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Maria Bethânia 80 Anos: A Força Intacta do Canto que Educa, Comove e Inebria

Nascida em 18 de junho de 1946, Maria Bethânia celebra 80 anos nesta quinta-feira com uma trajetória artística inatacável. Sua carreira é marcada pela altivez de um canto sobrenatural que, de forma singular, tem a capacidade de educar, comover e, não raro, inebriar públicos Brasil afora, movida por uma espiritualidade profunda que a consagra como uma divindade no panteão da MPB.
O Canto que Educa e Inspira
O poder educativo do canto de Bethânia reside em sua habilidade de transcender fronteiras. Através de sua voz, versos de poetas como Fernando Pessoa e Clarice Lispector escaparam dos nichos literários, alcançando um vasto público e revelando a força da palavra. Ela também nos conduz pela estrada de um sertão que resiste aos vícios da industrialização e nos leva às rodas de Santo Amaro da Purificação (BA), berço de sua arte.
A influência de sua mãe, Dona Canô, é uma força motriz em sua expressão, presente nas louvações a santos e orixás, bem como nos sambas-canção da era do rádio. Bethânia não segue a onda; ela a cria, revelando talentos e obras de compositores como Roberto Mendes que, sem sua projeção nacional, poderiam ter permanecido desconhecidos fora de seus redutos locais.
A Voz que Comove e Transforma
A capacidade de Bethânia de comover reside na inteligência rara com que sua voz grave transita entre a delicadeza e a dramaticidade. Desde sua estreia em fevereiro de 1965, com 'Carcará' no palco de Copacabana, a artista imbuiu alta carga de teatralidade em seu canto, uma marca que a conecta à admiração por estrelas como Dalva de Oliveira.
Dona de um dom singular, ela manipula emoções, baixando os tons para ruminar mágoas e solidões, ou elevando-os em um canto potente que expressa vingança e paixão, com os olhos imponentes fixos nas plateias embevecidas. Sua fidelidade a si mesma e sua aversão a rótulos e modismos permitiram que atravessasse seis décadas de carreira com autenticidade, interpretando compositores diversos – de Roberto Carlos e Caetano Veloso a Chico Buarque e Adriana Calcanhotto – como se cada canção fosse feita exclusivamente para ela. Sua entrega depura a palavra, abafando arranjos e instrumentistas, garantindo que todas as atenções se voltem para a intérprete.
A Magia que Inebria e Permanece
Finalmente, o canto de Maria Bethânia inebria pela sua dimensão sobrenatural. Mais do que uma simples melodia, há uma energia poderosa que irradia quando ela solta a voz, entregando-se palavra por palavra à magia do palco. O brilho em seus olhos, que nunca arrefeceu em 63 anos de carreira iniciada em Salvador (BA), é um testemunho dessa força.
Maria Bethânia é tão grandiosa quanto a Mangueira, que celebrou a 'Menina de Oyá' em seu desfile campeão de 2016. Em 2026, com a ausência física da maioria das grandes cantoras de MPB surgidas nos anos 1960, ela permanece como uma estação primeira da música brasileira, uma força sobrenatural que ainda desafia explicações e continua a inspirar, com uma presença monumental que parece estar longe de se esgotar.
Fonte: https://g1.globo.com
