Música
Documentário ‘Burning Ambition’ foca no fã de um jeito que só o Iron Maiden faria

“Não importa se você é homem, mulher, muçulmano, cristão, católico, judeu… nada disso importa: se você é fã de Iron Maiden, então você é fã de Iron Maiden e faz parte de um mundo e uma família, meus amigos.” Esta frase não apenas inicia Iron Maiden: Burning Ambition, documentário sobre a lendária banda inglesa de heavy metal a ser lançado nos cinemas pela Universal em 7 de maio. É, basicamente, o mote de todo o filme, que, entre acertos e falhas pontuais, busca colocar o próprio público do grupo no centro da trama.
Dirigido por Malcolm Venville e produzido por Dominic Freeman, o longa-metragem não traz nenhuma filmagem de entrevista atual dos integrantes que compõem a banda. Todos os relatos inéditos são apresentados somente em áudio. Pouco surpreende, visto que os músicos se notabilizaram pelo perfil discreto e por apoiarem a estética no mascote Eddie. Visualmente, surgem imagens de arquivo, sejam de shows ou bastidores, e, especialmente, registros de fãs.
Alguns deles admiradores são célebres, como os músicos Tom Morello (Rage Against the Machine), Gene Simmons (Kiss), Scott Ian (Anthrax), Simon Gallup (The Cure) e Chuck D (Public Enemy) e o ator Javier Bardem. Outros são desconhecidos e têm diversas origens e ocupações, mas estão unidos pelo amor destinado ao Maiden, talvez o nome com a plateia mais fiel e obcecada do heavy metal, embora seja superado em vendas pelo Metallica.
Devido a esta abordagem, Iron Maiden: Burning Ambition não é indicado para conhecer mais ou se aprofundar na carreira do grupo. Apesar de uma breve menção ao contexto da década de 1970, a história praticamente começa em 1980, meia década após a fundação, embora seja o ano do lançamento do primeiro álbum. Ao longo de seus 107 minutos de duração, não há qualquer história sobre a criação de músicas ou discos. Alguns pontos da trajetória, como a saída do guitarrista Adrian Smith em 1990, são abordados de modo superficial. Outros são pautados com anedotas exaustivamente repetidas em outras entrevistas, a exemplo da conversa audaciosa na qual o vocalista Bruce Dickinson garante ao empresário Rod Smallwood sua aprovação no teste para substituir Paul Di’Anno e questiona: “vocês vão aguentar alguém chato como eu?”.
Ainda assim, não deixa de ser interessante, seja por oferecer filmagens restauradas — mesmo que muitas nem sejam inéditas — em uma tela imensa com som alto, seja pelos relatos dos fãs. Por exemplo, uma admiradora do Líbano, país assolado por uma guerra civil entre 1975 e 1990, conta que sua vida mudou ao ouvir o álbum Fear of the Dark (1992) pois sentia que as letras eram sobre o mundo dela. Outro, de Kosovo, local também impactado por um conflito geopolítico na década de 1990, narra que uma verdadeira comunidade heavy metal foi criada em sua região por conta do hábito de trocar fitas, especialmente do Maiden.
Dois brasileiros falam, em português, durante o filme. Giuseppe Amado de Oliveira surge no início do bloco de 5 minutos dedicado ao show no Rock in Rio de 1985 — primeiro do Maiden no Brasil e na América do Sul — e reaparece ao comentar a volta de Bruce Dickinson à formação em 1999, com show no mesmo festival, dois anos depois, coroando a reunião. Eduardo Dutra Maia também comenta sobre o evento da década de 1980, mais especificamente a respeito do corte sofrido por Dickinson em seu rosto, durante a histórica apresentação, em um acidente com sua guitarra.
O país é citado em mais duas ocasiões: quando Bruce passa a pilotar a aeronave própria do Maiden, o que permitiu realizar shows em locais de logística mais complexa — como a “floresta Amazônica”, destacando a visita a Manaus em 2009 —, e o show de despedida do baterista Nicko McBrain, em São Paulo, no fim de 2024. A relação da Donzela de Ferro com nossas terras é especial, a ponto de terem vindo 14 vezes, fora viagens de integrantes em projetos solo.
Para além dos relatos de fãs e registros de shows, o essencial da história, junto de animações criadas exclusivamente para o longa-metragem — por um estúdio brasileiro, diga-se —, está ali:
- criação do mascote Eddie;
- motivo para saída de Paul Di’Anno (explicado em uma muito promovida, mas pouco reveladora entrevista final do cantor falecido em 2024);
- o “pânico satânico” que levou a protestos nos EUA durante a fase The Number of the Beast (1982);
- a visita à Polônia quando esta era parte da Cortina de Ferro soviética (talvez o bloco mais longo e moroso do filme);
- os diferentes tipos de esgotamento que levaram às saídas de Smith e Dickinson;
- a era Blaze Bayley e a reunião;
- o câncer devidamente superado de Bruce;
- entre outros tópicos.
O básico foi contemplado. Nada muito além. Talvez seja pouco para o público brasileiro, tão obcecado por Iron Maiden, mas é o suficiente para dar orgulho a uma base de fãs que ficará feliz, simplesmente, por ter sua banda predileta ocupando uma sala de cinema convencional. Fora o fato de que assistir ao documentário durante a estreia pode representar uma experiência coletiva quase tão divertida quanto à de um show; afinal de contas, é uma oportunidade para reencontrar os irmãos da “família” Maiden.
Concurso cultural Iron Maiden: Burning Ambition
Iron Maiden: Burning Ambition está chegando no Cine Marquise — e você pode assistir à estreia! O documentário conta a história de 50 anos do Iron Maiden por meio de entrevistas com o grupo, a última entrevista de Paul Di’Anno, depoimentos de celebridades, imagens inéditas e animações de Eddie. Com Javier Bardem, Lars Ulrich (Metallica) e Gene Simmons (Kiss). Para participar, basta acessar o formulário.
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