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Música

Mulheres guitarristas estão tendo seus vídeos roubados e substituídos por IA

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A proliferação de ferramentas de inteligência artificial traz consigo alguns malefícios. Um deles é o roubo de conteúdo — um fenômeno que passou a se mostrar particularmente grave com relação a mulheres guitarristas.

Em entrevista à Guitar World, a inglesa Sophie Burrell, que possui 866 mil inscritos no YouTube, relatou um episódio no qual identificou alguém roubando um vídeo seu e usando IA para mudar a aparência de quem estava tocando. Segundo a guitarrista, era algo digno da série da Netflix Black Mirror:

“Estava navegando pelo TikTok e fui recomendada um vídeo de uma ‘garota’ tocando guitarra. Era idêntico ao meu setup. Mesmo ângulo de câmera, mesmo quarto, mesma guitarra, mesmos movimentos. Demorou menos de um segundo para perceber que era literalmente meu vídeo, mas eu havia sido substituída por uma personagem gerado por IA. Parecia algo saído de Black Mirror. Fico pasma que, ao invés de aprender um instrumento ou desenvolver uma habilidade, pessoas preferem roubar o trabalho de outros.”

Burrell ainda chamou atenção para outro aspecto da questão: esses vídeos são chamariz para vender algo nada a ver com as artistas originais. Ou até mesmo algo pior. A guitarrista britânica Sophie Lloyd relatou à mesma reportagem da Guitar World que usam sua imagem e voz para aplicar golpes financeiros:

“Já recebi dezenas de emails de pessoas alegando que estavam em contato comigo através de chamadas de vídeo por meses – claramente estelionatários usando IA. Alguns dos casos são devastadores, com pessoas perdendo quantias gigantes de dinheiro.”

TikTok acusado de negligência

Outro aspecto levantado na matéria foi a postura das plataformas de redes sociais com relação a isso. A guitarrista brasileira Larissa Liveir chegou a acusar o TikTok diretamente de ser negligente quanto a contas fingindo ser outras pessoas com IA:

“O TikTok frequentemente diz que não há problema de contas usarem o meu nome, minhas fotos, conteúdo gerado por IA e comentários pedindo para pessoas mandarem mensagens privadas, mesmo que isso leva a conversas onde o público pode ser manipulado e sofrer golpes.”

Tecnologia em si não é o problema

Apesar das artistas entrevistadas em grande parte concordarem que o problema não é a tecnologia e sim como alguns a usam, há um consenso quanto à necessidade das redes sociais fiscalizarem esse tipo de conteúdo.

Uma sugestão, feita pela brasileira Mari Zaghete, é impedir a monetização de vídeos criados ou modificados por IA. Segundo ela, se for removido o incentivo financeiro de produzir material do tipo, o interesse dos golpistas irá se esvair.

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