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Polêmica literária: Escritor finalista de prêmios acusado de IA denuncia ‘ataques racistas’

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O escritor canadense de origem haitiana, Thelyson Orélien, aclamado e finalista de prestigiosos prêmios literários franceses, enfrenta acusações de ter utilizado inteligência artificial para a redação de seu mais recente romance, "C'était ça ou mourir". O autor refuta categoricamente as alegações, as quais ele classifica como "ataques racistas".

A Controvérsia em Torno de um Sucesso Editorial

Publicado no Canadá e posteriormente na França, "C'était ça ou mourir" rapidamente se tornou um fenômeno da temporada literária, com cerca de 35 mil exemplares vendidos e seleções para os principais prêmios, como o Goncourt, além de ter vencido o Prêmio Fnac. Contudo, a celebração foi ofuscada pela polêmica iniciada por uma conta anônima na rede X, "Balance ton Claude", que alegou que a obra foi quase inteiramente escrita por IA, baseando-se em análises do software Pangram. Este incidente causou um impacto significativo no cenário literário francês.

Perspectivas da Imprensa Francesa

Os principais jornais franceses abordaram o caso sob diferentes ângulos. "Le Monde" levantou questionamentos sobre a origem e as motivações da acusação, observando que a denúncia partiu de uma conta anônima recém-criada e viralizou após ser compartilhada por figuras ligadas à direita. Embora reconheça que o Pangram classificou grande parte do romance como gerado por IA, o periódico enfatizou as limitações desses detectores, especialmente para textos em francês com influências linguísticas diversas, e apontou a dimensão política, sugerindo que o romance sobre um migrante haitiano poderia desagradar a setores conservadores.

"Libération" focou na ascensão meteórica de Orélien e nos impactos da suspeita sobre sua obra. O jornal relembrou o sucesso global do romance e a aclamação da crítica por sua linguagem poética. A reportagem analisou elementos estilísticos como repetições e construções rítmicas, mas deu destaque à defesa do escritor, que afirma que essas características são parte de sua voz literária e formação poética. O "Libération" também deu amplo espaço às denúncias de racismo feitas pelo autor e à reação de suas editoras.

Por sua vez, "Le Figaro" dedicou maior atenção ao funcionamento e à credibilidade dos detectores de inteligência artificial. O jornal relatou ter testado textos antigos de Orélien, escritos antes da popularização da IA generativa, que foram classificados como totalmente humanos, enquanto trechos do romance receberam a classificação de "100% IA". Especialistas consultados consideram o Pangram um dos sistemas mais precisos. O debate foi ampliado para discutir o risco de a IA produzir obras capazes de conquistar leitores, críticos e prêmios, levantando questionamentos sobre autenticidade e o futuro da literatura.

Defesa do Autor e Denúncias de Racismo

Em entrevista ao "Libération", Thelyson Orélien negou veementemente ter usado IA, afirmando seu amor pela criação e escrita. Ele explicou que as imagens, repetições e ritmos presentes em sua obra são expressões autênticas de sua "fala viva", intrínsecas às suas tradições haitianas e caribenhas, sugerindo que o software poderia estar condicionado a padrões literários franceses clássicos.

Orélien também denunciou "diversos ataques racistas" que, segundo ele, não provêm dos leitores, mas de indivíduos externos com o intuito de prejudicá-lo desde sua chegada à França. Indignado, o autor afirmou estar compilando um dossiê com suas editoras na França e no Quebec para comprovar suas alegações.

As editoras do escritor reagiram à polêmica: a Grasset condenou "firmemente qualquer declaração maliciosa" que "fira profundamente o escritor de trajetória excepcional". A Boréal, editora de Montreal, declarou ter "tomado conhecimento das alegações" e que não as "trata com leviandade".

Fonte: https://g1.globo.com

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