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Como Toy Story 5 quer conscientizar o público: ‘Bonnie e os brinquedos vivenciam o que o resto do mundo está vivenciando’

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Sete anos após o lançamento do último filme da franquia, Toy Story 5 (2026) chega aos cinemas nesta quarta, 17, com uma proposta inovadora: abordar as consequências das transformações tecnológicas na experiência de ser criança. 

No novo longa, a antagonista é LilyPad, tablet com games e chat que tenta afastar Bonnie de seus antigos brinquedos. Para que tenham uma chance nessa batalha, Woody precisa reencontrar seus companheiros e ajudá-los a lidar com os novos desafios. O brinquedo que ganha o centro da narrativa é a cowgirl Jessie, para quem Woody entregou seu distintivo de xerife ao fim de Toy Story 4 (2019).

Toy Story 5 foi dirigido por Andrew Stanton (Wall-E, Procurando Nemo) e McKenna Harris (Luca, Elementos). Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Harris explicou como surgiu a ideia dessa temática. 

“Sabíamos que focaríamos na tecnologia desde o primeiro rascunho do filme feito por Andrew”, diz, acrescentando que outros aspectos, como o protagonismo de Jessie e a subtrama dos 50 Buzz Lightyears, também já eram certezas. 

Ela explica que levou algum tempo para a equipe determinar o enfoque específico do filme, mas ao final, ficou decidido: explorar “como [os dispositivos eletrônicos] afetam nossas conexões com as pessoas e como o tempo de brincadeira pode ser um contrapeso, que ajuda a criar conexões mais autênticas — especialmente se você é criança e está acostumado a criar conexões através das telas”.

Apesar dos conflitos apresentados ao longo da história, Toy Story 5 sugere que é possível encontrar um equilíbrio entre o mundo digital e a vida fora das telas. Lilypad é um brinquedo assim como os demais, que deseja o melhor para a sua dona, Bonnie. Os verdadeiros “vilões” da trama são a dependência tecnológica e o uso excessivo e não supervisionado dos dispositivos, que faz com que as crianças deixem os demais brinquedos de lado. 

Segundo a produtora executiva Lindsay Collins, que trabalhou em Red: Crescer é uma Fera (2022) e Wall-E (2008), transformar LilyPad em um brinquedo com personalidade e nuances próprias foi essencial para a construção narrativa. “Isso torna tudo muito mais interessante e complexo; temos uma personagem imperfeita, que precisa aprender algo e que tem uma espécie de arco ao longo do filme”, explica.

Lily está na sala como qualquer outro brinquedo, ela entrou com a crença de que está ali para ajudar sua criança, mas tem uma filosofia completamente diferente dos outros sobre como fazer isso, que foi muito mais interessante do ponto de vista da história, para garantir que não estávamos sendo binários em relação a nenhum dos personagens. Os vilões são sempre mais interessantes quando partem de um lugar compreensível.

Segundo a produtora, a ideia também se conecta com o dilema tecnológico vivido pela sociedade como um todo. “Se a tecnologia fosse puramente má, nenhum de nós a teria”, lembra. “Então, acho que [essa abordagem] foi muito mais sutil e verdadeira.”

O apoio de pais na produção de Toy Story 5

Segundo Harris, muitos pais e mães de crianças da nova geração foram ouvidos durante a produção de Toy Story 5, e colaboraram para tornar a narrativa o mais próximo possível da realidade. 

“Parte do que nos ajudou a alcançar nosso objetivo foi perguntar constantemente às famílias que compunham a equipe do filme: como está sendo? Como vocês estão? Como vocês se sentem em relação aos limites da tecnologia ou como seus filhos estão interagindo com ela?”, explica.

Ao longo da trama, Bonnie também enfrenta questões relacionadas ao bullying virtual. O bullying e a pressão social são antigos “antagonistas” da infância, mas que ganharam novos contornos com a ascensão da internet. Harris e Collins afirmam que uma prioridade durante a produção foi tornar o assunto acessível ao público jovem, para que as crianças tenham ferramentas para refletir caso vivenciem algo parecido.

“Queríamos enfatizar que [o bullying] não se trata necessariamente de algo intencional e cruel. Mas crianças podem se comportar de certas maneiras, sem intenção ou compreensão, e o impacto disso pode ser enorme”, explica Lindsay. “Então, tentamos ser muito delicados e fiéis a elas, e também garantir que os pais, [representados pela] mãe da Bonnie, reajam de uma forma adequada, do tipo, ‘ei, vamos deixar isso de lado. Você pode sempre conversar conosco’”. 

A equipe também contou com especialistas no assunto, dentre psicólogos e estudiosos da infância, para explorar a temática com a maior sensibilidade possível. “Tentando capturar a complexidade da situação e como isso pode acontecer rapidamente, de forma inocente, hoje em dia, especialmente com crianças que estão online cada vez mais cedo”, acrescenta.

Limitações temáticas

Apesar de LilyPad ser apresentada como uma mudança completa na vida de Bonnie, muitos aspectos das transformações tecnológicas atuais não ganham espaço no filme: os algoritmos viciantes, as redes sociais e a inteligência artificial, por exemplo, não são abordados. “Queríamos manter o conteúdo apropriado para a idade e, se fosse o caso, limitar criativamente o que Lilypad poderia fazer”, explica Harris.

Segundo a diretora, foi necessário restringir o alcance do dispositivo para encontrar um foco narrativo mais preciso. Uma estratégia foi a criação do “Pond”, um “lago virtual” onde Bonnie e suas amigas conversam e disputam em games. 

“Isso nos deu alguns pontos de contato simples e fáceis com o que reconhecemos na tecnologia em nossas vidas reais, ao mesmo tempo que mantivemos tudo seguro para a criança no filme. E também nos deu alguns limites importantes porque, francamente, era muito difícil escrever uma história onde Lilypad tivesse um potencial ilimitado na internet.”

A parceria com Taylor Swift

Uma convidada na trilha sonora de Toy Story 5 conquistou o público antes mesmo do lançamento: Taylor Swift. A estrela pop compôs a faixa “I Knew It, I Knew You” ao lado de Jack Antonoff

Segundo Harris, a equipe entrou em contato com Swift há mais de dois anos, como um “chute no escuro”. “Estávamos sonhando e imaginando, sabe, no nosso mundo perfeito, quem colaboraria conosco neste filme. E a Taylor estava no topo da lista”, relembra.

Na época, a estrela estava em atividade com a The Eras Tour, maior turnê de sua carreira, então não foi possível confirmar a participação com antecedência. “Era tipo, ‘ah, quem sabe? Quem sabe se isso realmente vai acontecer?’ Simplesmente mantivemos a esperança e a mente aberta, tentando abrir espaço na produção para caso um milagre acontecesse, o que aconteceu”, celebra a diretora.

Lindsay explica que Swift assistiu à uma versão inicial do filme e ficou “imediatamente inspirada”.

O que é incrível na Taylor é que ela é uma contadora de histórias, então ela aborda tudo dessa perspectiva. Quando ela assistiu ao filme, sem [nós] termos dito nada, ela disse: ‘Ah, eu sei qual música precisa ser  precisa ser a música da Jessie. E precisa ser uma espécie de presente para ela no final do filme, que combine emocionalmente com o ponto em que estamos terminando o filme’. 

Daí em diante, a produtora afirma que tudo aconteceu muito rápido. “Ela disse: Entendi. Só um minuto’. E foi literalmente um minuto”, brinca.

Conscientização parental

A relação dos pais e mães com Toy Story 5 foi uma via de mão dupla: além de serem importantes como material de fonte, eles também são parte do público-alvo do novo longa. 

Lindsay ressalta que os filmes da franquia Toy Story, desde o primeiro, lançado em 1995, são ancorados na realidade como ela é. Seja falando do crescimento, das mudanças nas brincadeiras, nos conflitos da infância, e, agora, da tecnologia, todos eles buscam trazer aprendizados para o público. “Esses filmes existem há mais de 30 anos, e a beleza deles é que nos permitem ter uma janela para o presente”, diz. 

De acordo com a produtora, o quinto longa é uma tentativa de conscientizar as famílias sobre o que pode acontecer no mundo virtual, e “garantir que os pais estejam mais informados e cientes” do assunto.

Sempre que falamos sobre algo em um filme de Toy Story, estamos muito atentos às conversas que podem surgir disso. E isso é muito saudável. O que a Bonnie e os brinquedos estão vivenciando é como uma versão do que talvez o resto do mundo esteja vivenciando, mas sem julgamentos, apenas para fazer uma representação. E se isso gerar um diálogo [entre o público], melhor ainda.

+++ LEIA MAIS: Disney criou versão falsa de ‘Toy Story 5’ para esconder participação de Taylor Swift

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