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Anitta: ‘Equilibrium II’ Atinge Coesão Espiritual ao Celebrar Tambores do Brasil

'Equilibrium II', o aguardado segundo volume da Anitta, consolida-se como um trabalho de cinco estrelas, superando seu antecessor com uma rara coesão no mercado fonográfico. Lançado em 23 de julho, o álbum apresenta 17 faixas que se entrelaçam harmoniosamente, combinando sons orgânicos e eletrônicos para criar uma experiência sonora rica e fluida.
A Narrativa Espiritual e as Raízes Brasileiras
O álbum se destaca pela profunda exploração da espiritualidade e das raízes culturais brasileiras, especialmente as religiões de matriz afro-brasileira. Anitta celebra os tambores do Brasil, dos terreiros da Bahia ancestral ao samba, delineando uma trajetória pessoal de busca por paz e saúde mental. Essa coerência é evidente desde as faixas de abertura e encerramento, que resgatam o funk de suas origens em Honório Gurgel, mas agora com um novo matiz espiritual.
Funk com Consciência: Abertura e Encerramento
A faixa de abertura, "Você já sabe", é um mix de funk e maculelê que, com produção do trio Los Brasileros, anuncia a chegada da artista. Encerrando o álbum, "Oke" leva a floresta para a pista, com um funk que incorpora o rap indígena dos Brô MC’s e de Katú Mirim, reforçando a mensagem de conexão com a natureza e a ancestralidade.
Profundidade Espiritual: Orações e Colaborações
A espiritualidade permeia faixas como "Contemplação", que soa como um mantra com a participação do grupo Ofá, da comunidade do Terreiro do Gantois, um polo de resistência ancestral em Salvador. O ijexá, ritmo baiano, embala três faixas sequenciais, todas carregadas de significado espiritual e com arranjos impecáveis. "Sem pressa" une Anitta a MC Tha, defendendo um ritmo de vida mais calmo. "Deus mãe" reencontra Anitta com King Saints, celebrando a energia feminina com um sample de Minuska Lima. O ponto alto dessa tríade é "Ogum me rodeia", que apresenta a voz singular de Maria Bethânia, recitando versos que reverenciam a força de Ogum, em uma conexão harmoniosa com o canto de Anitta e Letícia Fialho.
Diversidade Sonora: Reggae, Forró e Samba
Além das raízes afro-brasileiras, "Equilibrium II" explora uma rica tapeçaria de gêneros musicais, demonstrando a versatilidade de Anitta. O reggae é presente em "Abre caminho", uma colaboração praiana com Alexandre Carlo, e em "Tudo isso", um lovers rock com Alice Caymmi entre os compositores. A influência jamaicana se estende ao ragga e dancehall em "Sal grosso", um funk turbinado pelo rap de Kbrum.
Ritmos Nordestinos e a Malícia Carioca
O forró ganha destaque com duas faixas: "Não me cutuca", um xaxado com base house e Alceu Valença, apresentando versos assertivos sobre a personalidade da artista. Em "Eu não sou santa", a voz de Anitta se une à sanfona e ao canto de Mestrinho, entregando uma performance sedutora e cheia de malícia.
O Samba em Suas Múltiplas Faces
O samba, naturalmente, marca presença com "Feitiço", um samba de caboclo pop que Anitta divide com Mart’nália. "Ponta do pé" remete a um salão de gafieira, enquanto "Respira" incorpora uma latinidade em clima de bossa nova. "Divino sexual" fecha o conjunto de sambas, mesmo que menos imponente, se encaixa na narrativa por celebrar a vida e o sexo, elementos intrínsecos à experiência humana.
Fonte: https://g1.globo.com
