Connect with us

Música

Todos os 9 projetos de Travis Scott, do pior ao melhor, segundo Rolling Stone

Published

on


Poucos artistas da última década conseguiram transformar caos sonoro em linguagem própria como Travis Scott. Desde que surgiu como protegido de Kanye West, contribuindo na produção de Yeezus (2013), o rapper de Houston construiu uma discografia quase à prova de falhas, erguida sobre psicodelia, trap atmosférico e uma capacidade rara de curadoria — ele sabe, talvez melhor do que qualquer outro nome do rap atual, como reunir as pessoas certas no momento certo.

Para chegar a esse ranking, a Rolling Stone Brasil considerou impacto cultural, coesão sonora, curadoria de features e a forma como cada projeto se encaixa na evolução artística de Travis. Vale destacar que as mixtapes de início de carreira, Classmates e Graduates, ficaram de fora da lista por serem trabalhos ainda amadores, anteriores ao momento em que Travis encontrou sua voz.

Confira, a seguir, todos os nove projetos do artista, do pior ao melhor:

9. Huncho Jack, Jack Huncho (2017)

A parceria entre Travis Scott e Quavo prometia faíscas e entregou um disco apagado. Apesar do hype em torno do encontro de dois dos MCs mais “ligados” do rap da época, Huncho Jack, Jack Huncho sofre de falta de coesão: as 13 faixas se misturam sem deixar marca, e o tom sombrio e contido do projeto nunca decola para algo memorável. Ainda assim, “Dubai Shit” e “Black & Chinese” são provas de que o talento dos dois não desapareceu; apenas não encontrou o contexto certo para brilhar com consistência. As participações de Takeoff e Offset ajudam a injetar energia trap nos momentos certos, mas o disco como um todo é o exemplo claro de que talento individual não garante química coletiva.

8. JACKBOYS 2 (2025)

O segundo capítulo do coletivo Cactus Jack chega como o penúltimo ponto da discografia de Travis. Lançado seis anos depois do primeiro JACKBOYS, o projeto tenta repetir a fórmula de reunir o selo numa vitrine coletiva, mas perde força justamente onde o antecessor já vacilava: falta identidade própria. Faixas como “Kick Out”, “Dumbo” e “Da Wizard” mostram que ainda há fogo na fórmula, com momentos genuinamente divertidos e bem produzidos. As participações seguem competentes (e, Don Toliver e Sheck Wes, não estou falando de vocês; 21 Savage sabe do que estou falando), mas o conjunto soa mais como um exercício de manutenção de marca do que uma declaração artística. Funciona como produto de selo, não como obra.

7. Owl Pharaoh (2013)

A primeira mixtape solo de Travis já trazia sinais do que estava por vir, mesmo sem o polimento que definiria seus trabalhos posteriores — e também sem esconder o quanto ainda soava como cópia das próprias inspirações, especialmente Ye e Kid Cudi. “Uptown”, com A$AP Ferg, e “Upper Echelon”, com T.I., são pérolas que ainda funcionam hoje, enquanto “Hell of a Night” e “Blocka La Flame” capturam a energia de festa que faria dele um nome incontornável poucos anos depois. “Quintana”, com Wale, e “Bandz”, com Meek Mill, completam um projeto que, mesmo limitado em ambição e identidade próprias, já mostrava o instinto de Travis para criar hinos de pista. É o documento de um artista ainda engatinhando atrás de seus ídolos, mas com o radar já calibrado.

6. JACKBOYS (2019)

Lançado pouco depois do sucesso estrondoso de ASTROWORLD, JACKBOYS apresentou formalmente o coletivo Cactus Jack — formado por nomes como Sheck Wes, Don Toliver e SoFaygo. Com apenas sete faixas, o projeto soa mais como um spin-off de Travis do que uma vitrine real do grupo, já que amigos de peso como Young Thug, Lil Baby, Quavo e Offset dominam boa parte do espaço. Ainda assim, momentos como o remix de “Highest in the Room” com Rosalía e o mergulho no drill de Brooklyn em “Gatti”, com Pop Smoke, mostram o instinto de curadoria de Travis funcionando a todo vapor — só que em formato de aperitivo, não de prato principal.

5. Birds in the Trap Sing McKnight (2016)

O segundo álbum solo de Travis costuma ser injustamente esquecido entre o que veio antes e depois dele — mas é nele que “goosebumps”, com Kendrick Lamar, e o duplo platina “pick up the phone” se consolidaram como alguns dos maiores singles de sua carreira. Birds in the Trap Sing McKnight é também onde Travis afirma, de forma definitiva, seu domínio melódico, construindo faixas ricas e ligeiramente deslocadas do padrão trap da época. É um disco mais comercial e menos experimental do que o resto de sua discografia, mas funciona justamente como a ponte que tornaria ASTROWORLD possível.

4. UTOPIA (2023)

Cinco anos depois de ASTROWORLD, Travis voltou com um disco que soa como se tivesse sido gravado em outro planeta. UTOPIA abre com o boom bap sujo de “HYENA” e segue por faixas como “THANK GOD” e “I Know ?”, que empurram o trap para um território cada vez mais experimental e desorientador, especialmente com o hino “FE!N”, com Playboi Carti. Falando nelas, as participações também ficaram mais ousadas — Beyoncé, Bad Bunny, Yung Lean e James Blake se juntam aos parceiros históricos como Drake e The Weeknd, criando um disco genuinamente global. Travis também rapeia com mais intenção do que em projetos anteriores, deixando de se camuflar na produção para assumir o centro do próprio universo sonoro. É um álbum mais sombrio, mais caótico e, em muitos sentidos, ainda à frente de seu tempo.

3. Days Before Rodeo (2014)

Antes de Travis se tornar superstar, ele precisou provar que merecia a atenção que já vinha recebendo como produtor — e Days Before Rodeo é o som dessa impaciência. A mixtape é crua, underground e sem o polimento comercial que viria depois, reunindo Young Thug, Migos e Rich Homie Quan num retrato fiel da efervescência trap de Atlanta naquele momento. Faixas como “Mamacita” e “Don’t Play” mostram Travis refinando seu instinto de curadoria, e o disco como um todo é o som de um artista gritando contra a velha guarda do rap, juntando uma multidão de fãs para cantar que não querem mais a mesmice. Curiosamente, o projeto ficou fora das plataformas de streaming por dez anos, sendo tratado quase como uma lenda entre fãs mais antigos, até finalmente chegar oficialmente ao Spotify e demais serviços em 2024. É bruto, é conciso e ainda acerta o ouvido até hoje.

2. ASTROWORLD (2018)

Com 17 faixas, ASTROWORLD é gigantesco. Inspirado no antigo parque de diversões de Houston, o álbum é onde Travis finalmente teve recursos e visibilidade suficientes para executar sua visão em escala máxima — e o resultado é uma experiência quase cinematográfica, cheia de mudanças de beat, transições hipnóticas e vocais cortados que tornam cada faixa um mundo à parte. Foi também o disco que furou a bolha do trap e colocou o gênero definitivamente no centro do mainstream americano. “SICKO MODE”, com Drake, se tornou disco de diamante e um dos maiores hits de sua carreira, enquanto “STARGAZING” e “STOP TRYING TO BE GOD” mostram a ambição sonora do álbum em sua forma mais expansiva. “CAN’T SAY” apresentou ao mundo um então jovem Don Toliver, que usaria essa rampa de lançamento para construir sua própria carreira, e “BUTTERFLY EFFECT” segue como um dos maiores hinos de festa de toda a discografia do rapper. Aqui, Travis dominou a fórmula por completo, funcionando menos como showman e mais como curador supremo do próprio universo sonoro. É o disco mais completo e mais bem construído de sua carreira.

1. Rodeo (2015)

O álbum de estreia de Travis Scott continua sendo, dez anos depois, sua obra-prima. Rodeo captura um artista absorvendo suas maiores influências: o trap hipnótico do Migos, a sujeira sonora de Atlanta ao lado de Future e 2 Chainz, a mentalidade sem filtro herdada de Kanye West, e transformando tudo isso em algo genuinamente próprio. Faixas como “90210” e “Pray 4 Love” transcendem a música, funcionando quase como experiências espirituais, enquanto “Nightcrawler” mostra a energia rebelde que se tornaria sua marca registrada. Os encontros com Ye, Quavo, 2 Chainz e Justin Bieber são distribuídos com tanta precisão que nenhum brilha mais do que o outro — todos complementam a atmosfera geral do disco. Rodeo é o documento mais completo de quem ele é como artista e a prova viva de que seu primeiro grande passo já era também o seu melhor.

+++LEIA MAIS: Os 10 discos ranqueados do pior ao melhor, segundo a Rolling Stone

+++LEIA MAIS: Todos os 9 álbuns de Tyler, the Creator, do pior ao melhor, segundo Rolling Stone

+++LEIA MAIS: As 10 melhores músicas de Frank Ocean, segundo a Rolling Stone

Continue Reading
Advertisement
Clique para comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Revista Plateia © 2024 Todos os direitos reservados. Expediente: Nardel Azuoz - Jornalista e Editor Chefe . E-mail: redacao@redebcn.com.br - Tel. 11 2825-4686 WHATSAPP Política de Privacidade