Celebridade
Fernanda Lima admite que corpo não voltou ao que era e psicóloga defende a maternidade real

apresentadora Fernanda Lima, aos 48 anos, trouxe à tona um tema que atinge milhares de mulheres: a dificuldade de aceitar as mudanças no corpo após a maternidade. Em um episódio recente de seu podcast, a mãe de João, Francisco e Maria Manoela desabafou sobre sua relação com o espelho. “Para mim, o que pega mais é a barriga que pariu, esbagaçou e não voltou”, confessou. Mesmo com acesso a tratamentos estéticos, Fernanda admitiu sentir-se “vítima do sistema” de pressão estética no Brasil.
Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, esse sentimento de inadequação é potencializado pela imagem pública das mulheres. “Muitas mulheres podem se sentir pressionadas a recuperar o corpo, a estar com o corpo como era antes da gestação. Principalmente quando elas trabalham muito com a sua imagem pessoal”, explica a especialista.
O peso do cortisol e a importância da rede de apoio
A recuperação física após um parto não depende apenas de vontade ou exercícios. Segundo Schiavo, o fator biológico desempenha um papel crucial que muitas vezes é ignorado nas discussões estéticas.
“Quando você vive o momento do pós-parto, em que precisa estar amamentando, há um aumento de cortisol, e o cortisol mexe também com o peso da mulher, influenciando na recuperação desse corpo por conta do estresse do pós-parto. É uma pressão entre ser uma boa mãe, cuidar dessa criança, dedicar-se a ela e, ao mesmo tempo, ter que arrumar tempo e condições para conseguir voltar ao corpo de antes.”
A psicóloga destaca que a diferença entre a superação leve e o adoecimento mental reside, frequentemente, na condição financeira e social da mãe. Para quem tem recursos, atividades como ir à academia ou realizar procedimentos estéticos tornam-se “válvulas de escape” seguras. No entanto, para a maioria das mulheres, a falta de uma rede de apoio confiável torna essas metas inalcançáveis, gerando ansiedade e culpa.
O papel das famosas e a maternidade Real
Quando figuras públicas como Fernanda Lima expõem suas fraquezas, o impacto nas redes sociais é imediato. Rafaela Schiavo acredita que essas falas servem como um ponto de apoio necessário para evitar imagens irreais.
“Trazer essa situação de forma mais real e pé no chão promove uma discussão e uma reflexão sobre o assunto. Isso facilita para que outras pessoas se sintam menos pressionadas, ou pelo menos menos sozinhas”, pontua a psicóloga. Ela alerta que, sem os bastidores da realidade — como a presença de nutricionistas, personal trainers e cuidadores —, a exibição de corpos “perfeitos” logo após o parto pode ser perigosa para mulheres vulneráveis.
O exercício físico não é tudo
Embora a atividade física ajude a regular o cortisol e atue como um fator de proteção contra a depressão pós-parto, Schiavo ressalta que ele não substitui o acompanhamento profissional.
“É importante que essa mulher passe também por um psicólogo durante o pós-parto, para que seja feita uma avaliação. Se ela já vinha da gestação com problemas de saúde mental, o exercício físico sozinho não garante estabilidade emocional.”
A recomendação da especialista é clara: o foco deve ser o respeito ao próprio ritmo orgânico. “Cada organismo vai reagir de uma forma. Quando o bebê nasce, esses órgãos vão voltando aos poucos para o lugar. Isso depende de cada corpo”, explica.
Dicas para lidar com a pressão no pós-parto:
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Reconheça sua realidade: Evite comparações com influenciadoras que possuem “arsenais” de profissionais.
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Busque apoio profissional: Se o incômodo com o corpo gerar culpa, ansiedade ou insegurança, procure um psicólogo perinatal.
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Priorize o bebê e você: O período exige dedicação ao recém-nascido e descanso; não assuma a cobrança de ser “a mãe do corpo perfeito” se isso gerar sobrecarga.
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Planeje, mas seja flexível: Planos feitos na gestação podem mudar no “campo de batalha” do pós-parto, e está tudo bem.
“É fundamental que esses pais façam acompanhamento psicológico para fortalecer a autoestima e desenvolver uma relação mais saudável com o próprio filho”, conclui Rafaela Schiavo.
