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Entre Luzes e Sombras: ‘Gal – O Musical’ Celebra o Legado de uma Voz Única

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Em cartaz no 033 Rooftop, em São Paulo (SP), 'Gal – O Musical' oferece uma imersão na trajetória de Maria da Graça Costa Penna Burgos, a imortal Gal Costa (1945 – 2022). Sob a interpretação de Walerie Gondim, e com dramaturgia de Marilia Toledo e Emílio Boechat, a produção dirigida por Toledo e Kleber Montanheiro, com cotação de quatro estrelas, explora as nuances da artista entre o brilho dos palcos e as complexidades de sua vida pessoal até 10 de maio.

A Complexa Dualidade da Artista

A encenação de 150 minutos é pontuada por passagens ritualísticas, onde três entidades – Ereskigal, Gilgamesh e Inana (interpretadas por Badu Morais, Marco França e Fernanda Ventura) – manifestam a dualidade existencial de Gal. Esse conflito de gêneros, representando o masculino e o feminino, reflete as contradições que marcaram os 77 anos da cantora, explorando os contrastes entre sua persona pública e uma vida privada nem sempre harmoniosa. Criada pela mãe, Mariah Costa Penna (1905 – 1993), após o abandono paterno (Arnaldo Burgos, falecido em 1959), Gal vivenciou essa dualidade de forma profunda, explicitada especialmente no segundo ato do espetáculo.

Walerie Gondim no Papel de Gal

Walerie Gondim, já reconhecida por sua atuação em um musical anterior sobre Djavan, assume o desafio de personificar Gal Costa. Auxiliada por caracterizações que beiram a perfeição, Gondim convence em todas as fases da vida da artista, desde a Gracinha introspectiva de Salvador (BA) até a estrela que emergiu no Rio de Janeiro (RJ) a partir de 1965. Embora o timbre de Gal fosse único, Gondim entrega uma performance vocal notável, destacando-se em temas ritmados como a marcha 'Balancê' (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1937) e a marcha-frevo 'Festa do Interior' (Moraes Moreira e Abel Silva, 1981), e enfrentando com distinção composições mais complexas como 'O Quereres' (Caetano Veloso, 1984), que encerra o espetáculo como síntese de sua imprevisibilidade.

Narrativa e Personagens Emblemáticos

'Gal – O Musical' busca inovar, desviando-se de formatos biográficos convencionais, embora o primeiro ato siga uma linha cronológica que ilustra a consolidação da cantora no cenário tropicalista. Nesse contexto, figuras cruciais da vida de Gal são apresentadas, incluindo Caetano Veloso (Edu Coutinho), Gilberto Gil (Théo Charles), João Gilberto (1919 – 2019) – personificado por Vinicius Loyola, que também se destaca como Tom Zé – e o empresário e produtor Guilherme Araújo (1936 – 2007), mentor da imagem tropicalista de Gal, bem representado por Ivan Parente.

Outros personagens importantes são Waly Salomão (1943 – 2003) (Roma Oliveira) e Maria Bethânia (Calu Manhães), cuja relação artística nos anos 1960 e 1970 é abordada com tons afetuosos. Pela primeira vez em musicais de teatro, Bethânia é retratada sem caricaturas, enfatizando seu caráter altruísta e a profundidade de seu vínculo com Gal.

Inovação na Encenação e Legado Político

A encenação, distribuída por três palcos, resiste à tentação do estilo karaokê, comum em musicais do gênero, priorizando a dramaturgia. A música, nesse contexto, serve para enfatizar Gal como a voz feminina da resistência ao autoritarismo do regime militar instaurado no Brasil em 1964. Sob essa ótica política, o samba 'País Tropical' (1969) é revivido com um deboche oportuno, subvertendo seu caráter ufanista original. O primeiro ato culmina com números do icônico show 'Fa-tal – Gal a Todo Vapor' (1971), com a canção 'Como Dois e Dois' (Caetano Veloso, 1971) evocando os anos rebeldes da época.

Fonte: https://g1.globo.com

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