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Fresno e o Rio Grande do Sul: Lucas Silveira Mapeia Conexões e Debate Inteligência Artificial na Música

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A banda Fresno, com mais de 20 anos de carreira, retorna a Porto Alegre para um show gratuito no Parque da Redenção. Antes da apresentação, que celebra o lançamento de seu 11º álbum, "Carta de Adeus", o vocalista Lucas Silveira conversou sobre as profundas raízes do grupo no Rio Grande do Sul e sua visão crítica sobre a inteligência artificial na criação musical.

A Profunda Conexão com o Rio Grande do Sul

Para Lucas Silveira, a relação da Fresno com Porto Alegre é intrínseca à identidade da banda. A capital gaúcha não apenas figura em letras de suas músicas, mas também nomeia um de seus álbuns, "Parque da Redenção", local simbólico onde o vocalista, antes da fama, distribuía flyers de shows. A banda faz questão de que seu nome sempre carregue um pouco da cidade.

A geografia musical da Fresno se estende para além de Porto Alegre. Silveira afirma ser possível traçar um 'mapa do Rio Grande do Sul' com as referências presentes nas canções. Ele cita os municípios litorâneos de Mostardas e Pinhal, locais de suas raízes familiares, que inspiraram trechos como em "O Resto é Nada Mais" (do álbum "Infinitos", 2012). Esses locais ermos e de beleza singular são fontes de reflexão e solitude para o artista.

As Origens da Fresno e a Evolução da Carreira

A origem da banda tem endereço preciso: um quarto nos fundos de uma casa no 4º Distrito de Porto Alegre, na divisa dos bairros Navegantes e São Geraldo. Apesar da casa ter sido demolida, o vocalista busca revisitar essas ruas para 'resetar a mente'. Grande parte dos três primeiros discos foi composta nesse local, que moldou a essência do grupo.

Os primeiros palcos da Fresno não eram os grandes ginásios, mas espaços icônicos da cena underground gaúcha, como o Garagem Hermética e o Bar do João. Essa experiência inicial consolidou uma ética de trabalho e criação que a banda mantém até hoje. Lucas Silveira destaca que a Fresno foi pioneira em perceber o poder da internet como ferramenta de divulgação, o que foi crucial para o sucesso em seus primórdios.

O Retorno ao Parque da Redenção: Um Ciclo Fechado

O show gratuito no Parque da Redenção, parte da Semana S, representa um fechamento de ciclo significativo. Para Silveira, é um encontro da Fresno do início, representada por sua versão de 18 anos distribuindo flyers, com a banda consolidada de agora, unindo o lapso temporal e a evolução artística em um mesmo palco simbólico.

"Carta de Adeus" e a Perspectiva sobre a Inteligência Artificial

Com o novo disco "Carta de Adeus", a Fresno aborda uma questão contemporânea: o impacto da inteligência artificial na criação musical. Lucas Silveira expressa preocupação com o que se perde quando a composição é delegada a algoritmos, ressaltando que, embora uma IA possa gerar algo que 'pareça' uma música da Fresno, falta a essência humana.

Para o vocalista, a conexão entre a banda e os fãs reside na autenticidade das experiências reais que fundamentam cada canção. A mente por trás de uma música gerada por IA não viveu as experiências, não cometeu os erros, nem sentiu as emoções que um compositor humano vive. Ele define essa criação artificial como 'vazia'.

Silveira admite a utilidade da IA para certos propósitos, mas traça uma linha clara: a Fresno não cria música para preencher tempo, mas para expressar-se de forma profunda e buscar identificação genuína com o público. Essa autenticidade e a partilha de vivências são a base da relação entre a banda e seus admiradores.

Fonte: https://g1.globo.com

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