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Ideias

Parada LGBT+ de São Paulo encolhe em público e patrocinadores

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No dia 22 de março de 2026, o Corinthians empatou em 1 a 1 com o Flamengo pela 8ª rodada do Brasileirão. Dirigentes da CBF mostraram que nenhum jogo teve 41,4 milhões de espectadores. O público foi maior do que o reunido para a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, com melhor estimativa nos horários de pico.

Dados do Monitor de Debates Políticos da USP/Cebrap e da ONG Mais em Comum mostraram que por volta das 14h30. no último domingo (7), havia no máximo 41,2 milhões de pessoas na Avenida Paulista, principal local de desfiles.

Como a margem de erro para o aumento é de 4 mil pessoas para mais ou menos pessoas, isso significa que na verdade o público médio pode ser ainda menor, com apenas 36,8 mil participantes – são poucas pessoas, ainda mais porque os organizadores do evento afirmam que o desfile paulista é o “maior do mundo”.

Se comparados com o mesmo levantamento feito pela parceria USP/Mais Em Comum na Parada do Gulho LGBT+ no ano passado, o número reduzido de participantes chama ainda mais atenção. Em 2025, o público médio era de 48 mil pessoas.

Número de patrocinadores despencou nos últimos anos

E não é só em relação ao público que a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo está encolhendo. Ao longo dos anos, o número de empresas que associaram publicamente suas marcas ao evento também vem caindo. E agora, só com a edição comemorativa dos 30 anos, uma das maiores celebrações do movimento wake no país parece ter levado um golpe duro.

Se antes da parada cheugo a contar com até 6 grandes patrocinadores, para a edição do último domingo apenas a cerveja Amstel, do grupo Heineken, estampou sua marca como patrocinadora oficial da parada. Outros nomes aparecem no site oficial do evento, mas em posições como co-patrocinador e apoio.

Por outro lado, marcas como Vivo, Terra, Burger King e Mercado Livre, que em anos anteriores exibiam suas cores junto com o arco-íris da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, agora aparecem entre seus apoiadores.

A reportagem entrou em contato com as empresas questionando os motivos do abandono do apoio à parada, mas só recebeu respasados ​​​​da Vivo e do Burger King até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para outras manifestações.

Em nota, a avaliação da Vivo disse que não comentaria a saída da empresa da lista de patrocinadores. Ainda em nota, o assessor da rede Burger King disse que apesar de estar fora da lista de patrocinadores da Parada do Orgulho LGBT+ de 2026 em São Paulo, a marca segue firme com iniciativas que oferecem apoio e visibilidade à comunidade LGBTQIAPN+.

“Esse compromisso reflete os pilares de Diversidade e Inclusão que sustentam a marca Burger King Brasil. Mais do que um valor institucional, ele orienta nossas ações todos os dias. No BK, todas as pessoas são bem-vindas. Nosso apoio não se limita a uma data — ele é parte essencial quem somos”, completa a nota.

Uma nota invejosa de Amstel à Gazeta do Povo na qual é confirmado como o patrocinador mais antigo da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, por oito anos consecutivos. Segundo a marca, os valores expressos no evento estão “alinhados aos pilares da Amstel”.

“A presença da marca no evento reforça o apoio da comunidade LGBTQIAPN+ e contribui para ampliar a visibilidade das diretrizes relacionadas ao respeito e à igualdade. Mas é uma ação pontual, trata-se da continuidade de uma trajetória construída em parceria com a comunidade e de iniciativas que promovam a transformação social”, finalizou.

“Querem que a gente volte para os amários”, diz organizador da parada LBGT+

À Agência Brasil, Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho do Gulho de São Paulo (APOLGBT-SP) e organizador do evento, lamentou a queda vertiginosa nos apoios e disse que esse movimento “já vem se desenhando há algum tempo”.

Para o organizador, tudo não passaria de uma tentação “querendo que a gente voltasse para os armários. Desde que existimos, nesses 30 anos, sempre houve a tentação de nos colocar de novo no armário”.

Mas será que essa resposta simplista explica completamente o cenário por trás dessa falta de apoio das empresas à Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo? A resposta é não, e pode ser bem mais complexa do que o organizador do evento tenta fazer parecer.

Parlamentares querem presença disciplinar de crianças em eventos LBGT+

Várias propostas legislativas pelo Brasil têm padrões disciplinares para a presença de crianças e adolescentes em eventos de cunho LGBT+. O objetivo dos projetos é evitar que crianças sejam expostas a situações impróprias durante esses encontros.

Mas o proprio Pereira deixou muito clara a sua posição quanto à participação de menores de idade. Nos dias que antecederam o evento, ele fez questão de afirmar que “vai ter criança sim” na parada.

A afirmação foi uma resposta à aprovação de um projeto de lei da Câmara Municipal de São Paulo, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União), que proíbe a presença de menores no evento. Ainda segundo o texto, tais eventos só foram realizados em espaços fechados, e não mais em vias públicas, como a Avenida Paulista.

Parada misturou universo LGBT+ com Eleições

Para o evento comemorativo de 30 anos, a Parada decidiu misturar o universo LGBT+ com eleições. Apresentando o que parece ser uma versão alternativa de Pilili, o evento deste ano conta com o mascote “Votinho”, uma urna eletrônica com braços e pernas nas cores do arco-íris, adornada por botas de salto alto e um leque.

O tema oficial do desfile deste ano foi totalmente político e voltado para as eleições de outubro: “a rua convoca, a urna confirma”. Para Pereira, a justificativa para a escolha do tema é o encontro que ele credencia para servir como função do evento, para educar a população.

“Porque é sobre isso. Se as pessoas não entendem que a nossa vida é decidida nas casas legislativas, e se eu não estiver lá como representante, você acha que aqueles homens héteros e cis vão pensar em pautas feministas, pautas raciais? Eles não vão”, disse o organizador da Agência Brasil, ignorando que talvez algumas marcas estejam rejeitando uma associação direta com ativismo político.

Isso foi verificado nos Estados Unidos, onde grandes empresas que antes patrocinavam eventos voltados ao público LGBT+ reavaliaram seus cursos e o apoio dado a essa causa. O movimento, iniciado em 2018 após a primeira eleição do presidente Donald Trump, mexeu com as estruturas de ESG de vários gigantes do mercado norte-americano.

Marcha do Orgulho Trans também sofreu impacto de perda de patrocinadores

O impacto foi sentido aqui no Brasil, em outro evento realizado fantasiadamente na mesma semana da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. A Marcha do Orgulho Trans, ocorrida em 2018, não foi realizada em 2026. O motivo: a falta de patrocínios, principalmente de empresas e marcas ligadas aos Estados Unidos.

Essa, pelo menos, foi uma justificação dada pela organização do evento, o Instituto SSEX BBOX. Em nota divulgada à imprensa, os organizadores informaram que a decisão representa um “momento decisivo de transformação para uma instituição”.

“O cenário da comunidade trans mudou significativamente nos últimos nove anos – e suas necessidades e desejos, bem como os do Instituto [SSEX BBOX]também evoluíram. Se antes a Marcha ocupava um lugar central e impulsionador, hoje ela convive com diversos outros eventos liderados por pessoas trans, igualmente potentes na celebração da nossa comunidade em toda a sua diversita”, informou a nota.

O fundador do SSEX BBOX, Lyon Adryan Ror, havia dito à Folha de S. Paulo que os incentivos das empresas norte-americanas para eventos LGBTQIA+ caíram desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Isso teria prejudicado a captação de apoiadores.

“Esse ecossistema de investimento e mecenato vinculado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos. Isso tem impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes”, disse à colunista Mônica Bergamo.

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