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A Moda e a Mensagem do Papa Leão 14: Entre Tradição e Modernidade no Vaticano

A recente eleição do Papa Leão 14, Robert Francis Prevost, em 8 de maio de 2025, despertou um intenso escrutínio sobre suas escolhas de vestes e adereços. A atenção vai além do fashionismo, pois cada detalhe no âmbito católico carrega um profundo simbolismo e transmite mensagens sobre a direção da Igreja.
Este interesse foi evidenciado por uma montagem viral no Facebook, que mostrava Leão 14 usando uma tiara papal cravejada. A imagem, embora fictícia, trouxe à tona o debate sobre este adereço, aposentado há mais de 60 anos pelo Vaticano desde a modernização pós-Concílio Vaticano II. A tiara, símbolo de nobreza, teve seu último uso registrado na coroação de Paulo 6º em 1963, antes de ser por ele depositada no altar em um gesto de humildade.
Leão 14 e a Percepção da Moda Global
Observadores de moda sacra têm analisado minuciosamente os trajes de Leão 14, como exemplificado por um usuário do Facebook que questionou a origem das estolas vermelhas com detalhes dourados em uma missa. Este tipo de detalhe alimenta discussões em grupos dedicados ao clericalismo católico, que ganham repercussão para além de seus círculos habituais.
Em dezembro de 2025, a edição norte-americana da Vogue incluiu Leão 14 em sua lista de 55 pessoas mais bem-vestidas do ano. A revista justificou a escolha pela quebra do "gosto modesto de seu antecessor", a manutenção de seu alfaiate pessoal e a preservação do "legado papal de vestes litúrgicas impecáveis".
A Vogue destacou como o melhor look do Papa Leão 14 o escolhido para sua estreia no cargo. Em sua aparição inaugural na sacada da Basílica de São Pedro, ele vestia uma "capa de cetim musselina vermelha e uma estola vinho bordada a ouro, combinada com um pingente de cruz em um cordão de seda dourada".
O Contraste de Estilos: Leão 14 e seus Predecessores
A antropóloga e historiadora Lidice Meyer, da Universidade Lusófona de Portugal, descreve o estilo de Leão 14 como "visivelmente contrastante" ao de seu antecessor, Papa Francisco. Especialistas, no entanto, ressaltam que esta percepção se deve mais às escolhas incomuns de Francisco do que à inovação de Leão 14, cujo estilo é mais alinhado aos papas anteriores ao argentino.
O vaticanista Filipe Domingues, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, considera Francisco um "ponto fora da curva". O teólogo Raylson Araujo, da PUC-SP, explica que Francisco "não aboliu nenhuma veste", mas optou por não usar o múleo e os tradicionais sapatos vermelhos, mantendo seus sapatos de arcebispo e priorizando a simplicidade da batina, solidéu e faixa.
Embora Leão 14 também mantenha sapatos pretos, eles não são os sapatos ortopédicos e práticos que Francisco utilizava. A escolha de Leão 14 por sapatos feitos à mão pelo renomado sapateiro italiano Adriano Stefanelli, o mesmo que calçava Bento 16, foi notada nas redes sociais, sublinhando um retorno a certos padrões de confecção e tradição papal.
Fonte: https://g1.globo.com
