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Música

Como guitarrista do Soundgarden soube da morte de Chris Cornell

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A morte de Chris Cornell em 2017 pegou uma legião de fãs completamente desprevenida. E há ainda o baque causado nos seus companheiros de Soundgarden.

Em um trecho publicado na Rolling Stone EUA de sua autobiografia, A Screaming Life: Into the Superunknown with Soundgarden and Beyond – recém-lançada nos Estados Unidos –, Kim Thayil relembrou a noite fatídica em que Cornell tirou a própria vida. O guitarrista garantiu ter sentido que algo estava fora do comum quando o vocalista não quis passar tempo com o resto da banda após o último show, em Detroit. Chris faleceria naquela madrugada.

Thayil declarou:

“Eu conhecia Chris há tempo suficiente para perceber quando algo estava errado. Não era apenas que ele estava cansado — havia algo mais profundo, embora ele não se sentisse confortável para se abrir comigo. Não estávamos passando muito tempo juntos durante esta turnê. Após a passagem de som, a gente conversava brevemente sobre o repertório, músicas que estávamos compondo ou ideias em que estávamos improvisando. Mas Chris viajava separadamente e morava na Costa Leste, então não tínhamos muitas oportunidades de nos conectar fora da banda. Havíamos ficado separados por anos, entre 1997 e 2009, e durante esse tempo, ele se casou novamente e se mudou de Seattle. Então, eu não estava totalmente a par do que estava acontecendo em sua vida pessoal, sua sobriedade, ou como ele se sentia em relação à sua carreira.”

O músico relata que a maior parte da banda viajou de madrugada para a próxima cidade da turnê, Columbus. No meio da noite, começaram a chegar notícias:

“Estávamos na estrada há uma ou duas horas quando Matt [Cameron, baterista do Soundgarden] me ligou. ‘Kim, estou vendo muita coisa estranha na internet. Alguém postou ‘RIP: Chris Cornell’ na minha página do Facebook’. Isso não parecia possível para mim. Tínhamos acabado de vê-lo algumas horas atrás. ‘Ah, provavelmente é só besteira’, eu disse a ele. Eu não queria acreditar que algo pudesse ter acontecido com Chris. Acordei Paul [Lorkowski, um amigo de longa data da banda e aliado que trabalhou como assistente de produção, assistente da banda e segurança] — que havia sido particularmente próximo de Chris desde que nos reunimos — para contar a ele o que estava acontecendo. Todos nós pegamos nossos celulares e computadores para ver se conseguíamos descobrir algo. Parecia mais um boato ou uma brincadeira; essas coisas acontecem o tempo todo na internet, onde qualquer pessoa pode postar qualquer coisa nas redes sociais. A ‘brincadeira’ de alguém sai horrivelmente errada. Isso não era uma piada. Paul finalmente recebeu a confirmação de que Chris havia cometido suicídio em seu quarto de hotel, logo após o show. Acordei Ben [Shepherd, baixista] para dar a notícia. Ainda assim não conseguíamos acreditar, tipo: Tem certeza? As pessoas estavam em pânico e hiperventilando.”

Kim Thayil cita ter crescido com uma mãe que constantemente falava de morrer e suicídio, mas nunca sentiu qualquer medo de Chris Cornell fazer algo do tipo. Então, a morte do companheiro de banda o pegou especialmente desprevenido.

Pior para ele foi perceber seu erro nessa impressão:

“A coisa que mais me machuca é ser um amigo próximo e colega de banda, mas não ter lido coisas que talvez, em retrospectiva, eu deveria ter lido. Isso é doloroso. Sinto que decepcionei o Chris por não ver o olhar nos olhos dele, ou não ouvir um tom na voz dele — por não conseguir perceber isso. Mas é difícil perceber coisas assim, porque você não tem muitas oportunidades para isso. Você só pode olhar em retrospectiva e pensar: ‘Ah, aqui está uma indicação’. Não havia nada que estivesse no meu radar que eu pudesse perceber naquele momento. E então eu olhei para o rastro documental e foi tipo: ‘Caramba, o rastro documental vai desde o início’.”

O trecho ainda descreve os acontecimentos nos dias seguintes à morte, como os integrantes do Soundgarden encontraram refúgio em suas famílias e a quantidade de bebida consumida na estrada para afogar o luto. Tudo em meio a lágrimas e lembranças do amigo falecido.

** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

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