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Mais de 5 milhões de abelhas foram encontradas sob um cemitério
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As abelhas que fazem ninhos no solo chamam a atenção de muitos cientistas, especialmente quando aparecem em números elevados em locais pouco prováveis, como cemitérios urbanos, e hoje já são reconhecidas como polinizadores essenciais para ecossistemas naturais e agrícolas, apesar de ainda passarem quase invisíveis ao público em geral.
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O que torna as abelhas que fazem ninhos no solo tão numerosas?
O assunto central refere-se às espécies escavadoras, representadas por centenas de tipos distintos. Enquanto algumas vivem em comunidade, a maioria possui hábitos solitários, com fêmeas construindo ninhos independentes. Em locais ideais, é comum encontrar aglomerações massivas, onde milhões de galerias subterrâneas coexistem em uma mesma área.
Estima se que mais de 70 por cento de todas as espécies de abelhas conhecidas no mundo façam ninho diretamente no solo. Em alguns ecossistemas agrícolas e naturais, elas podem responder por 50 a 80 por cento das visitas florais registradas, superando em número de visitas outras abelhas sociais e espécies que nidificam em cavidades.
Como é o ciclo de vida das abelhas que vivem no solo?
Compreender o ciclo de vida das abelhas que vivem no solo ajuda a explicar por que podem atingir números tão elevados e ao mesmo tempo permanecer quase invisíveis. Em muitas espécies, como Andrena regularis, os adultos estão ativos apenas por algumas semanas ao ano, geralmente na primavera.
Nesse período curto, as fêmeas acasalam, constroem galerias no solo e preparam pequenas câmaras onde depositam néctar e pólen que servirão de alimento para as larvas. Depois de colocar o ovo, a célula é selada e a larva desenvolve se protegida, passando por pupa e diapausa até a estação seguinte, quando emergem os novos adultos.
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Por que cemitérios podem abrigar milhões de abelhas que fazem ninhos no solo?
No cemitério East Lawn, em Ithaca, cientistas documentaram uma das maiores concentrações conhecidas de abelhas subterrâneas. A espécie dominante, Andrena regularis, foi registrada naquela área desde a década de 1930, o que indica ocupação contínua de longo prazo, com estimativa recente de cerca de 5,6 milhões de indivíduos em 6.500 metros quadrados.
Alguns fatores ajudam a explicar esses números e ilustram por que cemitérios e outras áreas urbanas funcionam como refúgios ecológicos. Esses locais apresentam solo relativamente estável, pouca perturbação intensa e disponibilidade de flores próximas que fornecem alimento na primavera, além de menor uso de pesticidas em comparação com áreas agrícolas.
Em estudos recentes, pesquisadores destacam que espaços urbanos semelhantes compartilham características que favorecem essas abelhas. Entre as condições mais frequentes estão
- Solo bem drenado e pouco compactado, que facilita a escavação dos túneis
- Baixa circulação de máquinas pesadas e pisoteio reduzido ao longo do ano
- Presença de flores nativas e jardins próximos oferecendo néctar e pólen
- Manutenção moderada, sem cortes de relva muito frequentes nem uso intenso de pesticidas
Como áreas urbanas podem proteger abelhas de ninho no solo?
O caso do cemitério em Nova Iorque mostra que espaços urbanos podem funcionar como refúgios importantes para abelhas de ninho terrestre quando o manejo é adequado. Pequenas mudanças de rotina em jardins, praças e quintais já fazem diferença na conservação desses polinizadores discretos.
Para favorecer esses polinizadores nas cidades, gestores e moradores devem preservar áreas de solo exposto e cultivar flores nativas com floração escalonada. É essencial evitar o uso de pesticidas e restringir intervenções pesadas no terreno durante a primavera, respeitando o período de maior atividade dessas espécies para garantir sua permanência no ecossistema urbano.
