Música
Isolamento máximo: os bastidores caóticos dos shows de Amy Winehouse no Brasil

A passagem de Amy Winehouse no Brasil, em 2011, rendeu momentos conturbados. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Júnior Camargo, diretor e proprietário da 89 FM A Rádio Rock, relembrou a sua forte ligação com o trabalho de Amy e revelou um episódio tenso de bastidores que presenciou antes de uma apresentação da britânica no país.
Em janeiro de 2011, Amy desembarcou no Brasil para aquela que seria a última turnê de sua carreira, encantando e intrigando os fãs em apresentações históricas por Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo.
Júnior, fã declarado da cantora, acompanhou de perto a turnê da artista em solo brasileiro, tendo assistido aos shows de Florianópolis e de São Paulo. Foi na capital paulista que o diretor da 89 FM presenciou um momento de forte drama pessoal da estrela, que sofria publicamente com problemas de dependência química e reabilitações.
Bastidores tensos
Enquanto estava nos bastidores com os responsáveis pela produtora do show na época, a Mondo, Júnior notou uma movimentação atípica de organizadores andando de um lado para o outro. Ao questionar o que estava acontecendo, recebeu uma resposta preocupante sobre o estado da cantora.
“A Amy Winehouse, ela está tendo uma síndrome do pânico no hotel. Eu acho que ela não vai vir”, revelou Júnior à Rolling Stone Brasil.
Apesar do forte momento de vulnerabilidade emocional e da possibilidade real de cancelamento da apresentação por conta da crise de pânico, a equipe conseguiu conversar com a artista. Amy superou o momento crítico, deixou o hotel e compareceu ao local para realizar a performance.
Isolamento e segurança máxima
Trazer a diva do soul ao país exigiu uma verdadeira operação de guerra que durou mais de um ano de negociações, liderada na época pela Mondo Entretenimento, responsável por viabilizar os shows.
Para tentar garantir que a artista subisse ao palco em segurança, a equipe montou um esquema rígido de monitoramento, apurou o portal de notícias G1. O plano central era mantê-la fixada no Rio de Janeiro, em um hotel no bairro de Santa Teresa. Toda a logística para as apresentações em outras capitais era feita na base do “bate e volta”, com voos em jatos privados na mesma noite, reduzindo ao máximo o tempo de exposição da cantora na estrada.
Hospedada em uma suíte de 160 metros quadrados equipada até com academia privativa, Amy viveu dias de quase confinamento. A medida mais drástica para tentar controlar seus impulsos foi o confisco total do frigobar, uma tentativa desesperada da produção de cortar qualquer acesso fácil a bebidas alcoólicas dentro do hotel.
Sem poder circular livremente pelas ruas, o contato da estrela britânica com a Cidade Maravilhosa acabou se resumindo à vista do alto do morro. Ela passava horas observando a paisagem carioca através de uma luneta disponibilizada pelo hotel.

Da brincadeira de criança às crises antes do show
Apesar do clima de tensão constante, os organizadores relembram que a convivência com a cantora também teve momentos de pura inocência. Em uma das madrugadas no Rio, Winehouse deu um susto nos seguranças ao “fugir” do quarto, mas a travessia pelos corredores era apenas para brincar de bater na porta dos outros hóspedes e sair correndo.
Mas, o cenário mudou de figura e o pânico tomou conta dos bastidores minutos antes da apresentação em São Paulo. Em meio a uma crise aguda, Amy se trancou no quarto e se recusava a sair para cantar. Os empresários relatam que a situação foi tão dramática que eles só conseguiram visualizar os pedidos de ajuda enviados pela equipe local após o surto ter sido controlado, permitindo que ela finalmente subisse ao palco.
O que é a “atitude rock and roll”?
Para Júnior Camargo, figuras como Amy tocam na rádio não necessariamente por estarem presas às amarras de um gênero musical específico, mas sim pela essência que carregam.
Ao analisar a postura de Amy Winehouse diante daquele cenário de extrema dificuldade pessoal, o proprietário da rádio explicou como enxerga o conceito de “atitude” no contexto do rock.
Para Camargo, a decisão da cantora de subir ao palco foi um reflexo puro dessa filosofia: respeito ao público. A capacidade de honrar o compromisso mesmo enfrentando severas barreiras psicológicas.
“Acho que isso é uma atitude rock and roll também, né? De respeitar também apesar da dificuldade ali que ela estava passando, né? Ela honrou ali o compromisso, então acho que essa é uma atitude rock”, explica ele.
Confira a entrevista completa e descubra mais curiosidades no vídeo abaixo!
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