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Joyce Moreno: A Maestria Rítmica da ‘Hard Bossa’ em ‘Never Too Soon’

Joyce Moreno apresenta 'Never Too Soon', seu novo álbum com nove faixas, produzido em colaboração com Tutty Moreno. Lançado em 30 de outubro, o trabalho reafirma a notável carreira da artista com uma avaliação crítica de quatro estrelas.
A Essência Autoral e Novas Composições
Entre as composições inéditas e autorais, destaca-se 'Respira Fundo', um samba que, após projeções iniciais mais sombrias, se abre para a esperança, simbolizada pelo coro familiar com sua filha, Ana Martins, e os netos Miguel Martins e Tom Andrade. Esta faixa, ao lado do afro-samba 'Não à Toa', que abre o disco em tons graves, evidencia a coesão do álbum, mais um título lançado pela gravadora inglesa Far Out Recordings, parceira da artista desde o seminal 'Hard Bossa' de 1999.
Renovação Sonora e Colaborações Marcantes
Gravado no Rio de Janeiro (RJ), o disco 'Never Too Soon' conta com a produção musical orquestrada por Joyce e o baterista Tutty Moreno. A artista explora a swingueira com frescor, mesmo em faixas com raízes clássicas como 'Chovendo na Horta (For my brother Toninho)', um samba-jazz instrumental composto em homenagem a Toninho Horta, que participa da gravação. A obra demonstra uma sonoridade que, embora atemporal, soa sempre renovada.
Diálogo com o Passado: Regravações e Releituras
O repertório inclui a regravação de 'Aldeia de Ogum', canção originalmente do álbum 'Feminina' (1980), que teve grande repercussão nas pistas europeias nos anos 90, abrindo portas internacionais para a artista após um período de boicote de gravadoras brasileiras. A nova versão de 'Aldeia de Ogum' é enriquecida pelos sopros arranjados por Nailor Proveta, que também assina os metais da envolvente abordagem de 'Beija-me' (Roberto Martins e Mário Rossi, 1943), um clássico eternizado na voz de Cyro Monteiro.
O Ritmo Inconfundível da Hard Bossa
Essencialmente, 'Never Too Soon' é um disco de balanço e groove. O andamento pode variar da quase melancólica bossa nova de 'Saudade', com sua letra minimalista que repete a palavra-título, ao frenético afro-samba-jazz da faixa-título, cantada em inglês. Em qualquer cadência, Joyce Moreno demonstra seu total domínio do ritmo, tanto como cantora quanto como instrumentista, especialmente em seu violão que já encantou mestres como Antonio Carlos Jobim.
A Banda e o Legado Contínuo
A banda-base do álbum, composta por Tutty Moreno na bateria, Jorge Helder no baixo, Lula Galvão no violão e guitarra, e Marcos Nimrichter nos teclados, atua em perfeita sintonia com a artista. O trabalho se encerra com '4:08', uma canção em inglês pontuada pelo trompete de José Arimatéa, reiterando que a 'hard bossa' de Joyce Moreno permanece vibrante e atual, mantendo o samba-jazz relevante em qualquer conjuntura musical ou social.
Fonte: https://g1.globo.com
