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A Evolução do Sertanejo: Da Raiz Caipira ao Topo das Paradas Brasileiras

A música sertaneja domina atualmente as paradas brasileiras, com hits como “Eu Te Seguro”, de Panda, no topo dos streamings, conforme dados da Pró-Música Brasil. Longe de ser apenas a canção caipira dos anos 1920 ou o romantismo de duplas como Rick e Renner, o gênero se reinventa constantemente, adaptando-se às dinâmicas culturais e de consumo. Sua trajetória oferece uma lente para compreender a modernização e urbanização do país, tornando-se um dos fenômenos mais relevantes do entretenimento e da cultura nacional.
As Múltiplas Fases da Música Sertaneja
O historiador Gustavo Alonso define a evolução do sertanejo como um processo de “antropofagia cultural”, incorporando elementos de outras vertentes. Gisele Jordão, da ESPM, complementa que a transformação estrutural do gênero espelha o deslocamento do meio rural para o consumo urbano. Inicialmente, as canções registravam rotinas agrícolas e causos locais, evoluindo para a dor nostálgica do migrante urbano.
Com o avanço da fronteira pecuária, o gênero exaltou o “heroísmo do boiadeiro”. Posteriormente, incluiu narrativas da cultura de massa, focando em sentimentalismos amorosos. No século XXI, a ênfase mudou para temas como paqueras, bebidas, desencontros e consumo ostentatório, refletindo novas tendências sociais e de celebridades.
O Marco Pioneiro e a Profissionalização do Gênero
A Primeira Gravação e o Início da Difusão
O marco fundador da música sertaneja como produto de consumo de massa ocorreu em 1929, com a gravação pioneira de “Jorginho do Sertão”, uma “moda de viola” interpretada pela dupla Mariano e Caçula. Composta por Cornélio Pires a partir de causos populares, a gravação foi financiada pelo próprio Pires, que alugou um estúdio e bancou a prensagem, enfrentando a resistência da indústria fonográfica da época. Este ato é considerado o primeiro lançamento independente da música brasileira, destacando a visão de Pires sobre o potencial do público.
A Ascensão Profissional e as Fases de Desenvolvimento
O pesquisador Ivan Vilela, especialista no tema, divide o sertanejo em cinco grandes fases. A primeira, de 1929 até a década de 1940, foi impulsionada pela radiodifusão, que ajudou a “re-enraizar” migrantes que trocavam o campo pelas cidades. Este período testemunhou a profissionalização dos cantores, como Raul Torres, que trocou a farmácia pela música, percebendo o vasto potencial do segmento.
A música caipira, inicialmente uma expressão rural, transformou-se em entretenimento de mercado, consolidando-se no cenário fonográfico. Músicos urbanos começaram a se dedicar ao gênero, adaptando-o às demandas de um público crescente e diversificado, cimentando seu lugar na cultura brasileira e no cenário de notícias do Brasil.
Fonte: https://g1.globo.com
