Celebridade
Perda de peso de influenciadora reforça importância dos hábitos no pós-bariátrica; entenda

A transformação física de Thais Carla voltou a movimentar as redes sociais. Após pesar cerca de 200 kg, a influenciadora realizou cirurgia bariátrica e eliminou mais de 80 kg, chegando aos 115 kg. A mudança é significativa, mas, segundo especialistas, o procedimento é apenas o início de uma jornada que exige disciplina, acompanhamento e reconstrução metabólica.
De acordo com a Dra. Bárbara Mariano, gastroenterologista, o sucesso da bariátrica está diretamente ligado aos hábitos adotados após a cirurgia.
“A cirurgia reduz o volume do estômago e altera hormônios ligados à fome e à saciedade, mas não resolve sozinha questões metabólicas, inflamatórias e comportamentais. O pós-operatório é determinante para consolidar os resultados”, explica.
O intestino passa por mudanças importantes
Estudos publicados em revistas científicas internacionais mostram que a cirurgia bariátrica provoca alterações significativas na microbiota intestinal e na liberação de hormônios que regulam glicemia e apetite. Essas mudanças ajudam na perda de peso, mas também exigem monitoramento cuidadoso.
Segundo diretrizes da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica (ASMBS), o pós-operatório envolve risco aumentado de deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, ferro e vitamina D, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo.
“O intestino tem papel central no metabolismo. Quando há mudança na absorção de nutrientes, é preciso estratégia nutricional individualizada para evitar queda de energia, perda excessiva de massa magra e inflamação persistente”, destaca a médica.
Preservar músculo é essencial
Outro ponto frequentemente negligenciado é a preservação da massa muscular. Diretrizes internacionais recomendam ingestão adequada de proteínas e prática de exercícios de força após a cirurgia, justamente para evitar que parte do peso perdido venha de músculo, o que pode reduzir o metabolismo basal e dificultar a manutenção dos resultados a longo prazo.
“A perda de peso saudável não é apenas diminuir números na balança. É preservar músculo, modular inflamação e melhorar marcadores metabólicos”, ressalta.
Acompanhamento vai além da balança
Pesquisas publicadas no New England Journal of Medicine já demonstraram que a bariátrica promove melhora metabólica precoce, inclusive na regulação da glicose, antes mesmo da perda total de peso — o que evidencia o papel hormonal e intestinal do procedimento.
No entanto, segundo a Dra. Bárbara, isso não elimina a necessidade de disciplina e acompanhamento.
“Sem ajustes alimentares, atividade física regular e monitoramento laboratorial, existe risco de reganho de peso e desequilíbrios nutricionais. A cirurgia é uma ferramenta poderosa, mas o estilo de vida é o que sustenta o resultado. Mesmo após a perda de peso, é fundamental avaliar marcadores inflamatórios e resistência à insulina para garantir que a saúde metabólica esteja realmente equilibrada. Emagrecimento não é sinônimo automático de metabolismo saudável”, acrescenta.
