Música
Brit-ressaca. Depois de Blur, Pulp e até o Oasis, é a vez do ótimo Elastica ensaiar seu retorno. Estamos prontos?


O improvável Oasis voltou, o Pulp idem, e o Blur já tinha retornado. Agora, veja bem, talvez seja a vez do Elastica entrar oficialmente na grande ressaca Britpop, três décadas depois do auge da vertente musical de uma versão cool do Reino Unido.
A banda reativou suas redes sociais nesta sexta-feira, 31 de julho, com uma foto vintage dos anos 90 e uma mensagem suficiente para deixar muita gente em estado de alerta: “Estivemos ocupados nos bastidores, mas estamos de volta. Fiquem de olho, há algumas coisas empolgantes em andamento.”
O que exatamente isso significa ainda não está claro. Pode ser uma reedição, algum projeto de arquivo, uma celebração de catálogo ou, com um pouco mais de otimismo, uma reunião de verdade. Mas, em um momento em que a cultura pop britânica parece decidida a reabrir todos os armários de 1995, qualquer sinal vindo do Elastica ganha peso próprio.
E não é difícil entender por quê. O Elastica foi uma das bandas mais estilosas e cortantes da era britpop. Seu disco de estreia, “Elastica”, lançado em 1995, é daqueles álbuns que parecem ter nascido prontos: curto, direto, nervoso, cheio de guitarras afiadas e refrões grudentos. Ali estavam “Connection”, “Stutter”, “Line Up”, “Waking Up” e uma coleção de faixas que ajudaram a definir um lado mais seco, urbano e art-punk do pop inglês daquela década.
Depois disso, a história ficou mais complicada. A banda passou anos tentando terminar um sucessor, enfrentou mudanças internas e só lançou “The Menace” em 2000, quando o britpop já tinha perdido boa parte do seu brilho inicial e a maré da música não estava lá tão boa para o rock. O grupo acabou encerrando as atividades em 2001, deixando para trás uma discografia pequena, mas com um impacto bem maior do que seu tamanho sugere.
Justine Frischmann, musa, vocalista e guitarrista do Elastica, também foi integrante da formação inicial do Suede e formou, ao lado de Damon Albarn, um dos casais mais comentados da cena britânica dos anos 90. Depois do fim da banda, ela ainda teve uma conexão importante com outra virada da música pop: trabalhou com M.I.A. e ajudou a escrever material do primeiro álbum da artista, incluindo “Galang”.
Os outros integrantes seguiram caminhos mais discretos. Donna Matthews deixou o Elastica ainda em 1998. Annie Holland também se afastou da atividade musical mais visível. Já o baterista Justin Welch continuou mais presente no circuito alternativo, tocando com o Lush em sua reunião nos anos 2010 e, mais recentemente, com o The Jesus and Mary Chain.
Por enquanto, o retorno do Elastica é mais interrogação do que anúncio. Mas a simples reativação das redes já conversa com um cenário em que o britpop voltou a circular com força, entre nostalgia, reedições, turnês, novas gerações descobrindo guitarras antigas e a sensação de que os anos 90 britânicos viraram de novo uma espécie de parque temático emocional, dentro desse movimento vintage afetivo que o mundo tem tomado.
Se for só uma reedição, já será assunto. Se for uma reunião, a coisa fica maior. Porque, em uma temporada em que Oasis, Pulp e Blur voltaram a ocupar o centro da conversa, a pergunta parece inevitável: por que não Elastica?
Vai, Justine…
