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O Papa se manifesta sobre a guerra: ‘Deus não abençoa nenhum conflito’

O Papa Leão XIV se recusa a suavizar suas críticas à guerra de Donald Trump contra o Irã.
“Deus não abençoa nenhum conflito. Quem é discípulo de Cristo, o Príncipe da Paz, jamais estará do lado daqueles que outrora empunharam a espada e hoje lançam bombas”, escreveu Leo na manhã desta sexta, 10, no X. “A ação militar não criará espaço para a liberdade ou para tempos de #Paz, que só advém da promoção paciente da coexistência e do diálogo entre os povos.”
Leo, natural de Chicago e o primeiro papa americano nos 2000 anos de história da Igreja Católica, tem sido um crítico ferrenho do conflito no Oriente Médio desde que os Estados Unidos e Israel começaram a atacar o Irã em fevereiro. A publicação de Leo nas redes sociais parece ser, pelo menos em parte, uma resposta à invocação repetida de Deus pelo governo Trump durante a operação.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em particular, tem apresentado o conflito como uma guerra santa travada “em nome de Jesus Cristo”.
Em uma coletiva de imprensa na última quarta, 8, Hegseth — ex-apresentador da Fox News que ostenta não uma, mas duas tatuagens com temas de cruzada — disse aos repórteres sobre o suposto cessar-fogo: “Deus merece toda a glória. Dezenas de milhares de ataques realizados sob a proteção da providência divina. Um esforço massivo com proteção milagrosa. Deus é bom.”
O Papa também escreveu na sexta: “Uma violência absurda e desumana se espalha ferozmente pelos lugares sagrados do Oriente cristão. Profanada pela blasfêmia da guerra e pela brutalidade dos negócios, sem qualquer consideração pela vida das pessoas, que são consideradas, no máximo, dano colateral do interesse próprio.”
“Nenhum ganho pode valer a vida dos mais fracos, das crianças ou das famílias. Nenhuma causa pode justificar o derramamento de sangue inocente”, acrescentou.
Leo tem se posicionado veementemente contra o belicismo nacionalista cristão de seu país. Segundo relatos, o Pentágono não ficou nada satisfeito com isso.
Na última segunda, o jornal The Free Press noticiou que, em janeiro — à medida que as críticas indiretas de Leo à administração Trump se tornavam mais contundentes e ganhavam mais destaque na mídia —, o Pentágono convocou o ex-embaixador americano da Santa Sé, Cardeal Christophe Pierre, que se aposentou em março, para uma reunião. Lá, o cardeal foi advertido de que os militares americanos tinham o “poder de fazer o que quisessem — e que a Igreja faria bem em ficar do lado deles”. Fontes disseram ao The Free Press que, em determinado momento, funcionários do Departamento de Defesa invocaram o Papado de Avignon, um período de 67 anos no século XIV durante o qual o papado foi efetivamente mantido como refém sob controle francês na cidade de Avignon — e não em Roma.
O Papado de Avignon começou com o sequestro e a morte do Papa Bonifácio VIII, após longos períodos de conflito político com o Rei Filipe IV da França. Após a morte de Bonifácio, Filipe forçou a eleição de um pontífice francês favorável às suas ambições políticas e manteve a corte papal em sua região. O papado permaneceria sob controle francês por sete papas, antes de retornar a Roma sob o Papa Gregório XI. Nenhum francês jamais foi elevado ao papado novamente.
Trata-se de uma grave ameaça histórica contra representantes do Vaticano, especialmente após a eleição histórica de um papa americano. O Pentágono e a Casa Branca negaram a reportagem, e o embaixador dos EUA junto à Santa Sé afirmou que o Cardeal Pierre também negou a versão da mídia sobre o encontro de janeiro.
As postagens de Leo na sexta vêm dias depois de ele ter escrito na Páscoa que “a morte está sempre à espreita. Nós a vemos na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que surge de todos os cantos por causa dos abusos que esmagam os mais fracos entre nós, por causa da idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, por causa da violência da guerra que mata e destrói.”
Dias depois de Hegseth ter criticado os repórteres em março por não darem à guerra uma cobertura suficientemente positiva, Leo escreveu que “é dever de todo jornalista verificar as notícias, para não se tornar um megafone do poder. Devem mostrar o sofrimento que a guerra sempre traz às populações, o que implica mostrar a face da guerra e relatá-la pelos olhos das vítimas”.
As tensões entre o Vaticano e o governo Trump aumentaram tanto que, segundo relatos, Leo cancelou uma visita planejada aos Estados Unidos neste verão e pode evitar viagens ao país onde nasceu enquanto Trump permanecer no cargo.
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