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A Crítica Musical na Era Digital: Respeito, Honestidade e a Pressão das Redes Sociais

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A crítica musical enfrenta desafios crescentes na era digital. Enquanto artistas recebem uma profusão de elogios nas redes sociais, resenhar um álbum que se mostra aquém da discografia de um artista expõe o crítico a reações intensas, navegando em um terreno delicado.

Recentemente, ao discorrer sobre o 22º álbum de Marina Lima, “Ópera Grunkie”, e apontar irregularidades, a resenha gerou comentários diversos. Embora o texto tenha sido classificado como “respeitoso” por muitos, também houve quem o considerasse “prepotente” em plataformas como o X (antigo Twitter).

Com quase 40 anos de exercício contínuo na crítica musical, o autor compreende as dinâmicas de fãs e artistas. Críticas positivas frequentemente resultam em elogios à “sensibilidade” do crítico, enquanto avaliações negativas são frequentemente atacadas com acusações de falta de conhecimento musical, por vezes assumindo um tom pessoal e pejorativo.

Embora tais reações sejam inerentes à natureza humana, elas se intensificaram drasticamente com o advento das redes sociais. A partir dos anos 2010, a vigilância e a “patrulha” diária levaram a uma desidratação da crítica musical, com muitos críticos preferindo a omissão.

A Persistência da Crítica Dissonante

Nesse cenário desanimador, a bajulação tornou-se um verbo comum. Muitos críticos tendem a se retrair, optando por elogiar ou manter um silêncio estratégico sobre discos de menor qualidade para evitar confrontos. No entanto, ainda existem críticos “dissonantes” que insistem em expressar sua opinião sincera, acreditando que elogiar indiscriminadamente banaliza o mérito e é injusto com aqueles que realmente se destacam.

Apesar de serem poucos, esses profissionais independentes são valorizados. Profissionais do meio musical – incluindo artistas, empresários, produtores e assessores – embora prefiram o silêncio em caso de críticas negativas, frequentemente celebram quando se deparam com uma crítica positiva vinda de um desses “dissonantes”, pois o leitor comum reconhece a credibilidade e a autenticidade.

O Compromisso do Crítico: Honestidade e Respeito

Em sua essência, um crítico deve sempre respeitar o artista ao discorrer sobre qualquer obra, seja um single, EP ou álbum. O foco da crítica é o trabalho em si, não o criador, mesmo que este último se sinta pessoalmente atingido. Contudo, é fundamental que o crítico jamais se curve à pressão das redes sociais, uma vez que as opiniões expressas online raramente refletem o pensamento genuíno; a “verdade da vida” reside frequentemente em conversas privadas.

A obra de artistas como Marina Lima é maior do que qualquer crítica ou crítico. O que permanece é a arte, desafiando as leis do tempo e atravessando gerações, sobrevivendo aos seus criadores. Uma vantagem da era digital é que qualquer leitor pode ouvir o álbum imediatamente após ler a crítica, formando suas próprias conclusões, reforçando a ideia de que ninguém é detentor da verdade absoluta.

Em última análise, cabe ao crítico ser unicamente honesto e respeitoso em sua escrita. O tempo, senhor da razão, encarrega-se de colocar tudo e todos – críticas, críticos, artistas e suas obras – no devido lugar, revelando o verdadeiro valor de cada um.

Fonte: https://g1.globo.com

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