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Pedro Miranda e Forró da Gávea Celebram a Tradição do Baião em ‘Amor Verdadeiro’

O grupo Forró da Gávea, liderado por Pedro Miranda, lança seu álbum de estreia, "Amor Verdadeiro", um trabalho que resgata a essência do baião e outros ritmos nordestinos. Em um cenário musical atual dominado por gêneros como piseiro e brega-funk, o disco propõe uma viagem no tempo, celebrando a fase áurea do baião, que em 1950, com Luiz Gonzaga, era a "dança da moda".
A Essência do Forró da Gávea
Criado em junho de 2018 por Pedro Miranda, o coletivo carioca Forró da Gávea surgiu com a proposta de apresentar xotes, cocos e baiões em shows com atmosfera de baile. O álbum abre com "A Dança da Moda", pérola de 1950 de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, trazida ao repertório por Giuliano Eriston, cuja voz se une à de Miranda, estabelecendo o tom de reverência às raízes do forró, enquanto o grupo demonstra liberdade para explorar além dos cânones.
Homenagens e Colaborações Marcantes
“Amor Verdadeiro” é permeado por homenagens instrumentais a grandes sanfoneiros. Oswaldinho do Acordeon é reverenciado com a regravação de "Lamento Nordestino" (1982), interpretada com o toque de Nandinho Barros. Dominguinhos é celebrado através de "O Xote do Coice" (1999), com a participação de Cosme Vieira na sanfona e Edu Neves no saxofone e flauta, demonstrando a riqueza dos arranjos.
Vozes Que Enriquecem o Repertório
O álbum se destaca pelas colaborações vocais que adicionam camadas de interpretação. A cantora Tâmara Terra forma um duo enérgico com Pedro Miranda em "Roendo Unha" (1976), parceria de Luiz Gonzaga e Luiz Ramalho. Roberta Sá empresta sua voz suave ao clássico xote "Sabiá" (1951). O baião título, "Amor Verdadeiro" (1956), ganha uma interpretação melancólica e lapidar com Mônica Salmaso. A inclusão de "Cajuína" (1979), de Caetano Veloso, e "Kalu" (1952), de Humberto Teixeira, com seu solo de baixo, sublinha a intenção de fugir do clichê forrozeiro.
Visão Artística e Inovação na Tradição
Com arranjos e direção musical de Rafael dos Anjos, violonista do grupo, o Forró da Gávea explora um forró popular, mas nunca popularesco. A formação, que inclui Durval Pereira (zabumba e percussões), Pedro Aune (contrabaixo) e Rodrigo Ramalho (sanfona), sustenta a proposta de valorizar a musicalidade. Um momento surpreendente é a reinterpretação da canção ambientalista "Passaredo" (1975), de Francis Hime e Chico Buarque, que ganha uma roupagem nordestina e conta com a voz adicional de Francis Hime, além de inesperadas citações instrumentais de standards da bossa nova, como "O Barquinho" e "Garota de Ipanema".
O álbum conclui sua jornada com a bela "Estrada de Canindé" (1950), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, reforçando a cadência do xote e consolidando "Amor Verdadeiro" como uma obra que honra o legado do forró enquanto o projeta para o presente com originalidade e maestria musical.
Fonte: https://g1.globo.com
