Música
Janet Jackson não permitiu que fosse retratada em ‘Michael’

Nesta quinta, 23, estreou nos cinemas brasileiros a nova cinebiografia do Rei do Pop, Michael. A maioria dos membros da família Jackson foi retratada no longa, mas uma ausência em específico foi notada pelos fãs: a lenda do R&B, Janet Jackson, irmã de Michael, não está presente.
Sua irmã, La Toya Jackson, explicou que Janet não permitiu que fosse retratada na obra. “Eu gostaria que todos estivessem no filme”, disse à Variety durante a estreia do longa em Los Angeles, nesta segunda, 2o. “Ela foi convidada e gentilmente recusou, então temos que respeitar a vontade dela.”
O longa da Universal Pictures retrata a vida e carreira de Michael desde sua infância na década de 60 — quando formou o Jackson 5 ao lado de seus quatro irmãos — passando pelo lançamento dos álbum que o levaram ao estrelato, Off The Wall (1979) e Thriller (1982), até sua turnê final com os Jacksons (Victory Tour).
O Rei do Pop é interpretado Jaafar Jackson, seu sobrinho na vida real e filho de Jermaine Jackson, ex-integrante do Jackson 5. La Toya elogiou a atuação: “Jaafar estava absolutamente fabuloso”, disse. “Tenho certeza de que você já viu o filme e sabe o quão maravilhoso ele é, como todos nós esquecemos e pensamos que estamos assistindo ao Mike. É tipo, ‘Ah, eu esqueci que esse é o Jaafar‘.”
LaToya é interpretada por Jessica Sula (Fragmentado), Joe Jackson, por Colman Domingo (Sing Sing), e Katherine Jackson por Nia Long (Vovó… Zona). Juliano Valdi assume o papel da versão criança de Michael.
Posicionamento do diretor
O diretor de Michael, Antoine Fuqua, afirmou que era “muito importante” ter a família Jackson envolvida na obra. “Você está ditando o rumo da vida de alguém, e quer ter certeza de que essa pessoa será feliz”, afirmou. O espólio de Michael investiu financeiramente no projeto, enquanto seu filho, Prince, atuou como produtor executivo.
Sobre a ausência de Janet, Fuqua comentou: “Tenho muito respeito e carinho por Janet, mas sabe, tudo bem. Ela apoia Jaafar e isso é o que importa.”
Esta é apenas a primeira parte da cinebiografia, mas a continuação já foi filmada: o material inicial foi divido em duas partes, pois ultrapassou três horas e meia. O segundo longa deve abordar o período de estrelato individual do cantor, após sua decisão de se afastar dos Jacksons.
Atrasos na produção
O produtor Graham King, (Bohemian Rhapsody) anunciou sua intenção de levar a história de Jackson para as telonas em 2019. Entretanto, as filmagens sofreram diversos atrasos e polêmicas, principalmente relacionadas às múltiplas alegações de abuso sexual infantil que levaram o cantor a ser preso em 2003 (e, dois anos depois, absolvido das acusações).
No início de 2025, Michael teria enfrentado um obstáculo legal devido a um acordo firmado com uma das ex-acusadoras de Jackson, Jordan Chandler. Em 1993, aos 13 anos, Chandler acusou o cantor de abuso sexual, o que levou a um acordo de aproximadamente US$ 25 milhões.
Uma das cláusulas estipulava que os Chandlers não deveriam ser mencionados em nenhum filme sobre Michael, mas teria sido ignorada durante a produção. Chandler era, segundo relatos, uma figura chave no roteiro de Logan, e a mudança exigiu extensas reescritas e refilmagens. Segundo a Variety, os herdeiros de Jackson pagaram até 15 milhões de dólares pelas refilmagens.
Fuqua chegou a questionar a integridade de seus antigos acusadores, dizendo que, embora não saiba a verdade sobre o que aconteceu, “às vezes as pessoas fazem coisas horríveis por dinheiro”.
A filha de Jackson, Paris, criticou a representação de seu falecido pai no longa. “Uma grande parte do filme agrada a um segmento muito específico dos fãs do meu pai que ainda vivem na fantasia, e eles ficarão felizes com isso”, disse. “O problema dessas cinebiografias é que são Hollywood. É um mundo de fantasia. Não é real. Mas é vendido como se fosse. A narrativa está sendo controlada. E há muita imprecisão e muitas mentiras descaradas. No fim das contas, isso não me convence.”
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