relação ao álbum de estreia 'Pra gente acordar' (2022). Este trabalho anterior catapultou os Gilsons à popularidade, com uma sonoridade contemporânea enraizada na música pop afro-baiana. A coragem de valorizar o repertório novo, mesmo com a maior ressonância das músicas antigas, foi evidente. O espetáculo também se destacou pelo apuro visual e pela iluminação, que refletiram a maturidade artística do grupo.
Celebrando Sucessos e a Comunhão com a Plateia
A interação com a plateia foi um ponto alto. Hits como 'Love Love', um dos primeiros singles da banda, geraram um coro espontâneo e caloroso, exemplificando a comunhão do trio com o público jovem que lotou o Vivo Rio. Mesmo guardando o grande sucesso 'Várias Queixas' (regravação do Olodum) para o bis, a energia e a participação do público foram constantes, reforçando a conexão emocional construída ao longo dos anos.
Identidade Musical e Formação Instrumental
Os Gilsons consolidam sua identidade, caminhando com independência artística, sem depender da influência do patriarca Gilberto Gil, que prestigiou o evento. O trio, composto por João Gil (neto de Gilberto Gil), José Gil (filho de Gilberto Gil) e Fran Gil (neto de Gil e filho de Preta Gil), se apresenta cantando e tocando violão e/ou guitarra. Eles são ladeados por uma big band, com destaque para os percussionistas Luizinho do Jêje e Ricardo Guerra, cujos atabaques são fundamentais na arquitetura sonora da banda, tanto em estúdio quanto ao vivo.
A Rica Harmonia entre Álbuns e Singles
O roteiro do show 'Eu vejo luz' demonstrou a maestria dos Gilsons em harmonizar repertórios de seus dois álbuns de estúdio e singles avulsos. Músicas como 'Eu vejo lá' exibiram a cadência do ijexá, enquanto 'Desejo' explorou o canto em falsete. A leveza romântica permeou 'Vento alecrim' e 'Bem me quer', esta última evocando o espírito pop do álbum anterior. Embora 'Minha flor', obra-prima do segundo álbum, tenha perdido o lirismo camerístico da gravação original com Caetano, Moreno e Tom Veloso, o canto em 'Algum ritmo' (parceria com Jovem Dionísio) provocou um efeito catártico na audiência.
O repertório autoral dos Gilsons ressoa como um bálsamo no cenário pop atual, destacando-se pela originalidade e profundidade. A turnê 'Eu vejo luz' não apenas corrobora o progresso artístico do trio, mas também aponta para um caminho longo e promissor na música brasileira contemporânea.
Fonte: https://g1.globo.com
