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O Centenário de “O Assassinato de Roger Ackroyd”: Por Que a Obra de Agatha Christie É o Melhor Romance Policial

Em 2013, a Associação Britânica de Escritores Policiais (CWA) elegeu "O Assassinato de Roger Ackroyd", de Agatha Christie, como o melhor romance do gênero de todos os tempos. A votação, realizada nas comemorações do 60º aniversário da associação, posicionou a obra da "Rainha do Crime" acima de outros clássicos renomados, como "O Cão dos Baskervilles" de Arthur Conan Doyle e "O Silêncio dos Inocentes" de Thomas Harris.
A Revolução do "Plot Twist" e a Publicação da Obra
O romance, que celebra seu centenário, teve sua primeira aparição como folhetim no jornal London Evening News entre julho e setembro de 1925, sob o título "Quem Matou Ackroyd?". A versão em livro foi lançada em 27 de maio de 1926, e chegou ao Brasil em 1933, traduzido por Leonel Vallandro. Renan Castro, editor-assistente da Globo Livros, destaca que o enredo possui características imitadas, mas jamais igualadas, sendo um clássico instantâneo. A reviravolta final, hoje conhecida como "plot twist", foi um marco que continua a ser celebrado na literatura e no audiovisual do gênero.
As Inspirações por Trás da Narrativa Inovadora
Em "Uma Autobiografia", Agatha Christie atribui a inspiração para "O Assassinato de Roger Ackroyd" a duas figuras próximas: seu cunhado James Watts e o lorde Louis Mountbatten. A escritora considerou este seu romance de maior sucesso. Watts expressou o desejo de ler um livro onde até mesmo o "Watson" – em alusão ao famoso narrador e escudeiro de Sherlock Holmes – fosse o criminoso. Posteriormente, Mountbatten sugeriu a ideia de uma história narrada em primeira pessoa por quem, no desfecho, se revelaria o assassino.
Incapaz de conceber o Capitão Arthur Hastings, fiel companheiro de Hercule Poirot, como um assassino, Christie o removeu da trama, enviando-o para a Argentina. Assim, o Dr. James Sheppard, médico da pacata King's Abbot, foi promovido a narrador. A autora sempre defendeu que, apesar de muitos considerarem a obra enganosa, uma leitura atenta revelaria que todas as pistas estavam presentes para o leitor. Jared Cade, autor focado na vida de Christie, classifica a obra como o melhor romance policial do século 20, elogiando sua simplicidade enganosa e a maneira como desafiou as regras do gênero. Susanne Lieder, biógrafa, salienta que Christie revolucionou o gênero ao surpreender os leitores com um assassino inesperadamente simpático, alterando a percepção da responsabilidade do leitor em suspeitar de todos os personagens.
Agatha Christie: Uma Estrela Já Ascendente
Contrariando a lenda popular de que "O Assassinato de Roger Ackroyd" catapultou Agatha Christie à fama, a escritora já era uma figura notável antes de 1926. Seu site oficial registra a publicação de cinco romances policiais anteriores: "O Misterioso Caso de Styles" (1920), "O Inimigo Secreto" (1922), "Assassinato no Campo de Golfe" (1923), "O Homem do Terno Marrom" (1924) e "O Segredo de Chimneys" (1925). Tito Prates, biógrafo e presidente da Aberst, reforça que Christie já era uma "estrela em ascensão" no início da década de 1920, com mais de 70 contos publicados em revistas nos Estados Unidos e na Inglaterra, solidificando sua posição como uma força literária muito antes do centenário de sua obra mais celebrada.
Fonte: https://g1.globo.com
