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Moisés Navarro Lança ‘Alguém Cantando’: Uma Homenagem a Jessé e o Debate sobre o Foco no Repertório

A cultura musical brasileira revisita a obra de <b>Jessé</b> (1952 – 1993), voz marcante que nos deixou há 33 anos, com uma trajetória iniciada cerca de meio século atrás. O cantor mineiro Moisés Navarro lança o álbum <i>Alguém Cantando</i>, um tributo que busca resgatar a memória desse artista. Contudo, a seleção de faixas do trabalho de Navarro acende um debate sobre a abordagem do legado musical de Jessé.
A Ascensão de Jessé: Dos Pseudônimos à "Porto Solidão"
Nascido Jessé Florentino Santos, o artista fluminense iniciou sua jornada fonográfica em 1976, adotando pseudônimos como Christie Burgh e Tony Stevens, prática comum à época para simular astros estrangeiros. Seu reconhecimento nacional veio em 1980, ao defender "Porto Solidão" no Festival MPB-80 da TV Globo. A canção, que se tornou um de seus maiores sucessos, consolidou sua identidade artística sob o nome <i>Jessé</i> e o projetou como um cantor de timbre potente. Sua trajetória foi abruptamente interrompida em 1993, um mês antes de completar 41 anos, devido a um acidente automobilístico em Ourinhos (SP).
"Alguém Cantando": O Tributo de Moisés Navarro a Jessé
Com lançamento previsto para 13 de novembro pela Companhia de Discos do Brasil, o álbum <i>Alguém Cantando</i>, dirigido musicalmente pelo pianista Alexandre Vianna, resgata a memória de Jessé. O título da obra é uma homenagem à composição de Caetano Veloso, lançada em 1977 e regravada por Jessé uma década depois no disco <i>Eterno Menino</i> (1987). Navarro interpreta "Porto Solidão" em dueto com Claudya, revisitando um dos pilares da discografia do artista homenageado.
O Repertório: Entre a Identidade e a Dissociação Sonora
Mais da metade do repertório de <i>Alguém Cantando</i> inclui canções que, embora gravadas por Jessé em sua carreira, não são amplamente associadas à sua inconfundível voz potente na memória popular. Exemplos notáveis são "A Noite do Meu Bem" (Dolores Duran, 1959), "Onde Está Você" (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, 1963), "Romaria" (Renato Teixeira, 1977) e "Irmãos da Lua" (Renato Teixeira, 1982) – músicas presentes em seu álbum ao vivo <i>O Sorriso ao Pé da Escada</i> (1983) ou no disco <i>Jessé</i> (1982). A faixa "Paz do Meu Amor" (Luiz Vieira, 1963), do derradeiro álbum de Jessé, <i>Raízes</i> (1992), também integra essa seleção, contribuindo para a percepção de um repertório desafiador.
Por outro lado, o álbum de Navarro inclui faixas mais alinhadas ao período de ascensão de Jessé, como "Campo Minado" e "Voa, Liberdade", ambas lançadas no primeiro disco solo de Jessé, em 1980, após o sucesso de "Porto Solidão". A canção "Solidão de Amigos" (1982), apresentada por Jessé no álbum homônimo de 1982, é interpretada por Moisés Navarro em colaboração com Zeca Baleiro e Chico Lobo. Essa mescla de escolhas gera uma discussão sobre o foco temático do tributo, equilibrando músicas consagradas a Jessé com outras menos vinculadas à sua imagem pública.
Fonte: https://g1.globo.com
