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Música

Os melhores álbuns internacionais de 2026 até agora, segundo Rolling Stone

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Estamos na metade de 2026, e o ano já tem sido excelente para a música. A maior notícia, sem dúvida, foi o retorno do BTS, que celebrou suas raízes coreanas com o excelente Arirang. Mas eles não foram os únicos grandes nomes a alcançar novos patamares criativos. Harry Styles lançou um disco repleto de momentos intimistas embalados pela disco music; Robyn voltou com o sexy e maduro Sexistential; Noah Kahan cumpriu a promessa de se tornar um herói do folk; e Olivia Rodrigo invocou os deuses da New Wave.

Há algo empolgante acontecendo em todos os gêneros: Ella Langley entregou um marco do country com seu arrebatador segundo álbum; Jill Scott retomou a coroa de rainha do R&B; o rapper porto-riquenho Alvaro Diaz elevou seu nível com o magistral e alucinante Omakase; e Slayyyter promoveu uma festa irresistível de electro-sleaze.

Também tivemos joias do hip-hop assinadas por Baby Keem e MIKE, redenção no metal com Neurosis e revelações do indie rock com Ratboys. E tudo isso quando o ano ainda está longe de acabar. Abaixo, veja os melhores álbuns internacionais de 2026 até agora, segundo Rolling Stone:

Este duo de Quebec — envolto em bolinhas e tocando um math rock microtonal guiado pelo ritmo — virou sensação viral em março graças a um vídeo em que o baixista-guitarrista Khn de Poitrine (que toca uma guitarra de braço duplo equipada com cordas para ambos os instrumentos) e o baterista Klek de Poitrine destroem um set de meia hora. Mas o segundo álbum da dupla faz jus ao hype com inteligência e energia: faixas como “Mata Zyklek”, cambaleante e ao mesmo tempo propulsiva, e a veloz “Yor Zarad” mostram a habilidade do par em unir as excentricidades do prog, do punk e do virtuosismo guitarrístico em miniépicos eufóricos. — Maura Johnston

A$AP Rocky, ‘Don’t Be Dumb’

O aguardado retorno de A$AP Rocky é elegante e excessivo na medida certa, da arte de capa concebida por Tim Burton às participações de Damon Albarn e do compositor vencedor do Oscar Danny Elfman. No disco, ele narra sua evolução das brigas nas ruas do Harlem para uma vida doméstica luxuosa e cercada de celebridades. Rocky se entrega aos seus gostos maximalistas, seja entoando cantos ao lado da Slay Squad no pesado “STFU”, seja interpretando uma espécie de Bonnie e Clyde com Doechii na acelerada “Robbery”. Dá para criticar Rocky por sua autoconfiança exagerada, especialmente quando provoca o antigo amigo Drake em “Stole Ya Flow”. Mas ele parece estar se divertindo — e convence o ouvinte a entrar na festa também. — Mosi Reeves

Baby Keem, ‘Casino’

No passado, os fãs viam Baby Keem como um protegido familiar de Kendrick Lamar, alguém cuja energia juvenil em sucessos como “Family Ties” servia de contraponto à persona intensamente reflexiva do primo de segundo grau. Mas Keem também tem seus demônios, e os exorciza em Casino, álbum centrado em sua infância difícil em Las Vegas. Em “No Security”, ele canta em tom quebrado e choroso: “Eu tinha sete anos, esperando por você de pijama / Você disse que voltaria para casa, nunca deveria ter feito essa promessa”. Pensando como produtor, Keem organiza as músicas como o retrato de um jovem marcado pelo passado, mas não derrotado por ele. Ele alterna gritos, murmúrios em fluxo de rage e plugg e momentos melódicos, sempre mantendo uma leveza perceptível na voz. — M.R.

Bad Gyal, ‘Mas Cara’

Após dois anos de produção — uma eternidade para os padrões atuais do pop latino — o segundo álbum de Bad Gyal exala luxo VIP do começo ao fim. Da sensual neo-bachata “Da Me” aos delicados sintetizadores de “Fa$hion Killa”, influenciada pelo EDM, a estrela catalã segue sua musa de forma instintiva, transitando entre gêneros. Mas é a riqueza de sua voz que rouba a cena: mergulhada no brilho dourado do dancehall e ganhando intensidade sombria no reggaetón de “Choque”, ao lado de Chencho Corleone. Enxergá-la apenas como uma diva comercial seria um erro; sua ambição estética é ousada e futurista. — Ernesto Lechner

As rainhas do K-pop do Blackjack retornam em Deadline, três anos após Born Pink. Blackpink — formado por Jennie, Rosé, Lisa e Jisoo — está em clima de ostentação, algo que sempre fez melhor, transbordando carisma glamouroso. O EP de 15 minutos inclui o single de 2025 “Jump”, a homenagem à new wave dos anos 1980 “Champion”, a balada vingativa “Fxxxboy” e o hit de pista “Go”, que conta com crédito de composição de Chris Martin. Em “Me and My”, elas avisam para esconder o namorado quando o Blackpink chega ao clube. Jennie celebra o “privilégio da beleza”, em sua “temporada de gostosa”, e brinca: “Daisy Dukes me fazem dizer o que penso”. — Rob Sheffield

Boards of Canada, ‘Inferno’

Nos anos 1990, poucos ousariam chamar Boards of Canada de trip-hop — e talvez não devessem. Mas suas batidas relaxadas e atmosferas enevoadas apontam diretamente nessa direção, e o charme de época sempre foi sua maior força. Ninguém faz canções de ninar tão translúcidas quanto eles. Faixas como “You Retreat in Time and Space” — até o título parece trip-hop — e “Into the Magic Land” definem o universo de Inferno. Primeiro álbum da dupla desde 2013, o trabalho é exuberante, rico e cinematográfico, transcendendo gêneros ao mesmo tempo em que os incorpora. — Michaelangelo Matos

Zach Bryan, ‘With Heaven on Top’

Zach Bryan foi ambicioso neste épico de 25 faixas, que traz músicas sobre correr com os touros na Espanha, refletir sobre a vida em longos voos, lidar com o peso do passado e a responsabilidade do futuro. “Skin” é uma dolorosa canção de separação, enquanto “Slicked Back”, influenciada por Tom Petty, homenageia a influência estabilizadora de sua nova esposa. Bryan canaliza esse turbilhão de emoções em sua obra mais ambiciosa até hoje, transitando do indie folk delicado ao rock americana grandioso. Com o controverso single “Bad News”, transformou o desânimo provocado pelo doomscrolling em uma ousada declaração política. — Jon Dolan

BTS, ‘Arirang’

BTS retorna em Arirang, seu primeiro álbum de inéditas em mais de cinco anos. Após concluírem o serviço militar obrigatório, os integrantes voltam com tudo, apoiados por uma equipe de produtores que inclui Diplo, Flume, Ryan Tedder, Kevin Parker, Mike WiLL Made-It e JPEGMAFIA. O grupo celebra suas raízes ao batizar o disco com o nome de uma lendária canção folclórica coreana e ao interpolar outra em “Body to Body”. “Interlude” é uma homenagem composta apenas pelo som do sino sagrado do rei Seongdeok, um dos maiores tesouros culturais da Coreia, fundido há mais de 1.200 anos. Ainda assim, eles se permitem momentos de pura diversão em “FYA”, com o refrão: “Como Britney, baby / Me acerte mais uma vez!”. — R.S.

O segundo álbum da dupla argentina amplia seu autodeclarado “experimento social” em andamento. Ca7riel & Paco Amoroso usa FREE SPIRITS para expressar sua insatisfação com a fama e a riqueza. Felizmente, os mesmos elementos que tornaram sua apresentação no Tiny Desk um fenômeno continuam presentes: uma impressionante complexidade harmônica, os riffs ultradescolados de Ca7riel e uma produção luxuosa que oscila entre o sedoso e o sintético. Em “Hasta Jesús Tuvo Un Mal Día”, um dueto excêntrico com Sting, eles celebram a exuberância irreverente do rock radiofônico dos anos 1980. Já “Vida Loca”, com sua atmosfera brasileira ensolarada, é genuinamente comovente. As provocações da dupla podem cansar às vezes, mas seu amor pela música sofisticada é contagiante — e redentor. — E.L.

Bill Callahan, ‘My Days of 58’

Fiel ao seu estilo, o novo álbum de Bill Callahan reúne canções introspectivas sobre amadurecimento (“Pathol O.G.”), paternidade vista tanto por seu pai recentemente falecido quanto por ele próprio (“Empathy”) e o esforço para corresponder às expectativas da esposa (“The Man I’m Supposed to Be”). Se os discos que gravava décadas atrás sob o nome Smog eram minimalistas e rigorosos, os arranjos folk de My Days of 58 soam soltos e vivos, graças à bateria de Jim White e aos vibrantes arranjos de metais e cordas, que reforçam suas letras confessionais e frequentemente hilárias. Em “The Man I’m Supposed to Be”, ele canta: “Levamos a vida a sério, rimos na cara da morte”, encerrando a reflexão com um inesperado falsete: “hee-hee”. — Kory Grow

Cardinals, ‘Masquerade’

Esta banda irlandesa tem um som altamente original — guitarras indie afiadas como navalhas combinadas a um acordeão ofegante e melancólico — e conta com um vocalista excepcional em Euan Manning, cuja intensidade trêmula pode lembrar um jovem Thom Yorke ou Jeff Buckley, mas com um lado mais selvagem. Eles também escrevem músicas extremamente cativantes. “Over at Last”, “She Makes Me Real” e a faixa-título são miniépicos carregados de emoção, fúria e desejo. Em “Barbed Wire”, cantam sobre noites de excessos pela cidade; em “The Burning of Cork”, fazem referência à história de violência colonial de sua cidade natal. O resultado é uma das estreias roqueiras mais revisitáveis do ano — e uma banda com enorme potencial. — Simon Vozick-Levinson

Cola, ‘Cost of Living Adjustment’

O trio canadense de art punk Cola se especializou em grooves de guitarra distópicos, explorando todas as formas como a rotina capitalista pode corroer a alma. Eles ganharam notoriedade com Deep in View (2022) e The Gloss (2024), mas vão ainda mais longe em seu radicalmente original terceiro álbum, Cost of Living Adjustment. A banda já chega chamando atenção em “Hedgesplitting”, irresistível mistura de guitarras e sintetizadores shoegaze com um loop de bateria sampleado do hip-hop. “Conflagration Mindset” aborda os incêndios em Los Angeles, enquanto “Much of a Muchness” disseca a melancolia das redes sociais, com Tim Darcy ironizando: “É tudo eros e números / Todos os dígitos, sem polegares”. — R.S.

Luke Combs, ‘The Way I Am’

Em seu novo trabalho, o astro country Luke Combs reúne suas diferentes facetas — o baladeiro sensível de “Giving Her Away”, o líder de banda de bar amante da cerveja em “Alcohol of Fame” e o fora da lei do country rock em “Back in the Saddle” — e consegue fazer tudo soar coeso. Em “Ever Mine”, ao lado de Alison Krauss, mostra que também pode mergulhar no bluegrass e na música tradicional americana com naturalidade. Após um período discreto desde o sucesso crossover de “Fast Car”, Combs, aos 36 anos, retorna com um forte argumento para se consolidar como a principal estrela familiar do country em 2026. — Jonathan Bernstein

Álvaro Díaz, ‘Omakase’

O rapper porto-riquenho Álvaro Díaz é considerado um dos artistas mais imprevisíveis e multifacetados da música latina, mas o brilhante e alucinante Omakase representa um novo patamar até para alguém que sempre esteve à frente de seu tempo. Ele mistura desilusões amorosas, dembow e cúmbia, transformando a tradicional plena em progressões de acordes excêntricas concebidas pelo produtor de vanguarda El Guincho. Entre histórias de términos e corações partidos, destacam-se “Perdiste el Emmy”, com os sintetizadores sentimentais característicos de Tainy, e “No Podemos Ser Amigos”, que combina elementos de drum and bass e música eletrônica. O disco ainda reúne convidados como o trio mexicano Latin Mafia, o cantor de R&B Jesse Baez, a revelação chilena Akriila e vocais ocultos de Rauw Alejandro. — Julyssa Lopez

Thomas Dollbaum, ‘Birds of Paradise’

Poucos discos lançados este ano trouxeram uma explosão tão empolgante de rock de guitarras com sotaque sulista quanto este trabalho do compositor Thomas Dollbaum. Como em muitos dos melhores discos indie do sul dos Estados Unidos dos últimos tempos, MJ Lenderman faz uma participação, mas é a composição e o senso melódico de Dollbaum que tornam o álbum especial. Basta ouvir o refrão assombrado de “Waterbird”, o vigor tempestuoso de “Pulverize” ou o hino imediato “Dozen Roses”. Se você gosta de guitarras, histórias góticas sulistas ou refrões feitos para serem cantados em um bar tarde da noite, este é o disco para você. “Nesta grande terra de moribundos”, ele canta, “estou feliz por estar vivo”. — Jon Blistein

Drake, ‘Maid of Honour’

A joia da coroa da sequência de três álbuns de Drake, Maid of Honour é o momento em que sua expansividade ganha foco emocional: fluido, iluminado pelas pistas de dança e atravessando gêneros. Drake transforma house, dancehall, vida noturna queer e sonoridades negras regionais em uma demonstração convincente de sua fluência cultural. É seu trabalho mais forte em anos porque os hits sustentam a tese central — fazendo o corpo se mover antes que o debate comece. O álbum bebe de tradições musicais negras frequentemente marginalizadas pelo mainstream por existirem fora dos limites rígidos, conservadores e hipermasculinos da música comercial. Vida noturna queer, dancehall e house, todas inovações culturais negras incontestáveis, se entrelaçam ao longo dos ágeis 45 minutos do disco. — Jeff Ihaza

Dry Cleaning, ‘Secret Love’

O terceiro álbum da banda britânica de pós-punk Dry Cleaning alcança um equilíbrio perfeito entre letras impassíveis e guitarras igualmente secas. A vocalista Florence Shaw recita suas palavras com a conexão emocional de alguém lendo um relatório de autópsia, enquanto aborda temas como neuroses gastronômicas e o tédio furioso da era do doomscrolling. Com a ajuda da produtora Cate Le Bon, a banda transforma esses relatos à beira do colapso em músicas irônicas e mordazes, mas também variadas e até inspiradoras em alguns momentos, do jangle pop oitentista de “Blood” ao balanço urbano de “The Cute Things”. — J.D.

Hilary Duff, ‘Luck….Or Something’

O retorno de uma ex-estrela infantil raramente é algo surpreendente. Já uma ex-estrela infantil lançar um excelente álbum de retorno é extremamente raro. Luck….Or Something, primeiro disco de inéditas de Hilary Duff em mais de uma década, é a agradável surpresa synth-pop que ninguém sabia que precisava tanto. Produzido ao lado de seu marido, Matthew Koma, o álbum oferece um retrato vulnerável e realista de sua vida atual — muitos anos depois de Lizzie McGuire, “Come Clean” e da dança de “With Love”, que viralizou na era do TikTok. Duff canta sobre maternidade, casamento e até a necessidade daquele indispensável copo de vinho branco alaranjado. “Sou mãe, busco meus filhos na escola e preparo lanches todos os dias, e isso é muito difícil”, disse ela. “O que me interessava era falar sobre como essa mudança me afeta como pessoa.” Missão cumprida. — Angie Martoccio

Avalon Emerson & the Charm, ‘Written Into Changes’

O amor está em toda parte em Written Into Changes, o etéreo segundo álbum de Avalon Emerson. Ele aparece em uma cerveja gelada, em um passeio ensolarado pela estrada ou nos olhos gentis dos amigos mais próximos durante seu aniversário. Embora Emerson tenha construído sua carreira como DJ ao redor do mundo, misturando reflexões techno à la The Knife com trechos de Erykah Badu, as músicas compostas com sua banda, The Charm, são leves e profundamente influenciadas pelos anos 1980, transitando entre new wave, soft rock e dream pop. Mesmo quando o amor a despedaça, ela encontra uma maneira de se reconstruir e transformar tudo na trilha sonora perfeita para uma noite quente de verão sob as estrelas. — Jaeden Pinder

Ernest, ‘Deep Blue’

Um dos compositores mais confiáveis e inventivos da Music Row eleva seu nível como artista solo nesta coleção de country suave que redefine o significado de tranquilidade. Mas Ernest (nome completo: Ernest K. Smith) não está apenas repetindo caminhos já percorridos por Kenny Chesney ou pela Zac Brown Band em Deep Blue. Ele acrescenta profundidade emocional ao escapismo praiano tão comum no country. A faixa-título é uma dolorosa canção guiada pelo violino — “Sim, você sempre quis que eu afundasse mesmo”, canta ele — enquanto “Lorelai” mostra Ern ainda carregando a bandeira da mulher que “destruiu seu mundo”. Nem todo pôr do sol na vida é bonito. — Joseph Hudak

Foo Fighters, ‘Your Favorite Toy’

“Não se esqueçam: temos sorte se conseguirmos sair vivos”, lembra Dave Grohl em “Spit Shine”, um turbilhão furioso presente no 12º álbum do Foo Fighters. Poucos roqueiros compreendem esse sentimento com tanta profundidade quanto ele, e, em Your Favorite Toy, Grohl o transforma em garage rock de alta voltagem. Com três guitarristas e o novo baterista Ilan Rubin substituindo o falecido Taylor Hawkins, a banda atravessa 10 músicas rápidas, barulhentas e extremamente cativantes. Elas podem ser assombradas por fantasmas do passado — em “Of All People”, por exemplo, Grohl reencontra um traficante que não consegue acreditar que ainda está por aí —, mas sempre parecem caminhar em direção a uma epifania resiliente. — J.D.

Kim Gordon é uma lenda do punk há mais de quatro décadas, desde os tempos de Sonic Youth, mas nunca esteve em tão boa fase. Play Me dá continuidade à sua colaboração tão estranha quanto perfeita com o produtor de Los Angeles Justin Raisen, conhecido por trabalhar com artistas como Kid Cudi, Lil Yachty e Charli xcx. Gordon desfila seu sarcasmo sobre batidas industriais inspiradas no trap, criando sátiras ferozmente engraçadas da cultura americana contemporânea. Na faixa-título, ela recita nomes de playlists temáticas do Spotify, como “rich popular girl”, “jazz in the background” e “chilling after work”, enquanto “Bye Bye” conta com Dave Grohl na bateria. Play Me faz parecer que Gordon está apenas começando. — R.S.

Gorillaz, ‘The Mountain’

Há 25 anos, Damon Albarn cria canções pop mágicas e multifacetadas ao lado de um elenco rotativo de convidados em Gorillaz, projeto que começou como uma brincadeira animada e acabou se tornando sua principal plataforma criativa. Mas ele nunca havia feito um álbum do Gorillaz tão emocionante quanto The Mountain. O disco nasceu de uma viagem reveladora à Índia ao lado do cofundador Jamie Hewlett e se transformou em uma profunda exploração do luto, com participações simbólicas de antigos colaboradores como Dennis Hopper, Tony Allen, Dave Jolicoeur e Proof. Essas presenças fantasmagóricas, misturadas a artistas mais recentes como Trueno e Black Thought, transformam o álbum em um marco emocional dentro da discografia do grupo. — S.V.L.

Aldous Harding, ‘Train on the Island’

O verso menos surrealista de “I Ate the Most”, faixa de abertura do quinto álbum de Aldous Harding, diz: “Sinto que sou quem mais sente”. Ainda assim, essa confissão torna a música, já silenciosa e contemplativa, ainda mais inquietante e íntima. Mestra da ilusão musical, Harding tem o talento de transformar as canções de Train on the Island em pequenas obras-primas da vulnerabilidade. Em “One Stop”, por exemplo, ela distorce a própria voz ao cantar “Por que eu não gostaria de te conhecer? / Por que eu não gostaria de te abraçar?”, como se estivesse à beira de um colapso nervoso. A produção de John Parish adiciona texturas que lembram PJ Harvey e o início dos anos 2000 do Radiohead, mas é a perspectiva singular de Harding que faz deste disco algo extraordinário. — K.G.

J Balvin & Ryan Castro, ‘Omerta’

Omerta marca o primeiro álbum colaborativo entre duas das maiores vozes da música colombiana: J Balvin e Ryan Castro. O projeto soa como uma evolução natural da amizade construída ao longo dos últimos cinco anos, período em que Balvin orientou a ascensão de Castro. O resultado percorre os gêneros que definem cada artista — rock, dancehall e, claro, reggaeton —, refletindo a confiança que encontraram um no outro. Batizado em referência ao código de silêncio da máfia italiana, Omerta destaca justamente esses laços de lealdade e a importância da família. — Maya Georgi

J. Cole, ‘The Fall-Off’

Se The Fall-Off realmente for o último álbum de J. Cole, ele se despede com uma obra à altura: um épico de dois discos que se desenrola como um romance, repleto de calor soul, nostalgia ansiosa e das contradições que sempre o tornaram fascinante. O primeiro volume, Disc 29, acompanha seu retorno à cidade natal de Fayetteville aos 29 anos, embalado pelo sucesso na indústria musical. Já Disc 39 registra uma viagem semelhante uma década depois, agora como marido e pai de duas crianças. Denso, frustrante e profundamente humano, o álbum funciona menos como uma volta olímpica e mais como um intenso processo de autoquestionamento — conduzido por Jermaine Cole em toda sua inteligência, falhas e inquietação moral. — J.I.

Noah Kahan, ‘The Great Divide’

Para onde se vai depois da “temporada dos gravetos”? Essa é a pergunta que Noah Kahan faz repetidamente em The Great Divide, a jornada de 17 faixas lançada quatro anos após seu estouro com aquela canção irresistível sobre Vermont. Agora uma estrela do rock consolidada, de Ray-Ban no rosto, ele tenta lidar com a fama sem se afastar das pessoas que ama. “Todos os clichês sobre música se mostraram verdadeiros para mim”, contou à Rolling Stone. “Tipo: ‘Você pode conseguir tudo o que deseja e ainda assim não será suficiente’.” Entre os destaques estão “Doors”, “American Cars”, “Dashboard” e “We Go Way Back”, mas o álbum funciona melhor como uma experiência completa, perfeita para longas viagens por estradas cercadas por florestas — exatamente como Kahan imaginou. — A.M.

Ella Langley, ‘Dandelion’

“Choosin’ Texas” já era a música country do verão de 2026 quando foi lançada, ainda no outono de 2025. O que ninguém sabia era que Ella Langley, uma artista de 27 anos do Alabama, tinha um álbum inteiro à altura do sucesso. Entre os destaques estão outra composição em parceria com Miranda Lambert, “Butterfly Season”; a apaixonada e viciante “Be Her”, que remete tanto a “Jolene” quanto a “Girl Crush”; e, para quem duvidava de suas raízes tradicionais, uma interpretação impecável do clássico de Kitty Wells, “It Wasn’t God Who Made Honky Tonk Angels”. Como já escrevemos, seu segundo álbum sem qualquer sinal de queda pode fazer pelo country clássico o que Laufey e Billie Eilish fizeram pelo jazz-pop pós-Segunda Guerra Mundial — bem a tempo da Terceira. — Will Hermes

Desde os primeiros instantes do ambicioso álbum conceitual Hades, de Melanie Martinez, a crise está em toda parte. O medo existencial surge já nos segundos barrocos da faixa de abertura, “Garbage”. Uma orquestra de cordas assombrada parece prometer conforto, enquanto tiros ao fundo lembram as guerras e a violência constantes ao nosso redor. Martinez constrói uma distopia tecnocrática complexa protagonizada por uma nova personagem chamada Circle. A partir daí, desenvolve a história de uma estrela pop consumida por um deserto dominado por inteligência artificial, obsessão por riqueza, cultos e fanatismo religioso. O grande triunfo do disco está na capacidade da artista de encontrar uma abordagem nova para cada faixa sem jamais se repetir — e de continuar escrevendo excelentes músicas pop no processo. — J.L.

Paul McCartney, ‘The Boys of Dungeon Lane’

A força criativa de Paul McCartney permanece intacta ao longo destas 14 faixas, e a alegria que ele encontra em fazer música transparece em cada mudança de acorde. Em “Mountain Top”, o eternamente jovem artista de 83 anos relembra uma caminhada cercada por cogumelos mágicos e borboletas, enquanto cravo, bongôs e loops de fita ampliam a atmosfera psicodélica. “Come Inside” é um rock descontraído e cheio de palmas que remete a Off the Ground (1993). Já “Never Know” balança e grooveia de maneira que lembra os tempos de Wings em Back to the Egg (1979). “Life Can Be Hard” e “Ripples in a Pond” são homenagens românticas à mulher de sua vida, lembrando que o amor está longe de ser algo tolo. — S.V.L.

Memorials, ‘All Clouds Bring Not Rain’

O segundo álbum de Verity Susman, dos cultuados Electrelane, e Matthew Sims, dos gigantes pós-punk Wire, é uma verdadeira viagem psicodélica. A dupla canaliza seu vasto conhecimento musical em canções de rock complexas, mas também monumentais. Faixas como “Cut Glass Hammer”, impulsionada por um groove krautrock, e “In the Weeds”, envolta em camadas de fuzz, desafiam os limites da quantidade de barulho que duas pessoas conseguem produzir ao mesmo tempo. Já “Lemon Trees” começa fantasmagórica e elegíaca, antes de se transformar em um turbilhão sonoro enquanto Susman lamenta “Elevate me down”, esticando cada sílaba até que ela e a música mergulhem completamente em um caos movido por pedais de distorção. — Maura Johnston

MIKE, Earl Sweatshirt, and Surfgang, ‘Pompeii // Utility’

Pompeii // Utility é fruto da fértil cena de rap do Brooklyn, que ajudou a desenvolver vozes locais como Mike Bonema, de Nova Jersey, além de artistas que migraram para a região, como Earl Sweatshirt, criado em Los Angeles. Cada um ocupa um lado do projeto: MIKE usa Pompeii para reflexões abstratas sobre a vida de músico, apresentadas em seu característico tom grave e vacilante, enquanto Earl assume Utility, trazendo versos reveladores como: “Quando criança, aprendi que a vida não era justa / Então aprendi a equilibrar a balança”. O coletivo de produção Surf Gang adiciona batidas plugg ásperas aos flows nebulosos da dupla, e o contraste funciona perfeitamente, resultando em músicas que soam como pensamentos profundos e possibilidades eletrizantes. — M.R.

Megan Moroney, ‘Cloud 9’

A estrela country da Geração Z Megan Moroney manteve sua trajetória ascendente ao aprofundar tanto seu trabalho musical quanto sua composição no excelente Cloud 9. “Liars & Tigers & Bears” é uma reclamação típica de estrela pop que nunca soa como autopiedade; “Bells & Whistles”, com Kacey Musgraves, oferece uma nova e complexa abordagem ao clássico tema das traições de Nashville; e “Stupid” é uma interpretação espirituosa da ingenuidade romântica. Das faixas pop aceleradas às baladas, o novo trabalho de Moroney confirma que ela é uma das artistas mais talentosas da atualidade em transformar dores amorosas modernas em algo tão profundo quanto os clássicos do country. — J.D.

Kacey Musgraves, ‘Middle of Nowhere’

O sétimo álbum de Kacey Musgraves não é apenas um retorno conquistado com esforço, mas também seu melhor trabalho desde o vencedor do Grammy Golden Hour (2018). Em Middle of Nowhere, a antiga — e futura — rainha do country volta a abraçar os sons mais tradicionais de seus primeiros lançamentos, recorrendo a lendas texanas como Willie Nelson e Miranda Lambert. Para capturar plenamente o espírito do estado fronteiriço, Musgraves também incorpora elementos da música mexicana, do acordeão norteño aos sinos característicos das rancheras. — M.G.

Neurosis, ‘An Undying Love for a Burning World’

Do início ao fim, o 12º álbum de estúdio do Neurosis, lançado de surpresa e marcando a chegada do ex-guitarrista e vocalista do Isis, Aaron Turner, reafirma de forma contundente os valores centrais da banda. Em todas as músicas, eles alertam para a degradação da sociedade contemporânea e oferecem uma espécie de bote salva-vidas na forma de seu trovão sonoro único e devastador. Construída sobre vocais guturais, ritmos agressivos e guitarras pesadas minimalistas e arrastadas, sua música sempre funcionou como um caldeirão para canalizar descontentamentos. Quem se entrega à cacofonia do Neurosis emerge do outro lado revigorado, como após um treino intenso. Desta vez, porém, o caldeirão está ainda mais quente. — K.G.

Durante anos, Trent Reznor remixou suas próprias músicas e convidou nomes da música eletrônica para remodelá-las. Mas há algo especial na química que ele e seu colega de Nine Inch Nails, Atticus Ross, desenvolveram recentemente com Boys Noize, também conhecido como Alex Ridha. Essa conexão reverbera por todo Nine Inch Noize. O álbum traz novas versões de músicas do catálogo do Nine Inch Nails, mas, com exceção de “Closer”, evita as escolhas mais óbvias. Em vez disso, o trio seleciona canções que se beneficiam de bumbos eletrônicos devastadores e das clássicas texturas ácidas do sintetizador TB-303. Quem imaginaria que “Heresy”, de The Downward Spiral, com seu refrão nietzschiano “God is dead”, continuaria funcionando tão bem após uma reforma inspirada pelo acid house? — K.G.

Charlie Puth, ‘Whatever’s Clever’

Charlie Puth costuma ser criticado por parecer excessivamente calculado e autoconsciente, mas seu novo álbum representa uma reinvenção bem-sucedida. O prodígio do pop entrega seu trabalho mais rico musicalmente e mais revelador em termos pessoais, transitando entre synth-pop oitentista, yacht rock, uma homenagem ao pai com participação de Kenny G, uma delicada canção folk setentista sobre seu irmão e até uma música sobre como pode ser decepcionante conhecer seus ídolos musicais. O disco termina com “I Used to Be Cringe”, uma faixa que é ao mesmo tempo a mais metalinguística e a mais sincera do repertório. Mesmo que ainda tenha um pouco de “cringe”, Puth vive uma excelente fase. — J.D.

Ratboys, ‘Singin’ to an Empty Chair’

A banda de Chicago Ratboys está na estrada e em estúdio há mais de uma década, refinando sua mistura de indie rock melódico com influências emo. O resultado é Singin’ to an Empty Chair, um álbum que soa como a culminação de toda essa trajetória. O disco reúne preciosidades cheias de ganchos melódicos, como “Anywhere” e “Penny in the Lake”, explosões de caos como “Light Night Mountains All That” e até momentos expansivos e contemplativos como “Just Want You to Know the Truth”. Grande parte do peso emocional vem da tentativa da cantora e guitarrista Julia Steiner de usar sua música para se comunicar com alguém de quem se afastou — a “cadeira vazia” do título. Ainda assim, a esperança nunca desaparece. Na faixa final, ela canta: “Enquanto isso, estou aproveitando cada momento / Enquanto caminhamos rumo ao mundo que encontraremos.” — Jon Blistein

Rawayana, ‘¿Dónde Es El After?’

Uma gloriosa maratona de festa, o sexto álbum da banda venezuelana Rawayana mistura política e hedonismo, tendo a voz sedosa de Beto Montenegro como elo irresistível entre tudo. O grupo celebra a liberdade em todas as suas formas — sexual, musical e política — e as participações especiais refletem esse espírito generoso e ensolarado. Manuel Turizo adiciona sensualidade a “Inglés en Miami”, enquanto Elena Rose traz elegância aos ritmos afrobeat de “Naguará”. Até estrelas da música mexicana como Carín León e Grupo Frontera aparecem para a celebração. Mérito da banda: as 23 faixas fluem de maneira natural, alternando prazeres terrenos e momentos de introspecção silenciosa. — E.L.

Raye, ‘This Music May Contain Hope’

A dramática rainha londrina Raye tem uma história para contar em This Music May Contain Hope. Trata-se de um épico ambicioso sobre desespero amoroso, recheado de baladas jazzísticas ao estilo de seu sucesso “Where Is My Husband?”. Com 73 minutos de duração, o álbum se desenrola como uma narrativa dividida em quatro atos inspirados nas estações do ano. “Goodbye Henry” é um dueto com a lenda soul Al Green, enquanto “The WhatsApp Shakespeare” a transforma em uma Julieta que enfrenta seu Romeu usando “armas de sedução em massa”. Em “Winter Woman”, ela admite: “Sou uma história triste”. Mas Raye não pede desculpas por isso nem por um segundo. — R.S.

Robyn, ‘Sexistential’

Robyn volta para a pista de dança, lugar ao qual sempre pertenceu. Sexistential é o primeiro álbum da diva sueca do disco-pop em oito anos e, como o título já sugere, ela não está fazendo rodeios. Sexo ocupa seus pensamentos — o sexo adulto, vivido em meio às transformações hormonais da meia-idade. Como ela mesma canta: “Meu corpo é uma nave espacial com os ovários em hipervelocidade”. Robyn aposta na pulsação eletrodisco europeia clássica em faixas explosivas como “Dopamine”, mesmo quando aborda tratamentos de fertilidade e términos amorosos. Ela também revisita seu single de 2002, “Blow My Mind”, transformando-o em uma comovente canção de amor em vaporwave dedicada ao filho de três anos. — R.S.

Olivia Rodrigo, ‘you seem pretty sad for a girl so in love’

O terceiro álbum de Olivia Rodrigo é uma jornada emocional complexa, capaz de virar de cabeça para baixo clichês e pressupostos sobre o amor. O primeiro single, “drop dead”, já estava repleto de referências sonoras — dos ecos de “Just Like Heaven”, do The Cure, às guitarras nebulosas e distorcidas que ela e o produtor de longa data Dan Nigro utilizaram para evocar os deuses da new wave e a imagem de um Robert Smith de coração solitário. Tudo isso prepara o terreno para algo mais próximo da vida real, enquanto Rodrigo percorre todas as fases de um relacionamento — a lua de mel, os primeiros sinais de conflito e a despedida devastadora — alcançando seu álbum mais completo e musicalmente aventureiro até agora. — J.L.

Jill Scott, ‘To Whom It May Concern’

Em To Whom It May Concern, Jill Scott coloca seu espírito aventureiro em primeiro plano. O disco passeia entre funk de Nova Orleans, go-go, blues ragtime, deep house, as batidas filtradas e os pianos assombrados típicos do trip-hop e do acid jazz dos anos 1990, além da house music. Suas performances soam refinadas e tecnicamente impressionantes, sustentadas pela experiência adquirida ao longo de quase 30 anos de carreira, sem perder o senso de diversão. A prova está em faixas como “Ode to Nikki”, em que troca versos de rap com Ab-Soul como uma mestre de cerimônias da velha escola dos anos 1990, e “Right Here, Right Now”, na qual Om’Mas Keith — conhecido por seu trabalho com Frank Ocean — conduz uma irresistível faixa de deep house. — M.R.

Sideshow, ‘Tigray Funk’

“Abençoado com um olhar atento”, reflete o rapper Sideshow em “Signs+Symbols”, a faixa de abertura estrondosa de sua obra em quatro discos, e tudo o que vem depois confirma essa afirmação. Entrelaçando canções curtas, porém poderosas, com uma parábola sobre as origens de predadores e presas, ele retrata os desafios e triunfos que viveu e testemunhou com honestidade brutal e habilidade lírica impressionante. Seu flow elástico se funde às caixas do trap em “I Am Da Captain” e desliza sobre as guitarras embriagadas de “International Soda Club”. — M.J.

Sturgill Simpson/Jonny Blue Skies, ‘Mutiny After Midnight’

Deixe para Sturgill Simpson a tarefa de suceder um álbum carregado de sofrimento amoroso com outro dominado pela fúria política e pelo desejo sexual escancarado. Mutiny After Midnight é turbulento e debochado, um disco suado, feito para balançar os quadris, executado pela banda Dark Clouds em plena forma. “Make America Fuk Again” apresenta a tese de Simpson: sexo é a cura para quase todos os males. Ele desenvolve essa ideia com humor irreverente (“Stay On That”), intimidade sincera (“Viridescent”) e paixão metafísica (“Venus”). Ao mesmo tempo, dispara críticas contra a violência da política contemporânea e a superficialidade da cultura pop em músicas como “Excited Delirium” e “Ain’t That a Bitch”, reforçando a noção de que unir as pessoas talvez dependa, literalmente, de elas se unirem. — Jon Blistein

Slayyyter, ‘Wor$t Girl in America’

A festa electro-sleaze do ano vem de uma verdadeira rainha do pop que finalmente alcança o reconhecimento que sempre mereceu. Slayyyter transforma Wor$t Girl in America em uma brilhante autobiografia musical: um coração rebelde movido a vinho laranja, glamour decadente e batidas distorcidas. O álbum conta a história de uma garota do Meio-Oeste americano obcecada por rock da era MySpace e pop provocativo — o que ela chama de “música de iPod”. Ela lamenta o sonho dos anos 2000 em “Brittany Murphy”, corre atrás da fama em “I’m Actually Kinda Famous”, desfila confiança em “Beat Up Chanels” e expressa sua fome metafórica por carne humana no hino de pista “Cannibalism”. — R.S.

Sluice, ‘Companion’

Não existe outro álbum como Companion, o segundo trabalho da banda Sluice. O disco começa com duas joias de indie pop repletas de ganchos melódicos, mergulha em reflexões folk belamente dissonantes que às vezes beiram poemas sonoros e termina com mais duas explosões de canções que deveriam ser grandes sucessos. Sluice é o projeto do compositor Justin Morris, especialista em encontrar o sublime no cotidiano — seja no mercado imobiliário, no trânsito de Asheville ou até em ser resenhado pelo Pitchfork. Ele também tem um talento especial para usar a produção como ferramenta narrativa. O momento em que a bateria entra em “Beadie” (“Eu costumava me mudar toda primavera / E agora não!”) talvez seja o instante mais emocionante de um disco indie em 2026. — Jon Blistein

Hemlocke Springs, ‘The Apple Tree Under the Sea’

O álbum de estreia de Hemlocke Springs, The Apple Under the Sea, marca a aguardada chegada em formato completo de uma artista pop excêntrica com enorme talento para criar histórias vívidas e cinematográficas. Ao longo das dez faixas, Springs interpreta personagens erráticos e incomuns, usando essas personalidades para questionar suas visões sobre religião, intimidade e sua identidade em constante transformação. “Não me sinto tão sozinha quando danço no meu quarto”, canta em “Be the Girl”, faixa de encerramento do disco. “Mesmo assim, pequenos pensamentos se infiltram quando penso em você.” Sua vida talvez não seja um conto de fadas, mas certamente é uma aventura — e The Apple Under the Sea convida o ouvinte a embarcar nessa jornada emocionante. — L.P.

Harry Styles, ‘Kiss All the Time. Disco, Occasionally’

Harry Styles passa boa parte de KissCo na pista de dança, inspirado por noites intensas nos clubes techno do submundo berlinense. O sucesso número um “Aperture” celebra essa sensação de libertação coletiva com o mantra “Nós pertencemos uns aos outros”. Kiss All the Time. Disco, Occasionally é repleto de pop exuberante, com hinos de pista como “Ready Steady Go” e “Dance No More” (“respeite sua mãe!”), mas também momentos introspectivos como “Karla’s Song”. “Coming Up Roses” é uma de suas baladas mais íntimas e bonitas, narrando a aproximação de duas pessoas assustadas que finalmente baixam a guarda. “Tropeço nas palavras e caio de cara na verdade”, canta ele. — R.S.

Sunn O))), ‘Sunn O)))’

A proposta do duo de drone metal Sunn O))) sempre foi proporcionar aquela rara sensação de transcendência provocada pelo volume extremo, quando os amplificadores movem o ar ao seu redor a ponto de quase derrubá-lo. Normalmente, essa experiência funciona melhor ao vivo, mas há algo especial nas seis faixas deste décimo álbum que as torna particularmente eficazes em fones de ouvido e sistemas de som domésticos. Os graves de “Does Anyone Hear Like Venom?” fazem os ouvidos vibrarem, enquanto as guitarras lentas e glaciais de Greg Anderson e Stephen O’Malley em “Everett Moses” parecem ressoar na mesma frequência do vermelho profundo da pintura de Mark Rothko que estampa a capa. Deixe-se perder na microfonia. — K.G.

Malcolm Todd, ‘Do That Again’

Em Do That Again, Malcolm Todd encontra o equilíbrio entre o romantismo sincero e a autoconsciência dolorosa, alinhando-se a artistas como Omar Apollo — com quem já excursionou —, Mk.gee e Steve Lacy, músicos que transitam livremente entre gêneros e têm talento para transformar grandes emoções em algo profundamente humano. “Jean Skirt” combina imagens de roupas espalhadas pelo chão com guitarras aquosas e sonhadoras, enquanto “Difficult Love” mergulha no único tipo de amor que ele parece conhecer sobre uma base suave influenciada pelo hip-hop. O álbum está repleto de momentos assim, em que a música remete a releituras caseiras e contemporâneas de sucessos dos anos 1980 ou do R&B dos anos 1990, enquanto as letras acrescentam novas nuances aos clássicos desgostos amorosos do pop. — J.D.

Tokischa, ‘Amor & Droga’

Tokischa, uma das maiores provocadoras da música latina, não economiza intensidade em seu aguardado álbum de estreia. Ao longo de 17 faixas, Amor & Droga revisita sua trajetória marcada por relacionamentos tóxicos, problemas com substâncias, traumas familiares e todos os pensamentos sombrios que surgem nesse caminho. Entre os destaques estão “Perreo Llorando”, um reggaeton melancólico, e “Surfboard”, produzida com a colaboração de Skrillex, cada uma revelando uma faceta diferente da artista em constante transformação. — M.G.

Trueno, ‘TURR4ZO’

Os três primeiros álbuns de Trueno eram profundamente conceituais, explorando os diversos elementos da cultura hip-hop que moldaram sua identidade artística. TURR4ZO representa um passo ousado adiante. Ao lado do produtor de longa data Tatool e do visionário espanhol El Guincho, Trueno cria um trabalho moderno, repleto de samples e experimentações. Tango e merengue se encontram na vibrante “X Las Llantas”, enquanto uma amostra assombrosa de Gustavo Cerati impulsiona “Zombi”, uma elegante faixa de trap sobre sua fascinação pela noite. Aos 24 anos, ele divide espaço tanto com contemporâneos — como María Becerra em “90s” e Milo J em “Pumas” — quanto com veteranos, incluindo Andrés Calamaro e o ícone uruguaio Rubén Rada. O álbum acompanha sua transformação de campeão de batalhas de freestyle em Buenos Aires a cidadão do mundo. — E.L.

Twisted Teens, ‘Blame the Clown’

Blame the Clown, do duo de Nova Orleans Twisted Teens, começa com guitarras garageiras saturadas e logo apresenta o lamento delicado de uma pedal steel guitar. Essa combinação simples e elegante sustenta o excelente segundo álbum da dupla. O vocalista Caspian Hollywell é uma figura respeitada da cena punk DIY, dono de uma voz rouca e poderosa capaz de transformar melodias familiares de rock em algo pessoal. Complementando sua aspereza está a pedal steel refinada e sensível de RJ Santos. As músicas contam histórias com urgência visceral, como em “100 Bill Is Gone!” e “Circus Clown”, mas também exploram o surreal (“I Operate”), o natural (“Little Seed”) e o místico (“Is It Real?”). Afinal, punk, assim como country, também é feito de três acordes e verdade. — Jon Blistein

Julieta Venegas, ‘Norteña’

Talvez leve alguns minutos para perceber o quão ousado é Norteña. Depois de anos vivendo em Buenos Aires, Julieta Venegas sentiu a necessidade de retornar às suas raízes mexicanas, e seu nono álbum de estúdio abraça a música que marcou sua infância em Tijuana. Em “La Línea”, um dueto com Yahritza Y Su Esencia sobre os traumas da política de fronteira, ela evoca o calor melódico característico de Juan Gabriel. Já “Leyendas de Tijuana” mistura acordeões norteños com seu instinto afiado para o pop alternativo. As colaborações com os ícones mexicanos Bronco e Natalia Lafourcade transbordam honestidade emocional. Um clássico latino-americano instantâneo, Norteña reafirma o talento extraordinário de Venegas como compositora e intérprete. — E.L.

Kurt Vile, ‘Philadelphia’s Been Good to Me’

O novo álbum de Kurt Vile tem de tudo: homenagens descontraídas à sua cidade natal, reflexões sobre Neil Young e Bruce Springsteen (“The Boss”), além de várias músicas sobre o quanto ele próprio gostou das canções enquanto as gravava. Vile descreveu seu novo material à Rolling Stone como “simples até demais”. Sob essa superfície despretensiosa existe uma reflexão tocante sobre lar, estabilidade, permanência e segurança, registrada em parte em seu estúdio caseiro. É sua coleção de músicas mais afiada em muitos anos e um belo testemunho sobre encontrar significado e encanto na meia-idade. — Jonathan Bernstein

Jordan Ward, ‘Backward’

“Sinto-me um estranho na minha própria vida”, canta Jordan Ward na abertura de seu segundo álbum, contrapondo guitarras acústicas exuberantes e flautas a uma sensação profunda de ambivalência. Essa mistura de charme e vulnerabilidade faz de Backward uma audição calorosa e envolvente. “Ross Fit” pulsa suavemente enquanto Ward transforma uma lesão recente sofrida durante corridas em metáfora para a velocidade excessiva da vida. Em “Noisy Neighbors”, ouvir os problemas dos vizinhos através da parede do apartamento desperta tanto irritação quanto empatia. Já “Smokin’ Potina” é uma das canções sobre maconha mais pé no chão que se pode imaginar. — J.D.

Lucinda Williams, ‘World’s Gone Wrong’

Aos 73 anos, Lucinda Williams conecta a tradição da música de raízes americanas às angústias da classe trabalhadora em seu 16º álbum, fortemente político. Faixas como a pancada southern rock “How Much Did You Get for Your Soul” e a amarga “Punchline” atacam a oligarquia, enquanto outros momentos destacam esperança e resiliência diante das dificuldades. A visão de mudança proposta por Williams é multigeracional: ela divide o disco com artistas como Big Thief, a lenda soul Mavis Staples e Norah Jones, com quem interpreta a bela valsa country “We’ve Come Too Far to Turn Around”. — J.D.

Yaya Bey, ‘Fidelity’

A cantora e compositora nova-iorquina Yaya Bey transforma o conceito de luto negro em algo mais amplo e complexo. Seu álbum conecta perdas pessoais, comunidades devastadas por condições sociais adversas e a perda da esperança em longas canções influenciadas pela soul music. Seu talento lírico torna o disco repleto de versos memoráveis, enquanto a atenção aos detalhes sonoros aprofunda ainda mais sua mensagem. Os ruídos eletrônicos defeituosos de “At the Ocean” revelam a dor escondida sob a superfície da música, enquanto as flautas e os metais de “Higher” impulsionam a faixa para alturas impressionantes. — M.J.

Yebba, ‘Jean’

A cantora e compositora nascida no Arkansas Yebba mergulha em temas ligados ao amadurecimento em seu segundo álbum. O trabalho percorre o folk espectral de fogueira em “Yellow Eyes”, as referências ensolaradas ao Laurel Canyon em “Earth, Wind & California”, o bubblegrunge digital e pegajoso de “Aggressive” e até uma fusão de two-step com bedroom pop em “Of Course”. Mesmo enquanto busca respostas para grandes questões existenciais, Yebba transmite confiança. Suas letras intrincadas e seu espírito experimental sugerem que ela está tão preparada quanto possível para enfrentar tudo o que vier pela frente. — M.J.

Youbet, ‘Youbet’

O professor de música nova-iorquino Nick Llobet — cujos ex-alunos incluem um integrante da banda Geese, o que já é uma credencial e tanto em 2026 — transformou seu projeto solo de longa data em uma dupla ao lado do também professor de rock Micah Prussack e acabou criando um dos melhores lançamentos indie do ano. Os ágeis malabarismos de guitarra de Llobet e seus vocais cheios de urgência encontram o complemento perfeito nas harmonias precisas e no instinto instrumental de Prussack em músicas como a explosão grunge “Receive”, o sussurro folk “Nadia” e o discreto hino de rock alternativo “Worship”. É um prazer testemunhar um artista que passou anos aperfeiçoando sua arte finalmente desabrochar de forma tão vibrante. — S.V.L.

Xaviersobased, ‘Xavier’

Xavier Lopez, o nova-iorquino de 22 anos que passou os últimos anos ajudando a redefinir as fronteiras do rap online, transita com naturalidade por sons raros e microtendências da internet em seu álbum de estreia. Xavier percorre 21 faixas em menos de uma hora, cada uma recheada de detalhes sonoros cintilantes e versos casualmente inteligentes. Em “iPhone 16”, uma joia do cloud rap coberta por reverberações, ele canta: “Ser inteligente é difícil, a ignorância é uma bênção”. Se você faz parte da geração nativa digital como Xavier, provavelmente esse disco soa como um novo Illmatic. Se seus fones de ouvido já carregam um pouco mais de experiência, encare-o como um passaporte para o underground do rap digital contemporâneo — e agradeça por isso. — S.V.L.

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