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Música

O Marco de Jay-Z no Carnaval de Notting Hill: Antecipando o Futuro do Hip Hop em 1997

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Em 1997, na última segunda-feira de agosto, precisamente às 17h19, Dillon Moulder capturou uma imagem que se tornaria um registro histórico. Posicionado em um espaço social fora da Thorpe Close, em Ladbroke Grove, ele testemunhou a preparação para a entrada de Jay-Z no palco do icônico Carnaval de Notting Hill, sob a Westway.

Moulder, que na época atuava como A&R para uma gravadora independente baseada em Ladbroke Grove, estava acompanhando um de seus artistas, o rapper britânico Mr45, que se apresentaria no palco de Tim Westwood na Radio 1. Após um dia de interações com músicos e profissionais da indústria, incluindo um breve encontro com Damon Dash e Jay-Z, Moulder, por acaso, estava com sua câmera em mãos. A fotografia foi tirada momentos antes de Jay-Z iniciar sua performance, que começou por volta das 17h20.

Um Lineup Sem Precedentes no Oeste de Londres

A lista de artistas daquele dia era extraordinária: Jay-Z, Busta Rhymes, Rampage, Common, Lil’ Kim, The LOX, Beenie Man, EPMD, além de uma constelação de talentos britânicos e jamaicanos, todos convergindo para a mesma área do oeste de Londres.

Moulder relembra a raridade de tal evento: "Você já se dava por sorte se conseguisse ver um artista de hip hop, talvez, a cada trimestre ou a cada seis meses. Ter tantos artistas dos EUA no mesmo palco, no mesmo dia, foi algo sem precedentes." Essa confluência de talentos sublinhava a importância crescente do hip hop no cenário global.

O Momento Crucial na Carreira de Jay-Z

Com 27 anos, Jay-Z estava um ano após o lançamento de "Reasonable Doubt" e a poucos meses de "In My Lifetime, Vol. 1". Sua ascensão no Reino Unido era constante; "Reasonable Doubt" havia sido licenciado por um selo britânico, e Moulder recorda-o abrindo para os Fugees na Wembley Arena em maio daquele ano. Em julho, Jay-Z já estampava a capa da revista britânica "Hip Hop Connection".

Apesar do reconhecimento, a oportunidade de vê-lo ao vivo era rara. "As pessoas conheciam as músicas, conheciam os clipes, mas não tinham visto ele se apresentar", explica Moulder. No Carnaval, a expectativa em torno de sua performance era palpável.

Musicalmente, Jay-Z encontrava-se em um ponto de transição. "Reasonable Doubt" o havia estabelecido entre os puristas do "hip hop de verdade". Contudo, as novas faixas que precediam "In My Lifetime" eram mais polidas, alinhadas ao som da Bad Boy que dominava Nova York. Moulder observou: "Acho que havia uma certa desconfiança sobre para onde o Jay ia, mas não o bastante para as pessoas perderem o interesse. Só estava despertando curiosidade sobre qual direção ele tomaria."

A Performance Inesquecível e Suas Implicações

O show no Carnaval capturou Jay-Z exatamente nesse ponto de sua jornada artística. Moulder recorda que a apresentação começou com "Ain’t No…", seguida por "Who You Wit", que já era popular em clubes e rádios britânicos. Jay-Z também introduziu "Sunshine" e "Streets Is Watching", ambas de seu álbum futuro, e entregou os versos de "Imaginary Player" sobre a batida de "The Rain", de Missy Elliott.

Moulder sugere que aquela pode ter sido a primeira vez globalmente que o verso de "Imaginary Player" foi ouvido, ressaltando o "talvez". Dois dias antes, Jay-Z havia participado do programa de rádio nacional de Westwood na Radio 1, intensificando a expectativa para sua performance no Carnaval. "As pessoas estavam prontas para aquela segunda-feira, sem nenhuma dúvida."

O Papel de Tim Westwood e o Contexto Histórico

Tim Westwood desempenha um papel inseparável nesta narrativa. Em 1997, ele era o principal DJ de hip hop da Radio 1, e seu palco no Carnaval havia se consolidado como um ponto de encontro essencial para os fãs do gênero. Desde então, Westwood foi acusado de 15 crimes sexuais envolvendo sete mulheres, incluindo quatro acusações de estupro, e declarou-se inocente em todas, com julgamento previsto para o próximo ano.

Para os eventos de 1997, sua influência era clara. O artista de Moulder estava lá por convite de Westwood, que no ano anterior havia trazido Foxy Brown ao Carnaval. Moulder afirma que, em 1997, o palco de Westwood havia atingido seu ápice em termos de tamanho e popularidade.

O Legado Duradouro do Carnaval de Notting Hill

Neste fim de semana, o Carnaval de Notting Hill celebra seu 60º aniversário, marcando seis décadas desde a festa de rua de 1966 organizada por Rhaune Laslett, que é apontada como o início do Carnaval moderno. Moulder observa diversas transformações desde os anos 1990, como o aumento da presença comercial e um ambiente mais controlado. Ele também refuta a associação entre o Carnaval e a criminalidade: "Carnaval não é sinônimo de crime. Crime é sinônimo de, você sabe, em qualquer lugar onde há uma grande aglomeração de pessoas, sempre vai haver algum elemento de crime."

Para Moulder, a verdadeira história reside na preservação cultural do evento. "Musicalmente, o Carnaval é vital", ele afirma. "É um dos maiores eventos da comunidade negra na Europa, possivelmente no mundo. Não deveria ser visto apenas como algo do Reino Unido." A cultura dos sound systems, um pilar do Carnaval, continua sendo um elemento central, com muitos dos mesmos sistemas que Moulder recorda da época da apresentação de Jay-Z ainda presentes.

Fonte: https://rollingstone.com.br

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