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Lilia Cabral Imprime a Leveza de Rita Lee em ‘Balada da Louca’, Monólogo que Desvenda a Condição Humana na Partida

Lilia Cabral protagoniza 'Rita Lee – Balada da louca', um monólogo musical que mergulha na essência de Rita Lee (1947 – 2023) e sua percepção da vida diante da iminência da partida. A encenação, baseada em 'Outra autobiografia', o segundo livro de memórias da artista, explora com sensibilidade e leveza a jornada humana em momentos cruciais. O espetáculo, que já é destaque na cena cultural de São Paulo, consolida a rica contribuição de Rita Lee ao entretenimento e à música brasileira.
A Inspiração Póstuma e a Dramaturgia
Lançado postumamente em 22 de maio de 2023, 'Outra autobiografia' é um dos grandes sucessos literários recentes no Brasil, dando sequência a 'Uma autobiografia' (2016). O livro narra com verve os dias de luta de Rita Lee após o diagnóstico de câncer no pulmão em 2021, quando a artista, já com 73 anos, enfrentou um prognóstico de vida limitado, transformando suas experiências em uma crônica poderosa sobre a finitude e a resiliência.
A adaptação para o palco, idealizada e dramaturgicamente elaborada por Guilherme Samora, resultou em 'Rita Lee – Balada da louca', que estreou em 22 de maio de 2026 no Teatro Faap, em São Paulo, e segue em cartaz até 9 de agosto. Sob a direção de Beatriz Barros e direção musical de Dani Nega, a obra não se configura como um musical tradicional, mas sim como um monólogo pontuado por elementos musicais, com o piano de Roberto de Carvalho em off.
A Expressividade de Lilia Cabral
Lilia Cabral, uma das maiores atrizes do Brasil e paulistana como Rita Lee, personifica a roqueira com notável naturalidade. Sua atuação transita do riso ao choro em instantes, mantendo sempre um tom sereno e evitando qualquer apelo ao sentimentalismo, traço que se alinha à escrita incisiva da homenageada. A peça, de 70 minutos, é costurada pela leveza e mordacidade típicas de Rita Lee, transformando uma narrativa sobre a decadência física em uma experiência humana profunda no teatro.
Desde a abertura, Lilia Cabral entoa 'Nem luxo nem lixo' (1980), um dos sucessos da parceria de Rita com Roberto de Carvalho. A direção sensível de Beatriz Barros emprega simbologias, como o manejo do acordeom para evocar o movimento dos pulmões, contribuindo para a aura quase sagrada que a peça constrói em torno de 'Santa Rita de Sampa', suavizando a exposição da decadência física presente no livro original.
Reflexões e Despedida
Em um momento singular, próximo ao desfecho, Lilia Cabral quebra a quarta parede para expressar sua admiração pessoal por Rita Lee desde a adolescência, retornando em seguida à personagem. O monólogo se encerra com a marcha pop 'Dias melhores virão' (1989), composta por Rita Lee e Roberto de Carvalho, uma canção que ressoa a ideia de novos começos, simbolizando que 'depois da estrada, começa uma nova avenida', e complementando o legado artístico de Rita Lee no teatro brasileiro.
Fonte: https://g1.globo.com
